Economia terá que pegar tração novamente, diz presidente do Bradesco – Valor

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 13h02) A economia brasileira estava subindo uma montanha e, com os acontecimentos dos últimos dias, com a greve dos caminhoneiros, será necessário pegar tração novamente, afirmou o presidente do Bradesco, Octávio de Lazari. “A gente estava entrando em uma trilha de crescimento pálido, tímido, mas estava caminhando para frente. Escorregamos e voltamos para trás. Agora vai demorar um pouquinho, porque temos de pegar tração na subida”, disse, em apresentação no Brasil Investment Forum, na capital paulista.

O executivo afirmou que o país vinha superando a maior crise dos últimos 30 anos, controlou a inflação sem artificialismos e estava com um plano de ajuste em pleno andamento. “O Brasil não merecia estar passando pelo que está passando”, disse, acrescentando não se lembrar de outro momento em que o país tenha sido capaz de trazer as estruturas básicas “tão rapidamente” para aquilo que deveriam ser. Para Lazari, bancos, indústria e governo vão agora buscar a volta da normalidade.

O presidente do Bradesco disse que um aspecto animador é que está havendo uma retomada do crédito a pessoa física em linhas como consignado, veículos e imobiliário, que têm juros e risco baixos e movimentam a economia. “Esse é um sinal importante do que a gente estava vivendo e deve se repetir nos próximos trimestres”, disse.

De acordo com Lazari, o impacto da greve dos caminhoneiros na atividade bancária é limitado por enquanto. O executivo lembrou que 90% das transações hoje são feitas por canais digitais (internet banking ou celulares), o que reduz a necessidade de ir a uma agência. “Esse impacto não está sendo sentido, pelo menos por enquanto”, disse. Ele afirmou que as empresas que fazem transporte de numerário têm abastecimento próprio, o que também tem ajudado a limitar o impacto.

O executivo afirmou esperar que até amanhã, no máximo, a situação esteja contornada. No início do mês, lembrou ele, muitas empresas pagam salário a seus funcionários, mas a expectativa é que as dificuldades tenham sido superadas até lá.

Para Lazari, o investidor estrangeiro tem um “olhar muito positivo” sobre o Brasil e deve continuar assim, “passado esse momento mais nervoso”. O executivo afirmou que questões relativas a outros mercados emergentes afetam o Brasil, mas ponderou que o país está “muito bem posicionado” e deve receber investimentos.

Taxa de juros

Durante o evento, o presidente do Bradesco afirmou também que “não se pode ter essa visão pequena” do que é a indústria financeira quando se fala em taxa de juros. Segundo ele, a discussão não pode se limitar a cartões de crédito e cheque especial, que têm características próprias e não são o crédito produtivo. “São apenas exceção”, disse.

Lazari afirmou que o cheque especial é “irrelevante” no balanço de qualquer banco, representando menos de 1% da carteira de crédito. De acordo com ele, num levantamento com seis países, a taxa do cheque especial no Brasil só não é menor que a da França. “Cartão de crédito e cheque especial não são muito referência. Não são o que gera o crédito produtivo e emprego”, afirmou.

De qualquer forma, Lazari lembrou que as duas modalidades estão passando por mudanças. No caso dos cartões, foram adotadas novas regras para o rotativo. No cheque especial, entra em vigor em julho uma autorregulação limitando a permanência dos clientes.

 

O presidente do Bradesco disse ainda que os spreads no crédito a grandes empresas são baixos, de até 2%, e que em diversas linhas de pessoa física também não é alta.

Fonte Oficial: Valor.

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