Instabilidade cambial evidencia tensão em economias emergentes – Valor

SÃO PAULO  –  O peso argentino e a lira turca operam em forte baixa ante o dólar nesta quinta-feira (3), ilustrando mais um episódio de fraqueza que vem abatendo os ativos de mercados emergentes nas últimas semanas. Além de fatores locais, como alta da inflação e desequilíbrios em conta corrente e na área fiscal, os emergentes também vêm sofrendo à medida que o ciclo de normalização da política monetária dos Estados Unidos avança.

Esse movimento é expresso pela elevação dos rendimentos (“yields”) dos títulos do Tesouro americano, com o da T-note de 10 anos beirando os 3%, bem como pela valorização global do dólar.

Embora o Federal Reserve (Fed) ainda não tenha cravado quatro altas nos juros neste ano, acima das três elevações atualmente previstas, a inflação por lá tem ficado em torno da meta de 2%, como a própria autoridade monetária admitiu na quarta (2).

Na Argentina, a queda do peso forçou o Banco Central do país a realizar a segunda elevação extraordinária da taxa de juros, para 33,25% ao ano, totalizando alta de 6 pontos percentuais em menos de uma semana.

A medida veio após o dólar chegar à cotação de 22,29 pesos, no início da tarde desta quinta. O BC argentino também tem usado suas reservas internacionais para tentar conter a depreciação do peso. Ontem, a instituição vendeu US$ 504 milhões de suas reservas internacionais.

Turquia 

Na Turquia, a inflação ao consumidor em abril mostrou alta anual de 10,85%, para o maior nível do ano, além de superar a estimativa dos analistas, de avanço de 10,23% nesta comparação. Depois da divulgação do dado, a lira turca chegou à mínima de US$ 4,2445 para em seguida operar a US$ 4,2257, com recuo de cerca de 1,2%.

Na terça-feira (1º de maio), a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou o rating da dívida soberana da Turquia, que já estava em território “junk’, citando desequilíbrios macroeconômicos do país, principalmente a deterioração do déficit em conta corrente e fiscal. Em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 7,4%, enquanto a inflação tem se mantido consistentemente em dois dígitos.

Na segunda-feira (30 de abril), o BC turco elevou a projeção da inflação no país de 7,9% para 8,4% em 2018, e manteve a expectativa de alta de 6,5% em 2019, citando revisões para cima nas premissas para os preços do petróleo e depreciação da moeda. Na semana passada, a autoridade monetária elevou o teto dos juros na Turquia de 12,75% para 13,50%.

Indonésia

Na Indonésia, o fortalecimento global do dólar tem provocado, desde a semana passada, fortes saques de recursos da Bolsa de Jacarta. Hoje, a bolsa local registrou a terceira queda de ao menos 2,4%, depois de acumular baixa de 6,6% na semana passada, a mais intensa entre os principais índices acionários no mundo, de acordo com dados da FactSet. Foi também a pior semana da bolsa de Jacarta desde agosto de 2013, com saque de quase US$ 400 milhões por investidores estrangeiros.

Na semana passada, o Instituto Internacional de Finanças (IIF) informou que os países emergentes já sofreram a retirada de US$ 5,6 bilhões em ações e dívidas desde meados de abril, em reação à elevação nos rendimentos dos Treasuries.

Esses efeitos também são sentidos no Brasil, com a cotação do dólar estacionando em torno de novo patamar, a R$ 3,50.

No mês passado, a Rússia foi outro emergente que mostrou fraqueza em meio a uma série de sanções dos Estados Unidos contra os oligarcas mais influentes do país, também com forte impacto na cotação do rublo russo.

Fonte Oficial: Valor.

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