Cresce presso para governo explicar venda de aes do Banrisul – Jornal do Comércio

Cinco dias depois da venda na bolsa de valores de São Paulo de 2,9 milhões de ações ordinárias (com direito a voto) do Estado no Banrisul, a segunda operação em menos de um mês, cresce a pressão de entidades sindicais e parlamentares da oposição para cobrar explicações do governo de José Ivo Sartori (PMDB). As duas vendas somaram R$ 537,4 milhões – R$ 484,9 milhões na negociação de 26 milhões de ações preferenciais, em 10 de abril, e R$ 52,2 milhões na sexta-feira passada. Ontem, a Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público se reuniu para avaliar medidas.

O Ministério Público de Contas (MPC) também se movimenta e enviou ofício, na segunda-feira, à direção do banco solicitando esclarecimentos. O procurador-geral avalia o mesmo pedido a ser feito ao governo, que responde pela gestão e decisão de venda. Dando prazo de cinco dias, o procurador-geral da área, Geraldo Da Camino, solicitou informações, estudos e avaliações sobre os valores das vendas. Da Camino atende a pedidofeito peladeputada estadual Juliana Brizola (PDT) na segunda. Juliana pediu ainda à presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que seja feitaauditoria urgente das vendas e concedida uma liminar para suspender a transferência das ações aos compradores.

A direção do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre (Sindbancários) defendeu, na reunião da frente, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O grupo comsindicatos de trabalhadores e deputados decidiu, por enquanto, quevai enviar à Casa Civil do governo solicitação de esclarecimento sobre “aspectos nebulosos dos leilões dos papéis do banco estadual”. No fim da tarde de ontem, a frente se encontrou com o procurador-geral do MPC para reforçar a necessidade de medidas em relação aos procedimentos.

Entre os argumentos estão desde o fato de não ter havido divulgação prévia na última venda – na primeira ocorreu anúncio um dia antes –, impacto para a gestão do banco e condições de venda. Nas duas negociações, os valores mínimos ofertados, e que foram os finais dos negócios, estavam abaixo dos preços de fechamento anteriores ao dia dos leilões. O governo emitiu notas públicas nas duas datas de oferta e apontou a crise das finanças públicas como motivo para se desfazer das ações. Mesmo com a transferência dos papéis para investidores privados, o Estado mantém o controle do capital, exigência da legislação estadual.

Fonte Oficial: Jornal do Comércio.

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