Dólar recua após ação do BC; Ibovespa contraria exterior e cai – Valor

SÃO PAULO  –  Após iniciar o dia em alta, o Ibovespa inverteu seu comportamento e passou ao campo negativo, com os investidores focados no vencimento de opções sobre ações — o prazo terminou às 13h.

Por volta de 13h40, o índice operava em queda de 1,25%, aos 82.046 pontos. Na mínima do dia, chegou a atingir os 82.011 pontos mas, na máxima, foi aos 83.883 pontos (+0,96%). O giro financeiro do Ibovespa soma R$ 3,77 bilhões até o momento, o que implica num volume superior a R$ 10 bilhões ao fim do pregão, caso o ritmo de negociações seja mantido.

O desempenho do Ibovespa até o momento contrasta com o das bolsas americanas e dos mercados locais de câmbio e juros, que têm um dia de maior otimismo e pressões reduzidas. Lá fora, as menores tensões em relação às disputas comerciais entre EUA e China impulsionam os índices acionários americanos, que permanecem no campo positivo desde o início do dia.

Por aqui, a atuação do BC para conter a escalada do dólar trouxe alívio aos investidores, fazendo com que a moeda americana opere ao redor de R$ 3,70 ao longo da sessão. Segundo um operador, o Ibovespa poderá apresentar uma tendência mais clara após às 13h — até lá, o mercado deve continuar focado nos vencimentos.

Nesse contexto, Petrobras PN (+1,4%) e Petrobras ON (+0,73%) destacam-se no campo positivo — nesta manhã, a estatal anunciou uma oferta de recompra de até US$ 4 bilhões em 11 bônus externos.

Por outro lado, Itaú Unibanco PN (-1,17%), Bradesco PN (-0,51%) e Banco do Brasil ON (-0,86%) pressionam o índice. Já Vale ON (-2,14%) tem a terceira maior perda do Ibovespa, em meio à queda de 2,4% no preço do minério de ferro negociado em Qingdao, o terceiro recuo consecutivo na commodity.

Na ponta positiva, destaque para o setor de varejo: Magazine Luiza ON (+4,89%) e B2W ON (+2,9%) apresentam os melhores desempenhos do Ibovespa. No lado oposto, Braskem PNA (-2,84%) e Ultrapar ON (-2,38%) lideram as perdas.

Dólar

O Banco Central finalmente conseguiu tirar os “comprados” em dólar da zona de conforto, o que ajuda a explicar a queda da moeda americana nesta segunda-feira, a primeira depois de seis pregões consecutivos de ganhos.

O mercado ainda discute a duração no alívio do câmbio. Para Ilya Gofshteyn, estrategista do banco Standard Chartered em Nova York, foi importante o BC dar um sinal mais firme, e isso reforça cenários de posições favoráveis ao real, num cenário em que divisas emergentes de forma geral parecem mais fracas que o justificado pelos fundamentos.

Outras moedas emergentes e de risco mostram bom desempenho. Mas a brasileira lidera a lista de altas nos mercados globais, invertendo as posições dos últimos dias, sempre entre as piores da sessão.

Às 13h40, o dólar comercial caía 0,59%, a R$ 3,7190. Mais cedo, a desvalorização chegou a ser mais intensa. A cotação bateu uma mínima de R$ 3,6950, em baixa de 1,23% – queda mais forte desde a depreciação de 1,46% do último dia 10.

O desempenho do real é ainda melhor quando comparado a um conjunto de divisas emergentes, o que evidencia o destaque da moeda brasileira. Ante um conjunto de 11 divisas desse grupo, a taxa de câmbio ganhava cerca de 0,9%, no melhor dia desde o último dia 6 de março, quando o real subiu cerca de 1%.

O elemento “novo” de hoje foi o reforço na atuação do Banco Central. E não apenas o aumento da oferta de swaps cambial de 5 mil para 15 mil tem feito preço. Em comunicado em seu site, o BC deixou claro que poderá fazer intervenções “discricionárias”, em caso de necessidade.

Ou seja, o BC passou o recado de que tem arsenal e poderá disponibilizar ainda contratos de swap se necessário.

A elevação das ofertas de “hedge” cambial e também do tom do BC era uma demanda do mercado que se fortaleceu ao longo da semana passada, quando o dólar seguiu em forte alta a despeito da surpresa com a manutenção da meta Selic estável em 6,50% ao ano.

Hoje, o Banco Central vendeu todos os 4.225 contratos de swap cambial ofertados em operação de rolagem do vencimento junho. Mais cedo, havia colocado todos os 15 mil “novos” contratos de swap disponibilizados ao mercado, o triplo dos lotes da semana passada.

O lote de swaps a vencer em junho soma US$ 5,65 bilhões. O volume total de swaps no mercado já está em US$ 25,798 bilhões, US$ 2 bilhões a mais do que no começo do mês.

O aumento do estoque é resultado dos cinco leilões de 5 mil contratos “novos” de swap cambial realizados na semana passada e da colocação de 15 mil feita hoje, já dentro do aumento das ofertas anunciado no fim da semana passada.

A expectativa é que, até o fim do mês, o estoque de swaps seja elevado para US$ 30,298 bilhões.

Juros

A disparada dos juros de curto prazo é interrompida nesta segunda-feira, numa resposta relativamente positiva à ação do Banco Central para acalmar o nervosismo no mercado.

O contrato de DI para janeiro de 2019 volta a cair após salta quase 40 pontos em dois dias. A baixa, entretanto, é de apenas 5 pontos, a 6,640%.

O DI janeiro/2019 caia a 6,640% (6,685% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 recuava a 7,660% (7,760% no ajuste anterior), enquanto o DI janeiro/2021 cedia a 8,890% (8,920% no ajuste anterior).

Por outro lado, os juros mais longos sobem: DI janeiro/2023 avança a 10,270% (10,150% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 tinha alta a 10,810% (10,650% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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