Justiça manda livrar presidente da Gradual Investimentos da prisão – Valor

SÃO PAULO  –  A Justiça Federal determinou que a Penitenciária Feminina do Estado liberasse a presidente da Gradual Investimentos, Fernanda de Lima, por volta das 14h deste domingo. Apesar de ter curso superior e um alvará de soltura expedido a seu favor, ela ficou presa em uma cela comum da penitenciária, localizada na zona norte da cidade desde sexta-feira.

De acordo com o advogado da economista, Euro Bento Maciel Filho, ela foi transferida do prédio da Polícia Federal, na Lapa, onde cumpria uma prisão provisória no âmbito da Operação Encilhamento, deflagrada no dia 12 para investigar suspeitas de fraude contra sistemas de previdências municipais.

O marido de Fernanda e diretor da corretora, Gabriel Correa, também estava preso temporariamente no mesmo local. Mas foi solto na tarde de sexta, depois da entrega do alvará de soltura emitido um dia antes pelo juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara criminal da Justiça Federal.

Ainda segundo Euro, a Polícia Federal teria transferido Fernanda mesmo consciente da concessão da liminar no habeas corpus. Na Penitenciária Feminina, a não liberação da presa teria sido justificada, primeiro, por falta da equipe responsável e, depois, por ela ter duas anotações criminais, ambas relacionadas a crime contra honra, sendo uma como vítima.

“Não me conformo, isso é um abuso de autoridade”, afirmou Filho. “Além disso, nada justifica deixá-la em uma cela comum até quarta [2] por pura burocracia.”

Um outro ofício foi entregue à penitenciária ontem, mas a chance de ela sair ainda é remota, afirma Filho. A alegação desta vez seria a de questões burocráticas, que levariam a empresária a permanecer na cadeia até quarta.

Na opinião do advogado, isso é uma revanche pelo fato de a empresária não ter fechado acordo de delação premiada e ter “respondido a perguntas corretamente, e não o que a Polícia Federal queria ouvir”.

Procurada, a Penitenciária Feminina informou que recebeu um alvará de soltura referente a um processo na sexta, mas a empresária responde a mais dois processos para os quais foram solicitadas certidões, ainda sem resposta das varas correspondentes. “Assim que a pasta receber informações sobre os demais processos, não havendo empecilhos para o cumprimento do alvará, ela será posta em liberdade”, diz a nota.

A Polícia Federal, também consultada, não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Operação Encilhamento

As investigações da PF apontam indícios de que a Gradual tem ligação com empresas emissoras de debêntures sem lastro.

Além disso, no relatório em que autoriza os mandados de busca e prisão da operação, o juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, cita que documentos apreendidos na sede da Gradual indicam que Fernanda mantém recursos no exterior, “além de mencionar possíveis esquemas de lavagem de dinheiro a partir de interpostas pessoas com atuação em paraísos fiscais”.

Segundo a PF, os recolhimentos de servidores de 28 cidades em sete Estados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) eram aplicados em fundos que continham debêntures (títulos de dívida) sem lastro emitidas por empresas de fachada, em valor que pode ultrapassar R$ 1,3 bilhão.

Fonte Oficial: Valor.

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