Cena externa derruba Ibovespa e faz dólar bater R$ 3,51 – Valor

SÃO PAULO  –  A baixa disposição ao risco no mundo afetou o mercado brasileiro e jogou o Ibovespa para baixo da marca de 85 mil pontos. Mais uma vez, foi a alta dos juros dos títulos do Tesouro americano que explica esse tom negativo, ao provocar um ajuste das posições dos investidores globais, movimento que afeta em cheio moedas emergentes e ações.

Às 13h45, o Ibovespa caía 0,54%, para 85.009 pontos. Na mínima, tocou os 84.349 pontos.

Para o sócio e gestor da Rosenberg Investimentos, Marcos Mollica, o comportamento negativo dos mercados é típico de um “momento de transição” para um cenário de inflação e juros mais altos nos Estados Unidos. “Os mercados vinham muito otimistas e, agora, precisam colocar um prêmio de risco relativo à inflação nos juros de 10 anos dos Estados Unidos”, explica. “E quando esse juro sobe nessa velocidade, afeta todos os mercados.

Para ele, esse quadro, contudo não representa ao menos por enquanto o fim do ambiente positivo para ativos de risco. “Acho que não é um movimento de crise. Parece um movimento transitório. Os fundamentos ainda são muito sólidos e os mercados vão se acomodar”, afirma.

Esse clima negativo acaba afetando a reação do mercado a notícias corporativas. Santander, por exemplo, chegou a iniciar a sessão em alta, refletindo o resultado considerado positivo divulgado na noite de terça-feira. Às 13h45, a ação cedia 2,62%. Da mesma forma, Fibria ON perdia 0,16%.

Chama a atenção nesse ambiente a reação positiva de Qualicorp ON, que subia 5,25%. Segundo operadores, o movimento pode ser atribuído à oferta pública inicial de ações da Hapvida, operadora de planos de saúde. Segundo gestores, a lógica é que a operação da Hapvida chama a atenção para o setor e estimula a compra dos papéis de outras empresas comparáveis. “Mas tende a ser um movimento de curto prazo”, diz um profissional.

Petrobras figurou entre as principais quedas do Ibovespa. A ação é especialmente afetada pela alta do dólar, que já tocou hoje a marca dos R$ 3,50, dado o endividamento elevado da companhia em moeda estrangeira.

Além disso, pesa sobre o papel a notícia do Valor de que o governo já admite deixar o leilão do petróleo excedente da cessão onerosa para 2019. Embora o mercado já visse com algum ceticismo a capacidade política do governo viabilizar esse projeto este ano, essa informação justifica uma correção do preço do papel.

Às 13h45, Petrobras ON caía 2,35%, enquanto Petrobras PN recuava 2,10%.

Câmbio

Doze pregões depois de ter alcançado R$ 3,40, o dólar superou mais uma marca psicológica nesta quarta-feira deixando não só para trás o nível de R$ 3,50 como chegar a R$ 3,5156, maior nível em quase dois anos.

Em três dias, a alta já soma 2,90%, aumentando para 6,25% quando considerado o mês de abril. Em 2018, a moeda avança 5,8%.

Nesta quarta, o real volta a figurar entre as divisas de pior desempenho. Apenas rublo russo e peso colombiano caem mais. Porém, ainda que alinhado a seus pares, a pressão pega o real já em patamares mais baixos, o que piora seu desempenho relativo. Enquanto a taxa de câmbio opera nas mínimas em quase dois anos, uma cesta de divisas emergentes fora a brasileira oscila em seu ponto mais baixo em “apenas” quatro meses e meio.

Os motivos para esse desempenho são os mais variados, mas, segundo analistas, a combinação entre maior incerteza eleitoral e queda dos diferenciais de juros a mínimas históricas tem sido implacável. Contudo, se as dúvidas sobre as reformas econômicas se ampliam, do lado macro há menos elementos que justifiquem a rápida depreciação do câmbio doméstico.

A possibilidade de atuação do Banco Central (BC) na ponta de venda de moeda também é um fator que pode colocar freio na queda livre do real. Mesmo com a alta de 6% do dólar neste mês, o BC tem mantido apenas as ofertas de swaps para rolagem. Na semana passada, o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, disse que o Brasil tem colchões de liquidez e grandes reservas e que, se preciso, ofereceria tranquilidade aos mercados. “Intervenção no câmbio é uma ferramenta que podemos usar”, afirmou na ocasião.

De fato, os mais recentes números do fluxo cambial mostram mais entradas de dólares. Segundo dados divulgados hoje pelo BC, o saldo é superavitário em US$ 9,4 bilhões em abril, até dia 23. Pela conta financeira, em que são registrados investimentos em portfólio, por exemplo, a sobra de dólares já supera US$ 5 bilhões.

Outro sinal de que não tem havido saída de dólares do país é a posição dos estrangeiros em mercados de derivativos. A aposta comprada em dólar já se aproxima de US$ 22 bilhões, nos maiores níveis desde agosto de 2016. Os números endossam comentários de profissionais de que os não residentes não têm deixado o país, mas sim protegido aplicações em Bolsa e renda fixa, por exemplo, via câmbio, aproveitando-se da queda dos custos de posições compradas em dólar.

Essa queda se deve ao agressivo afrouxamento monetário conduzido pelo BC, que levou a Selic à mínima recorde de 6,50% ao ano – e que pode ser deixada para trás já no mês que vem, com nova baixa do juro.

Às 13h48, o dólar comercial subia 1,10%, a R$ 3,5061. O dólar para maio se apreciava 0,88%, a R$ 3,5055.

Juros

As taxas dos contratos de DI entram no período da tarde bem próximos das mínimas do dia, devolvendo boa parte do salto do começo do dia. De acordo com profissionais de mercado, uma onda de zeragem de posições já teria sido observada mais cedo, o que abriu espaço para novas aplicações.

O salto global do dólar e a nova rodada de elevação nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano bateu no mercado logo na abertura. As taxas logo foram para as máximas, com alta superior a 10 pontos-base em vencimentos mais longos. Esse teria sido o momento em que alguns participantes no mercado decidiram zerar suas posições nos juros futuros, principalmente nos trechos intermediários em diante.

Às 13h48, o DI janeiro/2019 marcava 6,255% (6,230% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 apontava 6,970% (6,920% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2021 tinha 7,980% (7,940% no ajuste anterior). O DI janeiro/2023 subia 9,260% (9,210% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 projetava 9,820% (9,780% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!