Bolsa opera em baixa com ações de bancos; dólar supera R$ 3,40 – Valor

SÃO PAULO  –  O Ibovespa operou praticamente no zero a zero nesta quinta-feira, até o momento, sem arriscar a se afastar muito do nível da estabilidade. De um lado, ações ligadas a commodities sustentavam o índice, enquanto os bancos operavam em baixa firme, limitando qualquer tentativa de recuperação.

Por volta das 14 horas, o Ibovespa caía 0,08%, para 85.711 pontos. Ao longo da sessão, oscilou entre a mínima de 85.376 pontos e a máxima de 86.059 pontos.

No mesmo horário, Bradesco ON caía 0,87%, Bradesco PN cedia 0,69%, Banco do Brasil ON recuava 0,55% e Itaú recuava 0,97%. Como algumas dessas ações têm grande peso sobre o índice, o efeito positivo de Vale, Petrobras e siderúrgicas foi praticamente anulado nesta sessão.

Segundo operadores, o comportamento das ações de bancos confirma que não há, neste momento, razões na cena local que justifiquem um fluxo comprador adicional. Ontem, esses papéis subiram e, hoje, sem notícias positivas relevantes, o mercado opta por realizar lucros.

Já Petrobras e Vale tiveram uma manhã positiva e voltam a concentrar o volume de negócios. Além da alta do petróleo, há uma série de notícias sobre a estatal que justificam os ganhos. Vale ON tinha alta de 0,82%, reagindo à valorização de 3,9% do minério de ferro no mercado chinês. Usiminas PNA ganhava 2,35%.

BRF aumentava 3,30%, em reação à confirmação de que Pedro Parente irá para a presidência do conselho da empresa. 

Câmbio

O dólar retoma o nível de R$ 3,40 nesta quinta-feira, quebrando uma sequência de três quedas que levou a moeda a testar patamares na casa de R$ 3,37. O fato de a cotação registrar hoje sua primeira alta na semana e já superar a marca psicológica de R$ 3,40 reforça a percepção de que o câmbio mudou de patamar e que a divisa americana tenderá a operar com mais volatilidade e preços mais altos.

Sem grandes notícias no plano local, investidores se voltam para o movimento nos mercados internacionais de câmbio, onde o dólar sobe frente a todos os seus principais rivais. O real tem o terceiro pior desempenho na sessão, melhor apenas que o peso mexicano e a lira turca. E mesmo moedas asiáticas, tradicionalmente mais estáveis, exibem perdas hoje.

As commodities seguem próximas de máximas desde 2015, mas, diferentemente de ontem, sem expressiva valorização – o que retira suporte a moedas emergentes. De carona na tese de que a escalada das matérias-primas pode gerar pressões inflacionárias à frente, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dez anos voltam a operar acima de 2,90% pela primeira vez em um mês, na terceira sessão consecutiva de alta.

No Brasil, ao redor de 14 horas, o dólar comercial ganhava 0,68%, a R$ 3,4031 (máxima de R$ 3,4045). Com isso, devolve boa parte da queda de 0,81% do dia anterior. No mercado futuro, o dólar para maio avançava 0,72%, a R$ 3,4075, após alcançar R$ 3,4080.

Juros

A trégua no mercado de juros futuros é interrompida na sessão desta quinta-feira. Com a volta da pressão externa, as taxas dos DIs retomam a trajetória de alta e devolvem parte da melhora dos últimos dias.

Diante das incertezas na cena brasileira, principalmente por causa da indefinição eleitoral, os ativos brasileiros ficam mais vulneráveis ao vaivém externo. Desta vez, a resposta nos juros futuros é de alta mais evidente nos vencimentos intermediários e longos.

Cautela é a palavra que tem definido o discurso de parte dos participantes do mercado de DI. O ciclo de flexibilização monetária já não atrai tantas apostas, diante de percepção – reforçada pelo discurso do Banco Central (BC) – de que os cortes da Selic estão chegando ao fim.

Os agentes financeiros são pouco estimulados a migrar posições para vencimentos mais longos. O resultado é a ampla distância entre as pontas da curva de juros, que poderia significar uma janela de entrada no mercado. O problema é que a perspectiva futura ainda é prejudicada pela falta de visibilidade na corrida presidencial.

Os candidatos reformistas ainda patinam nas pesquisas de intenção de votos e os nomes que ganham projeção não são garantia de governabilidade caso tomem o poder. Por isso, um movimento mais amplo no mercado só deve vir com confiança no ajuste fiscal, dizem os especialistas. 

O rumo fiscal, inclusive, acaba atrasando a aposta de juros baixos por mais tempo, que seria incentiva pelo quadro atual de inflação contida e a atividade fraca. 

Hoje, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reiterou que, com inflação abaixo da meta, há espaço para estimular a economia. Ele comentou ainda que o Brasil tem apresentado uma recuperação gradual, com previsão de crescer entre 2,5% e 3% este ano. Segundo ele, há riscos simétricos de alta e de baixa para a economia, mas o país precisa continuar no caminho de reformas, incluindo a da Previdência, que foi adiada para depois das eleições.

Por volta das 14 horas, o DI janeiro/2019 operava a 6,235% (6,220% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 marcava 6,950% (6,900% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2021 projetava 7,920% (7,860% no ajuste anterior). O DI janeiro/2023 tinha taxa de 9,080% (9,030% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 registrava 9,600% (9,560% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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