Dólar bate R$ 3,48; Ibovespa avança com Cosan e Santander em destaque – Valor

SÃO PAULO  –  A alta do dólar não dá trégua e a moeda já alcançou R$ 3,48, nas máximas em um ano e meio, no quarto pregão consecutivo de valorização. Diferentemente do dia anterior, quando o câmbio reagiu ao ambiente externo, o movimento desta terça-feira é basicamente doméstico e reforça a percepção de que o comportamento dos últimos meses se trata de algo estrutural e não apenas de vida curta.

Por trás dessa tese está o colapso dos diferenciais de juros entre o Brasil e o mundo, hoje em torno de mínimas históricas. Segundo analistas, a baixa nos spreads a favor do real tem tornado mais barato o uso do câmbio como instrumento de proteção a posições em outros mercados – como Bolsa e renda fixa.

Numa evidência de que a taxa de câmbio estruturalmente pode estar mais desvalorizada, a alta do dólar tem ocorrido sem “sustos”, com variações condizentes com o histórico. A oscilação mais ampla de alta foi de 1,54%, no último dia 9. A valorização em ritmo moderado e consistente indica que o mercado está levando o dólar a níveis mais altos por acreditar que o patamar de equilíbrio da moeda de fato subiu.

Segundo ele, o Banco Central (BC) teoricamente não deveria atuar neste momento para frear a alta do dólar, já que há poucos sinais de que se trata de um movimento especulativo.

Às 13h46, o dólar comercial subia 0,66%, a R$ 3,4743. Na máxima, foi a R$ 3,4803, novo pico desde dezembro de 2016.

Em abril, a alta já supera 5%. Nesse mesmo período, investidores estrangeiros e institucionais nacionais já compraram, em conjunto, US$ 7,1 bilhões em contratos derivativos de câmbio na B3 neste mês.

Com isso, o não residente elevou sua posição líquida favorável ao dólar a US$ 19,129 bilhões. É o maior patamar desde 28 de fevereiro (US$ 20,319 bilhões). Já os institucionais nacionais reduziram sua posição líquida vendida em dólar para US$ 10,874 bilhões, a menor desde 22 de fevereiro deste ano (US$ 10,785 bilhões).

Juros

O mercado de juros futuros não corresponde às expectativas deixadas pela trégua no exterior. Em um dia de valorização de moedas emergentes, os juros futuros até davam sinais de que se ajustariam em baixa nesta terça-feira. No entanto, ainda durante a primeira hora de negociações, o movimento foi revertido e a alta voltou a prevalecer nas taxas dos contratos de DI.

Investidores globais continuam acompanhando o vaivém dos juros dos títulos do Tesouro americano. O rendimento da T-note de 10 anos tocou o nível psicológico de 3%, que é apontado como um gatilho para realocação de recursos nos mercados caso seja mantido de forma constante. Por ora, a reação lá fora foi contida e, no Brasil, as taxas dos juros futuros continuaram apontando para cima.

As altas mais acentuadas são das taxas de longo prazo, a despeito da percepção de que a afrouxamento monetário em maio segue firme. A economia brasileira enfrenta tamanha incerteza para os próximos anos que os cortes da Selic não têm sido capazes de derrubar os juros de longo prazo. O canal de transmissão da política monetária enfrenta a resistência dos riscos fiscais, eleitorais e até externos, num sinal de que a retomada de investimentos mais robustos ainda pode demorar algum tempo.

Às 13h48, o DI janeiro/2019 marcava 6,240% (6,225% no ajuste anterior); o DI janeiro/2020 apontava 6,960% (6,920% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2021 subia a 7,970% (7,930% no ajuste anterior). O DI janeiro/2023 avançava a 9,230% (9,180% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 projetava 9,780% (9,740% no ajuste anterior).

Bolsa

O Ibovespa chega ao começo da tarde defendendo a linha dos 86 mil pontos, mesmo com as bolsas americanas fraquejando diante do movimento de alta dos juros dos Treasuries. Notícias corporativas e uma correção após a queda recente explicam esse comportamento dos investidores.

Às 13h49, o Ibovespa subia 0,38%, para 85.929 pontos.

Vale ON segue em alta firme, de 1,81%. O papel reage à elevação do preço-alvo pelo Credit Suisse, para US$ 17, e recomendação de compra.

Também Petrobras PN (0,22%) e Itaú PN (0,35%) reforçam o movimento.

Na lista das ações mais negociadas, Kroton subia 2,18%. 

Santander é outra ação que se destaca hoje, com valorização de 2,32%. Depois do fechamento do mercado, será divulgado o balanço do banco. A expectativa dos analistas ouvidos pelo Valor é de que a instituição apresente lucro de R$ 2,7 bilhões, alta de 18% ante igual período do ano passado.

A maior alta do índice até o momento ainda é Cosan ON (+5,26%), reagindo à notícia de que a Raízen Energia, joint venture entre a empresa e a Shell, comprou o negócio de refino e abastecimento da Shell na Argentina.

Fonte Oficial: Valor.

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