Agências de rating alertam para influência do governo na Petrobras – Valor

SÃO PAULO  –  O rating da Petrobras — atualmente em ‘BB-‘ não é imediatamente afetado pelo anúncio da companhia em reduzir 10% o preço médio do diesel em suas refinarias e mantê-lo inalterado por 15 dias, afirmou a S&P Global Rating.

“Não esperamos impactos financeiros significativos com essa decisão. No entanto, o anúncio levanta preocupações sobre a sustentabilidade no longo prazo da política de preços de combustível da companhia”, ressaltou a agência de classificação de risco .

Como a S&P já havia indicado anteriormente, a manutenção da paridade internacional dos preços de combustível foi uma melhora muito importante para a governança da estatal, fortalecendo a geração de fluxo de caixa e ajudando a companhia a reconstruir sua reputação no mercado.

“No entanto, nós reconhecemos que o controle do governo na Petrobras e a considerável posição de mercado da companhia no sistema de refinaria do Brasil pode expor a empresa a influências políticas, especialmente diante de cenários de forte alta do petróleo, movimentações da taxa de câmbio e mudanças no governo”, afirmou a S&P.

A agência reconhece ainda que a Petrobras tomou importantes medidas para mitigar os riscos para os preços de combustível, incluindo uma composição mais independente do conselho de administração e um maior foco em lucratividade.

Por outro lado, a S&P se diz preocupada com a sustentabilidade da política de preços no longo prazo, sob um ambiente de forte volatilidade ou com uma nova diretoria após a eleição para Presidência da República no fim deste ano.

Fitch

Já a agência de classificação de risco Fitch acredita que as interrupções no abastecimento de produtos importantes e a paralisação da atividade econômica no Brasil diante da proximidade das eleições podem levar a novas reduções no preço do combustível — e por um período mais longo que o anunciado pela Petrobras, de 15 dias.

Sobre essa decisão, a Fitch ressalta a contínua habilidade que o governo brasileiro tem em influenciar as decisões e políticas da Petrobras com interesses políticos.

“A nossa classificação de rating para a Petrobras já incorpora os riscos associados ao controle pelo governo brasileiro e equaliza o rating da companhia com o do governo, em ‘BB-‘”, diz a Fitch. O governo detém atualmente 63,6% de participação no capital votante da Petrobras e 47,6% do capital total.

A Fitch considera a política de preços de combustível adotada pela Petrobras — que segue a paridade internacional — como positiva, uma vez que a estratégia aumentou a previsibilidade da geração de caixa e adicionou transparência para os investidores. Além disso, a política melhorou significativamente a lucratividade da companhia em comparação à época quando as decisões operacionais eram mais influenciadas pelo governo.

A Petrobras já elevou os preços de gasolina e diesel em 17% e 16%, respectivamente, em resposta à depreciação do real e ao aumento ao preço internacional do petróleo.

“Sob o cenário atual, assumindo que a Petrobras vai retomar gradualmente sua política de preços, as perdas estimadas pela empresa — de US$ 100 milhões durante o período de 15 dias — representa menos de 0,5% da nossa projeção de Ebitda para a companhia em 2018, de US$ 26 bilhões”, afirmou a Fitch.

Além disso, a agência diz que a decisão não muda suas estimativas de alavancagem para a estatal em 2018, de 3,5 vezes.

A Fitch diz também que a greve dos caminhoneiros aumentou as preocupações sobre a habilidade de abastecimento das companhias no Brasil, assim como sobre as exportações em setores importantes, como a agricultura.

Fonte Oficial: Valor.

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