Ibovespa recua puxado por Itaú; dólar ronda R$ 3,55 – Valor

SÃO PAULO  –  O Ibovespa recua mais de 1% nesta quarta-feira e opera ao redor dos 85 mil pontos, influenciado pelo mau desempenho de Itaú Unibanco PN, que puxa o índice para baixo. Além disso, ajustes técnicos relacionados à volta do feriado e a expectativa quanto à decisão de política monetária nos EUA exercem pressão extra sobre o mercado acionário brasileiro.

Por volta de 13h50, o Ibovespa caía 1,60%, aos 84.739 pontos, após ter atingido a mínima aos 84.744 pontos (-1,59%). O giro financeiro do índice soma R$ 4,55 bilhões até o momento, o que implica num volume de R$ 10,2 bilhões ao fim do pregão.

O destaque individual é Itaú Unibanco PN, que recua 3,6%, a R$ 49,16 — na mínima, as ações caíram 3,71%. Os papéis apresentam o maior volume de negociações do Ibovespa até o momento, com R$ 558 milhões, ou 12,3% do giro do índice neste pregão. Apesar da queda de hoje, as ações do banco ainda acumula valorização de 20,4% no ano.

Em relatório, o Credit Suisse afirma que os resultados trimestrais do Itaú foram neutros e marginalmente negativos para as ações do banco. A instituição pondera que o lucro líquido ficou praticamente em linha com o consenso, apesar do resultado não recorrente da tesouraria e de uma baixa cobertura de novas provisões para perdas com crédito.

Ontem, o Itaú divulgou lucro recorrente de R$ 6,419 bilhões no primeiro trimestre de 2018, alta de 3,9% na base anual. A carteira de crédito expandida chegou a R$ 601,1 bilhões, avanço de 0,2% na mesma base de comparação. “Veio dentro da nossa expectativa”, diz Carlos Soares, analista de investimento da Magliano Corretora. “Nossa avaliação é de que se trata de uma realização pontual”.

Na esteira do desempenho das ações do Itaú, Itaúsa PN (-4,48%) apresenta a segunda maior queda do Ibovespa, com giro de R$ 206 milhões.

Outros papéis de peso importante no Ibovespa também operam no campo negativo, caso de Petrobras PN (-1,04%) e Petrobras ON (-0,2%). Analistas destacam que tais ações passam por um ajuste técnico na sessão de hoje, após as fortes quedas nos ADRs da estatal na bolsa de Nova York ontem — o mercado brasileiro estava fechado em função do feriado de 1º de maio.

Além disso, o clima de cautela antes da decisão monetária do Fed, às 15h, também pesa sobre os mercados globais e, consequentemente, sobre o Ibovespa. Nos EUA, os principais índices acionários operam em leve queda, assim como o EEM, ETF de mercados emergentes.

Na ponta positiva, destaque para CSN ON (+3,3%), a maior alta do Ibovespa, e Usiminas PNA (+0,92%), reagindo à notícia de que as siderúrgicas brasileiras deverão ganhar isenção definitiva da sobretaxa nas exportações de produtos semiacabados aos EUA, comprometendo-se com uma cota anual. Vale ON (+0,86%) também tem desempenho positivo hoje, puxado pela valorização de 2,4% no minério de ferro na China.

Dólar

Depois da escalada de 6% em abril, o dólar mantém vigor e começa maio em forte alta ante o real. Após a alta de 20 centavos ao longo do mês passado, a cotação chegou a avançar apenas hoje cerca de 5 centavos, acima de R$ 3,55, para máximas não vistas em quase dois anos. A ansiedade do mercado cresce à medida que se aproxima o momento em que o banco central americano anunciará sua decisão de taxa de juros nesta quarta-feira – menos pelo resultado e mais pela indicação sobre os próximos passos.

O “trigger” para a esticada desta quarta foi a geração mais forte de vagas de trabalho no setor privado, que elevam expectativas para os dados gerais do “payroll” de abril – a serem divulgados na sexta-feira. Mas o dólar já vem em trajetória ascendente há semanas, conforme investidores reduzem posições vendidas na moeda diante da percepção de que a política monetária americana caminha para ser apertada mais rapidamente do que em outros mercados.

Isso se reflete em reforço nas expectativas de altas de juros pelo Fed, o que torna os investimentos em dólar ainda mais atrativos comparados ao euro e iene e moedas emergentes.

No Brasil, os ganhos da moeda têm chamado especial atenção, principalmente se levando em conta a menor vulnerabilidade externa do país – o déficit em transações correntes está nas mínimas em uma década e as reservas internacionais somam mais de US$ 382 bilhões. E a alta de mais de 1% registrada hoje já aproxima a moeda de patamares previstos até então apenas nos piores cenários do mercado.

No pico desta sessão, o dólar alcançou R$ 3,5540, superando a estimativa máxima de analistas consultados para a pesquisa Focus do Banco Central (R$ 3,53) até o começo da semana passada. Na sondagem divulgada na última segunda-feira, esse prognóstico foi atualizado para R$ 3,56 – já sob riscos de ser deixado para trás.

“O mercado está querendo algum sinal do BC. O movimento do dólar pode ser global, mas, de novo, a gente sofre mais aqui”, diz Marcos Trabbold, gerente de câmbio da B&T Corretora. “O BC tem de dar algum sinal.”

Recentemente, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, lembrou que a autoridade monetária possui instrumentos para intervir no mercado em caso de necessidade. Ao Valor, Ilan chegou a dizer que a instituição evitará “dinâmica perversa” no câmbio e que atuará para suavizar movimentos, se preciso. As declarações, porém, não conseguiram interromper a espiral de baixa do real, que segundo membros do próprio governo pode atrapalhar a recuperação da economia.

Às 13h50, o dólar comercial subia 1,15%, a R$ 3,5430. No mercado futuro, a taxa do contrato com vencimento em junho ganhava 0,99%%, a R$ 3,5530, mas chegou a R$ 3,5650 na máxima intradiária.

Entre as principais moedas, o real ocupa a terceira pior posição no dia, atrás apenas de peso argentino e lira turca, que operam nas mínimas recordes, afetadas por questões idiossincráticas.

A força do dólar, porém, é generalizada. A moeda oscila na máxima desde janeiro contra o peso mexicano, desde dezembro de 2017 frente ao rand sul-africano, desde dezembro de 2016 ante o rublo russo e desde abril de 2017 na comparação com a coroa sueca.

Uma cesta de moedas emergentes cai ao menor valor em quatro meses e meio. E mesmo divisas consideradas fortes perdem terreno. O ICE U.S. Dollar Index – que mede o patamar do dólar ante euro, iene, entre outras – subia aos picos do ano.

Juros

O mercado de juros futuros não sai ileso da cautela que toma os ativos globais antes da decisão do Federal Reserve. As taxas dos contratos de DI voltam a subir nesta quarta-feira, principalmente, em vencimentos intermediários. No entanto, o salto é bem mais contido que a perda de outras classes de ativos.

De acordo com profissionais de mercado, os juros futuros já foram alvo de uma “limpeza” de posições quando a pressão externa passou a pesar nos ativos de risco. Isso significa que aplicações mais arriscadas foram zeradas e, agora, haveria um pouco mais de resiliência para enfrentar o vaivém lá de fora. “No receio (com o exterior), os players tomam um pouco de taxa, mas no geral o técnico do mercado está bem favorável”, diz o trader de uma corretora local.

O DI janeiro/2019 subia a 6,250% (6,225% no ajuste anterior); DI janeiro/2020 avançava a 7,020% (6,960% no ajuste anterior); DI janeiro/2021 tinha taxa de 8,020% (7,960% no ajuste anterior); DI janeiro/2023 avançava a 9,190% (9,160% no ajuste anterior); DI janeiro/2025 apontava 9,710% (9,690% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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