Nova tecnologia promete mudar mercado de apps – Jornal do Comércio

Em 2008, quando Steve Jobs lançou a loja virtual de aplicativos para o iPhone, teve início a era dos aplicativos. Quase 10 anos depois do boom digital, o interesse das empresas em aplicativos reduziu, porque eles ocupam muito espaço na memória dos aparelhos e são caros para serem produzidos. Com o mercado em queda, novas tecnologias começam a disputar este mercado, sendo umas das principais o Progressive Web App (PWA), do Google. O PWA é uma tecnologia que transforma sites em aplicativos com capacidade de serem lidos por smartphones e tablets. Quando você acessa um site e dá a opção para o download do aplicativo, provavelmente ele usa o PWA.

De acordo com o professor de Tecnologia da Informação da Pucrs, Júlio Machado, o PWA amplia o antigo sistema de produção de sites e só precisa que o navegador do celular também aceite suas novas configurações – caracterizadas pelo modelo de aplicativo com tela cheia, memorização no aparelho celular e navegação off-line, além de ser mais veloz que os aplicativos comuns. “Ele continua sendo um javascript, só que com novas funcionalidades, que são colocadas nos navegadores para que o site possa ser utilizado como app – o que é o tendão de Aquiles dele, pois precisa que o navegador permita e aceite as configurações do PWA”, explica.

A vantagem da tecnologia é a redução do tempo de desenvolvimento e do custo. O programador, antes, precisava compilar um programa para transformá-lo em um aplicativo de celular e tinha que submeter e aguardar pela aprovação das lojas de aplicativos. Para um melhor funcionamento do app, muitas empresas desenvolviam a mesma aplicação duas vezes – uma para iOS e outra para Android. Com o PWA, uma aplicação web funciona como site e como aplicativo. Sendo assim, o custo do trabalho do programador cai.

Para os sites de compras, a possibilidade de independência da conexão de internet é uma das melhores características que o PWA tem, pois, “quando estávamos na nossa sacolinha de compras do AliExpress – que agora é um PWA – e caía a internet, era um terror. Agora, não mais. Como o aplicativo está gravando todo o carrinho na memória do celular, ele não perde os caminhos que já foram percorridos para chegar até ali. Quando o usuário perceber, o próprio aplicativo já enviou a solicitação de compra”, afirma Machado.

Para o professor, o PWA facilita, ainda, na distribuição do aplicativo. “Posso distribuir sem precisar manter na loja, que também diminui o gasto com o app”, afirma.

A Google Play não ficou desamparada neste período de transformação dos aplicativos digitais. Para manter a loja, a Google desenvolveu o Instant App Android, que é uma plataforma que possibilita ao usuário visualizar e utilizar um aplicativo antes de baixar. Os novos aplicativos – principalmente os de jogos – já aderem ao novo formato, que, de acordo com Machado, “funciona como uma degustação: gostou, baixou; não gostou, o usuário não é obrigado a utilizá-lo e também não perdeu espaço baixando o aplicativo”.

Gaúchos da fronteira e programadores de sites, Evandro Guedes e Marco Baldessari foram os pioneiros do PWA no Brasil através da startup Litefy. Os empreendedores foram os primeiros a oferecer a tecnologia para a plataforma para criação de sites e-commerce Shopify. Com poucos meses de existência, a startup já atua em 30 países. “O PWA não veio para tirar o lugar dos apps nativos, mas sim para facilitar a adesão de empresas que não têm condições para comprá-los e fazer a manutenção”, afirmou Guedes, sócio da Litefy.

Sobre uma possível segmentação da tecnologia, Guedes diz que “não tem um segmento definido. Diversas empresas de diversos ramos estão aderindo, como a Nasa e a Trivago”.

Em Porto Alegre, a Thony Ferragem foi uma das primeiras empresas a aderirem ao PWA. Ela implementou a tecnologia em seu website no começo de 2018, para um período de testes. “A partir da metade deste ano, o aplicativo já vai estar funcionando, com a possibilidade de fazer orçamentos e o acompanhamento das entregas”, afirma Renato Freitas, multiplicador de marketing da Thony Ferramentas.

Freitas destaca que o investimento é curto e efetivo. Por esse motivo, a empresa aderiu ao período experimental da plataforma. “Ela é uma plataforma com baixo custo, então a gente começou a utilizar para teste, para avaliar o que é possível colocar de ferramentas dentro do aplicativo”, conclui.

 

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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