Em 24h, aquisições anunciadas somam US$ 120 bilhões – Valor

NOVA YORK E LONDRES  –  A maré febril de aquisições acelerou nesta segunda-feira, quando diversas empresas confirmaram mais de US$ 120 bilhões em negócios, incluindo transações nos setores de telecomunicações, energia e varejo nos dois lados do Atlântico.

Um total de uma dúzia de transações acima de US$ 100 milhões foram anunciadas nesse período de 24 horas, somando-se ao recorde de negócios fechados em 2018, agora de US$ 1,7 trilhão, superando o ritmo das altas pré-crise financeira, segundo a Dealogic.

Consultores financeiros e jurídicos disseram que o rápido ritmo de fusões e aquisições deverá continuar, já que as empresas estão se sentindo animadas pelo crescimento econômico mundial, pelos altos preços das ações e pela contínua disponibilidade de empréstimos baratos.

Entre as fusões estão planos para criação da maior cadeia de supermercados do Reino Unido, com o anúncio formal da J Sainsbury de um negócio envolvendo dinheiro e ações para aquisição da Asda, da varejista americana Walmart, por US$ 10 bilhões, incluindo dívidas.

Enquanto isso, investidores reagiram negativamente a uma planejada aquisição da Sprint, operadora de telefonia móvel americana, por sua rival T-Mobile, por US$ 59 bilhões, anunciada no final do domingo, fazendo com que as ações das duas empresas caíssem drasticamente.

Assim como a fusão Sainsbury-Asda, o negócio visando formar o segundo maior grupo no setor sem fio nos EUA em número de clientes ressalta a disposição de grupos poderosos para promover uma consolidação agressiva em setores onde já há poucos atuantes.

Executivos envolvidos nas duas operações aproveitaram seus comunicados para apresentar às autoridades antitruste as razões pelas quais inovações tecnológicas e um leque mais amplo de concorrentes justificam a aprovação para suas fusões.

“Ainda há muito por fazer”, disse Lee LeBrun, diretor de fusões e aquisições da Rothschild na América do Norte. “A única coisa que vai impedir isso é um choque exógeno, ou um choque político, [um risco] que aumentou. Mas enquanto a música tocar, as pessoas continuarão dançando”.

LeBrun observou que o fluxo de negócios está se acelerando, apesar de um ambiente regulatório que permanece incerto sob o presidente Donald Trump, que mostrou disposição para impedir várias fusões usando ferramentas não utilizadas por seus antecessores.

A última onda de acordos incluiu a aquisição, pela Marathon Petroleum, do grupo rival de refino Andeavor, por US$ 36 bilhões, que deu aos acionistas da adquirida a opção de receber seu pagamento em ações ou dinheiro. A fusão, que criará uma gigante de refino nos EUA, é a maior do setor de energia desde que a GE negociou a compra da Baker Hughes em 2016.

Os altos preços das ações têm estimulado as empresas a usá-las como moeda numa proporção crescente de negócios. Quarenta por cento dos negócios fechados neste ano incluíram um componente de ações, ao passo que 14% envolveram exclusivamente ações, segundo a Dealogic. Isso levou as ofertas em dinheiro para o nível mais baixo em três anos.

“Apesar das possíveis guerras comerciais, o mercado acionário, embora volátil, continua forte, e esses preços mais altos das ações podem ser usados como moeda para aquisições e fusões de iguais”, disse John Bick, diretor global de prática corporativa da firma de advocacia Davis Polk. “E apesar de as taxas de juros terem subido, os juros de financiamentos continuam baixos [o suficiente] para as empresas tomarem dinheiro emprestado visando realizar aquisições significativas”.

Hernan Cristerna, codiretor de fusões e aquisições no JPMorgan, acrescentou: “Se você está em uma situção em que a empresa que você está adquirindo pode estar superfaturada, usar suas próprias ações é um grande equalizador para garantir que você não pague mais do que gostaria”.

Outras transações na segunda-feira incluíram a aquisição da empresa DCT, no setor imobiliário industrial, pelo grupo de armazéns Prologis por US$ 8,4 bilhões; o negócio de US$ 5,1 bilhões pelo qual a Marriott Vacations adquiriu a ILG, operadora em sistema de tempo compartilhado; e a aquisição da consultoria Financial Engines pela firma de private equity Hellman & Friedman. (Tradução de Sergio Blum)

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!