Dólar cai para R$ 3,70 e juros curtos cedem em resposta à ação do BC – Valor

SÃO PAULO  –  A queda do dólar e dos juros curtos nos primeiros negócios desta segunda-feira evidencia o efeito inicial da ação no Banco Central (BC) para acalmar os mercados. A moeda americana era negociada a R$ 3,7060 às 9h46, com baixa de 0,93%, conduzindo o real para o melhor desempenho diário entre as divisas globais.

O que ajuda os ativos brasileiros é a ação da autoridade monetária para reforçar a oferta de liquidez no mercado. Hoje, o BC vai disponibilizar até 15 mil novos contratos de swap cambial, o triplo do que vinha colocando diariamente na semana passada. A oferta líquida de dólares pode chegar a US$ 6,5 bilhões – mais que o dobro dos US$ 3 bilhões programados no modelo anterior.

Para o sócio e gestor da Paineiras Investimentos, David Cohen, o BC oferece liquidez e estabilidade ao mercado, sem passar o recado de que está colocando um teto no câmbio. “O BC sabe que o que o mercado quer hedge, dado o baixo custo histórico (para isso) e os riscos de uma eleição cada vez mais imprevisível”, diz o especialista.

Por outro lado, o BC não está atuando de forma agressiva demais. “Dado o contexto de força global do dólar, isso apenas chamaria players que tem posição em outros emergentes a fazer hedge aqui no Brasil”, diz Cohen. Caso atuasse de forma muito mais dura, o BC poderia causar alguma distorção. “Não acho que é o caso, no momento”, acrescenta.

O sinal do câmbio no Brasil vai na contramão de outros emergentes num dia de alta moderada do dólar nas praças internacionais.

A trégua no dólar também é acompanhada nos juros futuros de curto prazo, enquanto os mais longos oscilam sem direção clara. No comunicado de sexta-feira passada sobre swaps cambiais, o BC buscou dissociar a política monetária de sua atuação no câmbio e destacou que não há relação “mecânica” com o cenário externo. Os efeitos, segundo a instituição, tendem a ser mitigados pelo grau de ociosidade na economia brasileira e pelas expectativas e projeções de inflação ancoradas nas metas.

O que o BC tenta deixar claro é que uma piora no exterior não necessariamente levaria à elevação da Selic no curto prazo, preocupação que cresceu no mercado nos últimos dias após a surpresa com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter os juros em 6,50%. Com o comunicado de sexta-feira, de acordo com profissionais de mercado, a autoridade monetária também antecipa o tom da ata do Copom, que será divulgada na terça-feira.

O DI janeiro/2019 cedia a 6,625% (6,685% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 recuava a 7,660% (7,760% no ajuste anterior), enquanto o DI janeiro/2021 cedia a 8,840% (8,920% no ajuste anterior).

Por outro lado, a trégua é apenas moderada nas taxas mais longas: DI janeiro/2023 caia a 10,120% (10,150% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 recuava a 10,620% (10,650% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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