Petrobras enfrenta 1º teste político com debate sobre combustíveis – Valor

SÃO PAULO  –  Em um momento em que os investidores tentam medir qual será o efeito das eleições sobre a bolsa, as ações da Petrobras enfrentam hoje seu primeiro teste político com o debate sobre mudanças nos preços dos combustíveis no Brasil. Diante das preocupações com uma possível interferência do governo na questão, o investidor penaliza hoje as ações da companhia, e operadores notam que o prêmio de risco já cresceu.

A Petrobras enfrentou dois movimentos recentes que explicam o forte giro do papel — e que levou o próprio Ibovespa a ter, em maio até ontem, o maior volume financeiro médio de 2018. Num primeiro momento, no começo do mês, houve forte procura por Petrobras, depois dos resultados surpreendentes do primeiro trimestre, com a alta do petróleo e com o anúncio de pagamento de dividendos.

Mas, agora, o que predomina entre os investidores é menos as perspectivas positivas em termos de fundamentos e mais os riscos políticos, que começam a tomar forma. Com forte apelo eleitoral, o governo ameaçou intervir na definição dos preços dos combustíveis, que hoje seguem a paridade internacional e são reajustados quase diariamente pela Petrobras.

“Infelizmente nossos políticos ainda não compreendem que só a menção da possibilidade de intervenção estatal faz com que os investidores aumentem o prêmio de risco dos ativos”, afirma um gestor de um fundo paulista, que prefere não ser identificado.

No mês de maio, o giro médio de Petrobras PN, que é mais líquida no mercado local, já é de R$ 1,8 bilhão, acima da média diária negociada de janeiro a abril e, inclusive, do ano. O movimento foi crucial para o Ibovespa, cujo giro médio diário em maio já se aproxima dos R$ 11 bilhões, superior aos R$ 8,8 bilhões de giro em 2018. Em maio, Petrobras PN ainda sobe 8,15%, enquanto o Ibovespa cai 3,62%.

A resiliência da Petrobras se dá porque, apesar dos riscos políticos começarem a ganhar força para os gestores, a companhia está se saindo bem na tarefa de sinalizar que vem fazendo o dever de casa. Após reunião com membros do governo sobre os reajustes de preços, o presidente da estatal, Pedro Parente, disse que não houve solicitação para alterar a atual política.

“No médio prazo, a Petrobras ainda é uma boa oportunidade, apesar do nervosismo do mercado estar crescendo”, diz o gestor.

Às 16h20, a Petrobras ON operava em queda de 0,78%, enquanto a PN sobe 0,33%. O Ibovespa sobe 1,82%, aos 83.307 pontos.

Fonte Oficial: Valor.

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