China lança campanha “emergencial” para impulsionar produção de soja – Exame

Esforços adicionais foram adotados em meio a uma disputa comercial em andamento com os Estados Unidos

Por Reuters

access_time 3 maio 2018, 11h49

Pequim – A China está adotando esforços adicionais para aumentar sua produção de soja neste ano, em meio a uma disputa comercial em andamento com os Estados Unidos que ameaça interromper as importações do país norte-americano, seu segundo maior fornecedor da commodity.

A China é o maior comprador e consumidor global de soja, com a maior parte do produto destinada à alimentação na pecuária. Mas Pequim tem ameaçado impor uma tarifa de 25 por cento sobre as importações de soja dos EUA, em retaliação a medidas comerciais tomadas por Washington.

Somente a ameaça sobre as tarifas já levou a um corte nas importações de soja dos EUA, o que elevou os preços de outros fornecedores, como o Brasil, e apoiou os preços também do farelo de soja, amplamente utilizado como ingrediente de ração para animais.

Autoridades nas províncias de Heilongjiang e Jilin se encontraram na semana passada para discutir ações para impulsionar o plantio de soja, segundo notícias no site dos governos locais.

Um documento que circula online e aparentemente foi publicado pelo governo da província de Heilongjiang pede por um plantio de 5 milhões de mu (333.333 hectares) adicionais com soja neste ano. O “aviso de emergência” também pediu que mais 200 milhões de mu sejam incluídos em um programa que prevê a rotação do milho com outras culturas, como a soja.

Não foi possível contato com a província de Heilongjiang para confirmar o documento, mas um aviso no site da cidade de Heihe fala em reuniões provincianas e em nível nacional para elevar o plantio de soja.

Segundo a nota, a cidade realizou um encontro na segunda-feira em que autoridades foram intimadas a implementar medidas para aumentar o plantio de soja.

Mas o novo plano provavelmente não oferecerá muito alívio para os compradores de soja. Um plantio adicional como o citado no documento elevaria a produção em cerca de 600 mil toneladas, estimou o analista da COFCO Futures, Yang Linqin.

A China deve importar 96 milhões de toneladas de soja em 2017/18, segundo dados oficiais, ante uma produção doméstica de 14,6 milhões de toneladas.

Mas os esforços de autoridades para elevar a produção doméstica evidenciam preocupações de Pequim sobre o impacto de eventuais tarifas.

“A política doméstica é (atualmente) reduzir o plantio de milho e aumentar o de soja, mas a divulgação desse aviso emergencial parece visar mais a guerra comercial”, disse Yang.

 

Fonte Oficial: Exame.

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