Ibovespa tenta retomar os 86 mil pontos; dólar ronda R$ 3,50 – Valor

SÃO PAULO  –  O Ibovespa entra na segunda etapa do pregão de olho no patamar dos 86 mil pontos. O índice é impulsionado pelo exterior, onde as bolsas operam em alta e o rendimento dos Treasuries oscila abaixo dos 3%, e por uma sequência de elementos corporativos, depois de balanços divulgados entre ontem e hoje.

Às 13h45, o Ibovespa subia 0,99%, aos 85.882 pontos, depois de ir à máxima nos 86.090 pontos. O giro financeiro era de R$ 3,6 bilhões.

Operadores citam que a bolsa segue barata do ponto de vista do estrangeiro, depois da recente valorização da moeda americana contra o real. Além disso, depois de oscilarem sem força nos últimos dias, os preços dos ativos ainda são atrativos ao investidor.

Ao mesmo tempo, porém, o cenário ainda é de falta de catalisadores que renovem a demanda a ponto de levar a bolsa acima da resistência em 86.165 pontos — o que mantém o mercado “travado” no nível dos 85 mil pontos. “O Ibovespa continua com o desafio de superar a resistência [no fechamento] para consolidar a alta”, diz o Itaú BBA, em relatório.

Entre os destaques do dia, o noticiário corporativo, em especial depois da divulgação de uma sequência de balanços, dá o tom dos negócios. A WEG (+4,15%) segue na liderança das altas, depois que o Itaú BBA elevou a recomendação e o preço-alvo das ações da companhia, citando o papel como um bom mecanismo de proteção contra a recente desvalorização do real e a instabilidade do mercado.

A Multiplan também figura entre os destaques, em alta de 3,71%, a segunda maior Ibovespa, depois que a companhia informou um crescimento de lucro de 80,6% no primeiro trimestre ante igual período há um ano. O balanço veio acima do esperado, segundo o Credit Suisse, e a receita e as vendas no conceito mesmas lojas foram os principais números, afirmou o Bradesco BBI.

Na ponta negativa, Estácio (-4,82%) lidera as quedas desde que a teleconferência com executivos da empresa sobre o resultado do primeiro trimestre desenhou um cenário mais negativo. Segundo um operador, a política de descontos em mensalidades para atrair novos alunos e a dificuldade na captação de estudantes preocuparam o investidor e forçaram uma redução de exposição ao papel hoje.

As units da Via Varejo (-4,55%) também seguem na segunda maior queda, na sequência da publicação do balanço na noite de ontem. O lucro líquido da empresa no primeiro trimestre caiu 26% ante igual período de 2017.

“O exterior está colaborando com a trégua hoje, mas o Ibovespa ainda não tem muito motivo para superar os 86 mil pontos, com o cenário eleitoral, principalmente, ainda sem clareza”, diz um operador.

O avanço da bolsa desta tarde é suportado pelo movimento de ações como Petrobras ON (+2,21%) e Petrobras PN (+2,30%), em dia de alta firme do petróleo no exterior, e Itaú Unibanco (+1,73%). Na outra ponta, Bradesco ON (-0,86%) e Bradesco PN (-0,84%) são os destaques negativos no setor bancário, depois que o balanço do trimestre mostrou dados favoráveis, mas sem surpresa.

Dólar

A taxa de câmbio do Brasil se desvaloriza hoje pelo sexto pregão consecutivo e renova o menor patamar em quase dois anos. A queda do real prossegue apesar do sinal melhor para algumas divisas emergentes no exterior, o que reforça o peso de fatores idiossincráticos na mais recente espiral de baixa que tem alvejado a moeda brasileira.

A moeda chegou a reduzir as perdas após declarações do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista exclusiva ao Valor. Ilan disse que está monitorando a desvalorização do real e que não permitirá dinâmica “perversa” no câmbio. Ele acrescentou que a autoridade monetária suavizará o movimento na taxa cambial quando for necessário. O presidente da instituição reiterou que o país possui reservas e swaps “confortáveis” para deixar o câmbio flutuar da melhor forma possível.

As declarações de Ilan vêm num momento em que o próprio governoavalia a depreciação cambial como um fator mais negativo do que positivo para a economia.

Ainda assim, o dólar segue em alta. Às 13h45, subia 0,22%, a R$ 3,4916. Na máxima, voltou a operar acima de R$ 3,50, batendo R$ 3,5073.

Apenas nesta semana, os ganhos do dólar já somam 2,46%. Em abril, vão a 5,81%, enquanto em 2018 a alta é de 5,48%. Em 12 meses, o dólar dispara 10,19%.

O real é destaque global de queda em todos esses intervalos de tempo. E essa persistente “underperformance” tem intrigado analistas aqui e lá fora e colocado em xeque previsões de uma taxa de câmbio abaixo de R$ 3,40 por dólar até o fim do ano.

Em estudo divulgado nesta quinta-feira, a economista do Bradesco Andréa Bastos Damico reconhece que a estimativa do banco de dólar a R$ 3,20 ao término de 2018 “está mais incerta”. Ela diz que a depreciação do real de R$ 3,30 para R$ 3,50, ao longo de abril, foi provocada mais por fatores locais, diferentemente da desvalorização que levou o câmbio à casa de R$ 3,30 (em fevereiro e março), quando o ambiente internacional se mostrou mais arisco e afetou moedas emergentes de forma geral.

“Ainda assim, a robustez das contas externas do País – evidenciada no elevado nível de reservas internacionais, no baixo estoque de swaps cambiais, no reduzido déficit em conta corrente e na significativa melhora na posição externa de muitas empresas – tende a limitar uma depreciação elevada nos próximos meses”, afirma a economista.

Juros

O mercado de juros futuros tenta escapar de uma nova rodada de valorização do dólar nesta quinta-feira, mas não encontra força para uma melhora mais expressiva. As taxas dos contratos de DI iniciam o período vespertino bem próximas da estabilidade, após darem sinais de que engatariam numa trajetória de queda mais cedo.

A cautela prevalece, principalmente, para as taxas com vencimentos mais longos. O quadro é desenhado pelas persistentes incertas no Brasil e ambiente externo mais duro, por causa das preocupações sobre o aperto monetário do Federal Reserve.

O DI janeiro/2019 marcava 6,250% (6,250% no ajuste anterior); DI janeiro/2020 apontava 6,960% (6,960% no ajuste anterior); DI janeiro/2021 registrava 7,960% (7,970% no ajuste anterior); DI janeiro/2023 projetava 9,250% (9,240% no ajuste anterior); e o DI janeiro/2025 marcava 9,810% (9,820% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!