Juros futuros de curto prazo recuam com ação do BC para conter dólar – Valor

SÃO PAULO  –  O mercado de juros não conseguiu escapar de mais uma rodada de instabilidade, a despeito do esforço do Banco Central para acalmar o nervosismo dos investidores. As taxas futuras de longo prazo até devolveram, no fim do dia, parte do avanço das últimas sessões. Essa melhora, entretanto, só veio depois de novo solavanco.

O contrato de DI para janeiro de 2023 percorreu 38 pontos-base da máxima (10,390%) à mínima (10,010%) no dia, terminando a sessão regular em baixa de 7 pontos a 10,080%. Essa amplitude, que é observada desde quinta-feira (17), é comparável apenas à turbulência de um ano atrás quando as delações da JBS abalaram o governo de Michel Temer.

A volatilidade é tamanha que o sistema de negociação de compras de títulos públicos pela internet, o Tesouro Direto, foi suspenso pelo segundo dia consecutivo. A paralisação ocorreu por cerca de uma hora, no fim da manhã desta segunda-feira (21), depois de perdurar durante boa parte da última sexta-feira (18).

Operadores apontam que uma postura mais defensiva no mercado, com troca de posições, ainda inibe uma trégua mais clara nos juros longos. “Ainda há uma busca por novos pontos de equilíbrio no mercado após a surpresa com a decisão de juros do Banco Central na semana passada”, diz o profissional de uma corretora bastante ativa no segmento. Até por isso, a expectativa é de que o mercado trabalhe com posições menores ou concentradas apenas no giro do dia.

Diante desse vaivém, não se descarta uma intervenção do Tesouro Nacional no mercado de renda fixa, que viria em paralelo a estratégia — já reforçada — do BC de injetar liquidez no sistema via swap cambial. Não seria a primeira vez que as instituições atuam juntas para atenuar a turbulência no mercado. Há um ano, enquanto o BC ofertava novos contratos de swap, o Tesouro fez leilões extraordinários de compra e venda de títulos com o objetivo de fornecer parâmetros de referência de preços.

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, disse nesta segunda-feira que o Tesouro Nacional e o Banco Central continuam monitorando os movimentos do mercado e seus efeitos para agir em conjunto em relação às turbulências no mercado de câmbio e no mercado financeiro. O colchão de liquidez do Tesouro Nacional está acima de R$ 600 bilhões, destacou o ministro. “Temos instrumentos e podemos atuar em conjunto com BC para deter a volatilidade.”

Na sexta-feira passada, o BC tentou acalmar o mercado ao anunciar estratégia reforçada para conter a instabilidade no câmbio via injeção de liquidez. No comunicado, o BC buscou dissociar a política monetária de sua atuação no câmbio e destacou que não há relação “mecânica” com o cenário externo, dando o tom que deve prevalecer na ata do Copom nesta terça-feira (22). Os efeitos, segundo a instituição, tendem a ser mitigados pelo grau de ociosidade na economia brasileira e pelas expectativas e projeções de inflação ancoradas nas metas.

A postura do BC até ajudou a conter a disparada dos juros de curto prazo. O contrato de DI para janeiro de 2019 voltou a cair após saltar quase 40 pontos em dois dias. A baixa nesta segunda-feira, entretanto, foi de apenas 5,5 pontos, a 6,630%.

Para Juan Jensen, sócio da 4E, o mercado deve continuar nervoso, mesmo se o Banco Central melhorar sua comunicação. Isso porque o quadro externo está mais adverso e a cena local é pressionada pelas dúvidas com eleição e ajuste fiscal. Ainda assim, ele acredita que a Selic só deve subir no ano que vem. “Não podemos ter uma leitura de que, se o câmbio piorar, o BC vai ter de combater esse efeito (…) só vamos ter alta mais para frente.”

A expectativa para a ata do Copom, nesta terça-feira, é de que o colegiado se concentre na necessidade de reformas estruturais no Brasil e na piora do ambiente externo, diz o sócio e gestor na Leme Investimentos, Paulo Petrassi. Por outro lado, a instituição deve reforçar o espaço para manter juros baixos por algum tempo, já que a inflação segue contida e, o crescimento, mais lento que o esperado. “A probabilidade é pequena de uma alta de juros neste ano, apesar de algumas apostas no mercado”, diz.

Às 16h, no fim da sessão regular, o DI janeiro/2019 caiu a 6,630% (6,685% no ajuste anterior), o DI janeiro/2020 recuou a 7,670% (7,760% no ajuste anterior), o DI janeiro/2021 caiu a 8,810% (8,920% no ajuste anterior), o DI janeiro/2023 baixou a 10,080% (10,150% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 recuou a 10,600% (10,650% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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