Bolsa cai com cautela do investidor; dólar bate R$ 3,43 e perde força – Valor

SÃO PAULO  –  A Bolsa paulista caminha para terminar a semana num tom mais negativo, refletindo o aumento das incertezas políticas no quadro brasileiro, a preocupação com o ambiente internacional e, mais recentemente, as dúvidas quanto a situação da atividade econômica.

Hoje, pesa sobre os negócios a expectativa pela pesquisa eleitoral que o Datafolha deve divulgar no fim de semana. Existe o receio, a partir de pesquisas de trackings feitas nos últimos dias, de que a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tenha garantido o avanço de candidatos de centro-direita. E que o quadro fique ainda mais embolado com a perspectiva de candidatura do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa.

Profissionais reconhecem que, de fato, havia uma certa condescendência exagerada do mercado com o quadro político. A condenação de Lula, no fim de janeiro, contribuiu para um rali na bolsa, que ignorava o fato de que ainda não havia clareza de quem seria o herdeiro dos votos do petista. Mas o que se acreditava era que essa discussão só ganharia espaço no mercado mais para frente, mais perto de junho.

O que mudou desde então foi o cenário externo. Sem o forte apetite por risco que se via no começo do ano, os investidores tornam-se mais seletivos e isso evidencia as fragilidades do cenário.

Os sinais de retomada lenta da atividade, que vêm se avolumando, também contribuem para o comportamento mais morno do mercado de ações. Hoje, o IBGE divulgou o dado sobre o volume de serviços prestados no país, que subiu 0,1% em fevereiro, confirmando que o ritmo de recuperação segue limitado. Esses dados podem gerar alguma reavaliação das projeções para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB): hoje o Itaú confirmou a mudança de previsão para o crescimento da economia no primeiro trimestre, de 1% para 0,5%.

Às 13h48, o Ibovespa caía 1,20%, aos 84.422 pontos. Na mínima, ficou em 84.144 pontos. Petrobras PN cedia 2,03%, Vale ON ganhava 0,04% e . Itaú PN recuava 1,96%.

A maior queda do Ibovespa estava com BRF ON, com baixa de 4,58%, pressionada ainda pelo acirramento de conflitos entre os fundos de pensão Petros e Previ e o empresário Abílio Diniz.

Câmbio

A atuação de exportadores na ponta da venda ajudou a tirar o dólar das máximas do dia nesta sexta-feira. Taxas em torno de R$ 3,43 têm sido um importante atrativo para atuação das empresas, num mês tradicionalmente forte na exportação da safra agrícola.

O mercado também arrefece as compras com o dólar próximo de R$ 3,43 após o Banco Central (BC) sinalizar nesta semana que poderá intervir no câmbio se necessário – via ofertas adicionais de swaps cambiais.

A escalada da moeda chamou atenção nos últimos dias. Desde segunda, a alta já é de 1,21%, o que eleva a valorização do dólar em abril para 3,18% – a terceira maior nos mercados globais de câmbio.

Analistas concordam que a volatilidade de curto prazo pode pressionar mais o real, mas ponderam que os bons fundamentos do Brasil não sustentam câmbio muito acima de R$ 3,40 de forma sustentável.

Às 13h52, o dólar comercial subia 0,08%, a R$ 3,4097, após máxima de R$ 3,4291.

No mercado futuro, o dólar para maio cedia 0,09%, a R$ 3,4145.

Juros

As taxas dos DIs com vencimento mais curto voltam a operar em baixa nesta sexta-feira, sob perspectiva de juros baixos por mais tempo. O mercado ainda hesita em apostar na extensão do ciclo de corte da Selic para além de maio. Persiste, contudo, a leitura de que a taxa básica pode não subir tanto no futuro.

O Santander Brasil revisou sua estimativa para a Selic e agora estima a taxa básica em 7,5% no fim do ano que vem, um ponto percentual abaixo de sua projeção anterior. E para os próximos anos, uma taxa Selic de 8,50% será compatível com a inflação no centro da meta. A leitura na instituição leva em consideração o alvo de 4,0% em 2020 e metas possivelmente menores em seguida.

São listados quatro fatores principais que contribuem para manter as expectativas de inflação ancoradas, permitindo a política monetária expansionista. A deflação dos preços dos alimentos é mais profunda e mais duradoura do que o esperado. Além disso, observa-se a transmissão da inflação corrente fraca para a expectativa de inflação, por meio de contratos indexados. A recuperação econômica também se mostra lenta e, por fim, a credibilidade do BC melhorou.

O ritmo de recuperação da atividade no Brasil volta à pauta nesta sexta-feira – o volume do setor subiu 0,1% em fevereiro. O resultado para o mês ficou aquém do esperado pelo Bradesco, de alta de 0,3%. Os dados foram conhecidos um dia após a frustração com as vendas no varejo, que mostraram queda em fevereiro, reiterando o espaço para estímulo monetário no país.

Olhando para o curtíssimo prazo, entretanto, a chance de um afrouxamento monetário para além de um corte da Selic em maio ainda é dúvida. Neste primeiro semestre, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem mais duas decisões: a do mês que vem tem amplas expectativas de baixa da taxa, enquanto o anúncio de junho é visto com ceticismo.

A contenção se deve, em grande medida, ao discurso no BC. Os dirigentes da autoridade monetária têm indicado que o ciclo deve terminar com mais um último movimento e, em seguida, adotariam uma pausa para avaliar as condições econômicas.

O câmbio mais pressionado também evitaria uma melhora suficiente das expectativas de inflação para movimentar essa aposta de junho. Esse é um risco, inclusive, que ronda a própria leitura para a decisão do Copom em maio.

Por volta das 14h, os juros mais curtos tinham leve queda. O DI janeiro/2019 marcava 6,215% (6,225% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 recuava a 6,910% (6,980% no ajuste anterior).

O DI janeiro/2021 marcava 8,000% (8,010% no ajuste anterior); o DI janeiro/2023 apontava 9,150% (9,120% no ajuste anterior); e o DI janeiro/2025 se situava em 9,680% (9,640% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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