Juros futuros caem com chance de queda da Selic a 6,25% – Valor

SÃO PAULO  –  O mercado de juros se acomodou na última sessão antes da decisão de política monetária do Banco Central. O corte da meta Selic para nova mínima histórica, a 6,25% ao ano, ainda conta com 70% de chances. E a expectativa é de que venha um sinal claro da autoridade monetária sobre o fim do ciclo de flexibilização.

A despeito da inflação contida, a piora do quadro externo e a escalada do dólar chegou a desafiar o espaço para queda final da Selic. Na semana passada, a probabilidade chegou a flertar com 50%, bem abaixo dos mais de 90% no momento de maior otimismo há cerca de um mês.

O que ajudou a estabilizar as apostas foi o discurso do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, há uma semana, quando enfatizou a importância da inflação, expectativas para os índices de preços e a situação da atividade econômica para as decisões de juros, a despeito da instabilidade cambial.

E agora a comunicação da autoridade monetária volta ao centro das atenções, sendo esse o principal fator para direcionar as estratégias de curto prazo no mercado. Operadores apontam que um tom mais favorável a outros cortes não é esperado, podendo até desencadear uma nova rodada de depreciação do real.

“Eu acredito que termos uma sinalização clara de fim de ciclo e mercado vai começar a operar sobre quanto tempo os juros podem ficar baixos”, diz um operador. Atualmente, estão precificados cerca de 40 pontos-base de alta de juros em 2018. “Por causa da escalada do dólar, tem bastante prêmio nas taxas com vencimento até o fim do ano”, acrescenta o especialista.

Com o sinal mais claro em mão, o mercado financeiro deve deixar de atuar tanto nos vencimentos de curtíssimo prazo. Para o sócio e gestor na Leme Investimentos, Paulo Petrassi, a ideia a partir de agora é atuar em prazos intermediários e longos. No entanto, a incerteza eleitoral no Brasil e instabilidade no exterior deixam a estratégia com caráter mais cauteloso. “O centro está pulverizado e quem ganha espaço nas pesquisas tem uma postura menos favorável a reformas”, diz o especialista, ao citar o nome de Ciro Gomes (PDT).

As taxas ainda mais longas continuam em níveis elevados. O DI janeiro de 2025, por exemplo, se mantém com taxa de dois dígitos, a 10,110% hoje (10,140% no ajuste anterior). De acordo com profissionais de mercado, as incertezas com a eleição no Brasil e os riscos em torno do ajuste fiscal evitam uma melhora mais clara do mercado.

Outros indicadores de percepção de risco também seguem elevados. De acordo com dados da Anbima, o juro real da NTN-B de longo prazo opera nos maiores níveis em cerca de 10 meses. O título com vencimento em 2055 fechou ontem com taxa de 5,4650%, o mais elevado desde que bateu 5,4900% em 14 de julho de 2017.

A estratégia a ser adotada no mercado de renda fixa agora deve ser a “mais defensiva possível”, afirma o estrategista-chefe da Coinvalores, Paulo Nepomuceno. Para o mercado de juros, isso significa pouca exposição em vencimentos mais longos, a despeito do nível elevado das taxas atualmente.

A cautela decorre das incertezas com as eleições e o ambiente externo mais instável. “É difícil traçar com clareza um cenário-base, são muitas variáveis e todas trazem grande potencial de mudar os prêmios do mercado”, acrescenta o especialista. “Pouco dá para fazer em relação às eleições, pois ainda estamos sem saber quem são os reais protagonistas.”

Por volta das 16h, no fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 caía a 6,340% (de 6,350% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 marcava 7,340% (7,350% no ajuste anterior), o DI janeiro/2021 operava a 8,460% (8,470% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 registrava 9,630% (9,670% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 operava a 10,110% (10,140% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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