Juros futuros têm maior queda em duas semanas, com alívio no câmbio – Valor

SÃO PAULO  –  Mesmo sem ampla mudança no quadro econômico, os juros futuros encontraram motivos para registrar firme queda nesta quarta-feira (11). Com alívio no câmbio, as taxas dos contratos de DI com vencimentos mais longos tiveram a maior baixa em duas semanas.

“Só o fato de o dólar não pressionar tanto já é algo positivo para os DIs”, diz o sócio e gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

Como a taxa de câmbio subiu rapidamente para R$ 3,40, especialistas vinham adotando uma postura mais cautelosa no mercado. E alguns profissionais até questionavam a trajetória da Selic no curto prazo, mesmo com as surpresas benéficas no campo da inflação.

Até por causa desse desconforto com o dólar, aumentaram as atenções sobre uma possível atuação do Banco Central. O presidente da instituição disse que, hoje, tem colchões para lidar com eventuais quadros de volatilidade que venham do cenário externo ou do ambiente eleitoral brasileiro. “Temos munição suficiente para lidar com qualquer cenário que venha a se apresentar”, afirmou.

Para o sócio e gestor da Modal Asset, Luiz Eduardo Portella, a mensagem do BC serviu para segurar a busca de “hedge” no dólar. “Com o alerta de que pode atuar, Ilan ajudou a acalmar o câmbio”, afirmou Portella.

Hoje, o respiro no mercado de moedas também se traduziu em queda do prêmio de risco nos juros futuros. De acordo com operadores, o movimento também se beneficiou da posição “mais leve” dos agentes financeiros, depois que as taxas foram alvo de zeragem de posições nos últimos dias. “De uma forma ou de outra, a zeragem de posições acabou ‘limpando’ bem a aspecto técnico do mercado”, diz o operador Luis Laudísio, da Renascença.

Continuidade da política econômica 

O pano de fundo também contou com a sinalização de que a política econômica terá continuidade mesmo com a troca de ministro na Fazenda. Foi essa a leitura sobre os primeiros comentários de Eduardo Guardia desde que assumiu o cargo. Ele defendeu medidas de responsabilidade fiscal, como o teto de gastos, a regra de ouro e a reforma da Previdência.

“Ainda é muito cedo para avaliar [a situação], mas é uma ótima sinalização (…) e, pensando na ponta oposta, não vimos o mercado piorar pelo fato de que ele assumiria o cargo [no lugar de Henrique Meirelles]”, diz Luis Laudisio, da Renascença.

No entanto, as incertezas no quadro eleitoral ainda pairam o mercado. Nesta quinta (12) será divulgada a pesquisa do instituto Ipsos. A despeito de o ex-presidente Lula se distanciar cada vez mais da disputa eleitoral, não se espera uma disparada dos candidatos reformistas. Inclusive, a leitura para essa sondagem é de que haja pouca mudança. Assim sendo, Lula continuará no topo da preferência dos eleitores ao lado de Jair Bolsonaro.

“E pode até ser que Lula suba na pesquisa por causa da visibilidade dos últimos dias”, afirma um gestor. “A eleição começou, de fato, mas ainda está numa fase inicial”, acrescenta.

No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2021 caía a 8,090% (8,130% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 recuava a 9,150% (9,210% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 recuava a 9,650% (9,730% no ajuste anterior). Entre os vencimentos mais curtos, o DI janeiro/2019 marcava 6,260% (6,275% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 apontava 7,050% (7,090% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!