Wells Fargo luta para cumprir prazos com órgão regulador dos EUA – Valor

O banco americano Wells Fargo & Co está enfrentando problemas com um dos órgãos reguladores dos Estados Unidos.

Na semana passada, o banco firmou um acordo, no valor de US$ 1 bilhão, com Comptroller of the Currency and Consumer Financial Protection Bureau (OCC, o órgão americano de controle e proteção financeira ao consumidor), relacionado à administração de risco em negócios de empréstimos ao consumidor.

Mas o banco já está planejando pedir ao órgão a prorrogação de prazo para cumprir uma ação de fiscalização relacionada aos controles contra lavagem de dinheiro, segundo pessoas a par do assunto.

A unidade de atacado do Wells Fargo, que trabalha com clientes corporativos maiores, vem tendo problemas há meses, ao atender as condições para ter um consentimento, dado em novembro de 2015, pelo OCC.

Esse acordo tem relação com processos envolvendo clientes corporativos novos e existentes, por causa da forma com que o banco processa e guarda documentos de identificação adequados, disseram as pessoas a par do assunto.

Se o Wells Fargo perder o prazo de 30 de junho do OCC para atender às exigências do pedido, isso pode resultar em outra ação de execução contra o banco, disseram essas pessoas. O banco nos últimos meses vem discutindo as questões com o OCC, disseram as pessoas.

Essas questões com a ação de fiscalização do OCC ocorrem em um momento difícil para o Wells Fargo. Além do acordo de US$ 1 bilhão da semana passada, que forçou o banco a ajustar os ganhos do primeiro trimestre em US$ 800 milhões, o banco, em fevereiro, foi atingido por uma ação de fiscalização sem precedentes do Federal Reserve por não ter controles de risco adequados.

Essa ordem impediu que o banco passasse dos US$ 1,95 trilhão em ativos que tinha no final de 2017.

Grande parte dos problemas de gerenciamento de risco do banco está relacionada à unidade de empréstimos ao consumidor, que se concentra em empréstimos de automóveis e hipotecas, entre outros serviços.

Os últimos problemas contra a lavagem de dinheiro que o Wells Fargo está enfrentando também estão relacionados aos seus controles. Existem dois componentes principais dos processos de combate à lavagem de dinheiro: um é saber quem é o cliente e o outro está monitorando atividades suspeitas. O Wells Fargo está discutindo o primeiro item.

Nos anos anteriores à ação de combate à lavagem de dinheiro da OCC, o Wells Fargo forneceu vários avisos de deficiências nessas áreas, conhecidas como Assuntos que Requerem Atenção. Parte do motivo da ação de fiscalização foi o fato de o banco não ter resolvido os problemas que o OCC levantara, disseram as pessoas a par do assunto.

Na época da ação, de 2015, a Wells Fargo tinha mais de 100 mil contas de clientes que precisavam ser verificadas com milhares de pessoas que demandavam um trabalho mais específico, disseram as pessoas.

Ao longo do ano passado, o Wells Fargo alcançou milhares de clientes solicitando documentação atualizada.

Em particular, a divisão de banco comercial do banco, que atende a pequenas empresas com vendas anuais que variam de US$ 5 milhões a US$ 20 milhões, vem lutando há meses para coletar certa documentação relacionada à comprovação da propriedade efetiva.

O esforço se tornou ainda mais desafiador, já que outro regulador financeiro – a Financial Crimes Enforcement Network, do Departamento do Tesouro – implementará regras mais rigorosas em torno da posse beneficiária a partir de maio de 2018 que o banco planeja cumprir, disseram as pessoas.

No início deste ano, o chefe da unidade atacadista, Perry Pelos, intensificou os esforços, disseram as pessoas.

Em particular, o banco está exigindo que as atividades de clientes de alto risco sejam cobertas em memorandos de relacionamento, resumindo o risco de relacionamento e de lavagem de dinheiro para esses clientes, disseram eles.

O OCC cobrou outros ajustes com grandes bancos relacionados a lavagem de dinheiro nos últimos meses.

Em fevereiro, o US Bancorp concordou em pagar US$ 613 milhões em multas pelo que os reguladores e promotores descreveram como controles de combate à lavagem de dinheiro de má qualidade. O programa de combate à lavagem de dinheiro do banco foi o foco de uma ordem de consentimento de 2015 do OCC.

O Citigroup assinou em janeiro um acordo de US$ 70 milhões com o OCC por não atender a uma ordem de consentimento de 2012 relacionada a deficiências contra lavagem de dinheiro.

Fonte Oficial: Valor.

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