BC: Mercado mantém confiança no sistema financeiro em absorver choques – Valor

BRASÍLIA E RIO  –  O volume de ativos problemáticos das corporações não financeiras continuará demandando atenção em 2018, alertou o Banco Central (BC) no Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado nesta terça-feira. Apesar disso, a autoridade monetária avalia que o mercado mantém a confiança na capacidade de o sistema financeiro absorver choques, mesmo diante “das incertezas no cenário político, na agenda de reformas fiscais e no cenário internacional”.

De acordo com os dados do relatório referente ao segundo semestre de 2017, que avalia a situação do Sistema Financeiro Nacional, a carteira total do crédito bancário no país recuou 0,5% em 2017, com efeitos distintos no crédito às famílias e às empresas – com um aumento de 5,7% no primeiro caso e recuo de 6,7% no segundo.

A taxa média de juros das novas concessões, por sua vez, caiu de 32,2% para 25,6% ao ano. A queda foi mais expressiva no crédito a pessoas físicas, de 42% em dezembro de 2016 para 31,9% em dezembro de 2017.

Considerando esses números, o BC avalia que o ambiente econômico em 2017 propiciou avanço no crédito bancário às famílias – tanto em termos de redução do risco quanto em recuperação nas concessões de crédito novo.

O BC afirma que a taxa média de juros cobrada nas operações de crédito a pessoas físicas declinou 10,1 pontos percentuais em 2017, o que favoreceu o aumento na carteira de crédito às famílias. Além disso, afirma que o financiamento de veículos voltou a crescer após quatro anos em declínio. Para a autoridade monetária, o refinanciamento de carteiras favoreceu o aumento do empréstimo consignado, e a retomada do consumo deu impulso às vendas no cartão de crédito na modalidade compras à vista.

Ao menos no curto prazo, diz o BC, as concessões de crédito a pessoas físicas devem se manter concentradas principalmente nos bancos privados.

A autoridade monetária diz, no entanto, que ainda é motivo de atenção nos últimos três semestres o fato de o volume de reestruturações do crédito imobiliário ter recuado devido, principalmente, aos efeitos da política de concessão mais conservadora adotada a partir de 2015 – quando os bancos passaram a praticar loan-to-value (LTVs) significativamente abaixo do limite máximo permitido pela regulação.

Como o prazo médio da carteira de crédito imobiliário é longo, o efeito dessa medida passou a ser percebido no total da carteira no segundo semestre de 2017.

Desde 2014, o BC verifica aumento do fluxo de retomada de imóveis de devedores inadimplentes. As instituições têm enfrentado dificuldades para vender os imóveis retomados, cenário que não deve se alterar de forma significativa em 2018. “No entanto, o montante em imóveis retomados é pequeno e não representa riscos para as instituições ou para a estabilidade financeira”, diz a autoridade monetária.

De acordo com o documento, o crédito bancário às pequenas e médias empresas apresenta sinais de melhora. “Tanto a inadimplência quanto a participação relativa dos ativos problemáticos no total da carteira de crédito dessas empresas recuaram significativamente no semestre, embora ainda estejam em patamar historicamente elevado.

O BC notou que, apesar de o crédito bancário ter recuado entre as grandes corporações não financeiras, as empresas de capital aberto apresentaram melhora nos seus indicadores econômico-financeiros e registraram avanço no financiamento via mercado de capitais e mercado externo. Mesmo assim, a autoridade monetária alerta que o alto estoque de operações de empresas em dificuldades, somada à pré-inadimplência, sinaliza que a materialização de risco deve permanecer em alta neste ano.

“Comparado ao ano anterior, houve queda nos requerimentos de recuperação judicial e leve aumento na geração operacional de caixa e na rentabilidade das empresas de capital aberto”, diz a autoridade monetária em seu Relatório de Estabilidade Financeira referente ao segundo semestre de 2017, que avalia a situação do Sistema Financeiro Nacional.

Conforme o texto, no entanto, os ativos problemáticos das grandes corporações persistem em elevação e demandam maior atenção. “A pré-inadimplência elevada e o significativo estoque de operações das empresas em dificuldade financeira sugerem que a materialização de risco deve continuar alta em 2018”, avalia o BC. Segundo o documento, a maior deterioração do crédito nos últimos seis meses ocorreu nos setores de “Construção, Madeira e Móveis” e “Transportes”.

A autoridade monetária avalia que a concessão de crédito bancário a grandes corporações permanece em queda. Em contrapartida, diz que o mercado de capitais cresceu 17,6% ao ano e, juntamente com o mercado externo, ganhou importância relativa como fonte de financiamento principalmente para os setores “Petroquímico”, “Energia” e “Automotivo”. “A tendência é de manutenção do crescimento dos mercados de capital e externo como fontes importantes de financiamento”, avalia o BC.

Fonte Oficial: Valor.

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