Bolsa avança com Petrobras e Vale; dólar está a R$ 3,68 antes de Copom – Valor

SÃO PAULO  –  O Ibovespa permanece em forte alta nesta quarta-feira, impulsionado pelo bom desempenho das blue chips, ações com mais liquidez, em especial Petrobras e Vale. As valorizações nesses papéis, combinado à recuperação de algumas ações que apresentaram quedas expressivas nos últimos dias, fazem com que o índice opere descolado das bolsas americanas, que apresentam altas mais modestas.

Por volta de 13h51, o Ibovespa avançava 1,66%, aos 86.539, após atingir a máxima aos 86.678 pontos (+1,82%). O giro financeiro do índice soma R$ 5,2 bilhões até o momento — mantido esse ritmo de negociações, o volume negociado ao fim do pregão deve superar R$ 10 bilhões.

O destaque fica, novamente, com as ações da Petrobras. Os papéis preferenciais subiam  2,65% enquanto os ordinários tinham alta de 2,17%. Vale ON também tem desempenho amplamente positivo, em alta de 2,20%.

Analistas destacam que, em linhas gerais, as ações reagem a um contexto amplamente favorável para ambas as empresas, fruto de uma combinação entre valorização nos preços das commodities e fortalecimento do dólar ante o real, beneficiando exportações.

O minério de ferro negociado em Qingdao, na China, acumula ganho de 4% neste mês, sendo negociado a US$ 68,03 a tonelada. Já o petróleo alcançou ontem novas máximas de três anos, com o WTI superando os US$ 71 e o Brent sendo negociado acima de US$ 78 o barril. Os agentes também estão no aguardo quanto à resolução das discussões envolvendo o contrato de cessão onerosa. 

A Comissão Interministerial sobre o assunto se reúne nesta tarde, um dia antes de acabar o prazo para que o grupo apresente suas conclusões sobre a revisão do contrato entre União e Petrobras. Mais cedo, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou que a comissão já encontrou a solução de vários problemas do contrato.

Na ponta oposta, destaque para Eletrobras ON (-2,66%) e Eletrobras PNB (-2,90%), reagindo à queda de 97,7% no lucro da companhia no primeiro trimestre, para R$ 31,8 milhões.

Câmbio

Numa quarta-feira de dólar com desempenho divergente no mundo, o real opera na ponta de baixa e lidera as quedas entre as principais moedas. O novo dia de fraco desempenho da divisa brasileira se dá em meio à expectativa pela sinalização de política monetária do Banco Central (BC), que deve anunciar no fim do dia queda da Selic a uma nova mínima histórica de 6,25% ao ano.

A baixa da meta Selic desde 2016 combinada com a alta dos juros nos Estados Unidos reduziu o diferencial de taxas a favor do Brasil a mínimas recordes. E esse menor spread – que na prática barateia o custo de posições vendidas em reais – tem sido apontado por analistas como um dos principais motores para a desvalorização da moeda brasileira, que se aprofundou à medida que o dólar passou a ganhar força em todo o mundo desde meados de abril.

Analistas do banco Brown Brothers Harriman consideram que o BC já cortou excessivamente o juro quando se leva em conta o crescente risco político doméstico. Portanto, será preciso uma indicação mais firme de fim do ciclo para tentar parar a espiral de queda do real.

Por volta das 14 horas, o dólar comercial subia 0,55%, a R$ 3,6820. Na máxima, foi a R$ 3,6885, depois de ficar em R$ 3,6625 na mínima.

No mercado futuro, o dólar para junho se apreciava 0,68%, a R$ 3,6830.

Juros

Uma postura mais cautelosa prevalece sobre o mercado de juros futuros a poucas horas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa majoritária é de que seja anunciado hoje o último corte da Selic no ciclo de flexibilização que começou em outubro de 2016. No entanto, as incertezas locais e externas pesam sobre as perspectivas e inibem estratégias mais claras para os ativos.

Os contratos de DI com vencimento mais curto são aqueles em queda. É justamente esse trecho que precifica os próximos passos na política monetária e, por ora, ainda se espera corte da Selic hoje, de 6,50% para nova mínima histórica de 6,25%. Ainda assim, a variação é bastante contida, já que convicção no cenário de juros baixos por mais tempo tem sido abalada pela alta do dólar.

Com o fim do ciclo de cortes da Selic após um movimento derradeiro hoje, o mercado financeiro deve deixar de atuar tanto nos vencimentos de curtíssimo prazo. 

As taxas ainda mais longas continuam em níveis elevados. O DI janeiro de 2025, por exemplo, se mantém com taxa de dois dígitos, a até 10,200% hoje (10,140% no ajuste anterior). Por volta das 14 horas, marcava 10,120%. De acordo com profissionais de mercado, as incertezas com a eleição no Brasil e os riscos em torno do ajuste fiscal evitam uma melhora do mercado.

Outros indicadores de percepção de risco também seguem elevados. De acordo com dados da Anbima, o juro real da NTN-B de longo prazo opera nos maiores níveis em cerca de 10 meses. O título com vencimento em 2055 fechou ontem com taxa de 5,4650%, o mais elevado desde que bateu 5,4900% em 14 de julho de 2017.

O DI janeiro/2019 caía a 6,325% (6,350% no ajuste anterior); o DI janeiro/2020 marcava 7,320% (7,350% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2021 operava a 8,450% (8,470% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 registrava 9,630% (9,670% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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