Maioria dos seguros de carga não cobre greve, diz especialista – Valor

SÃO PAULO  –  A cobertura adicional para dano ou perda de mercadoria por conta de greves ou tumultos costuma ser contratada apenas por empresas multinacionais, afirma Artur Santos, professor da Escola Nacional de Seguros Privados (ENS).

“No universo total de donos de cargas que compram seguros bem menos da metade adquire esse tipo de cobertura”, diz o especialista, que também é sócio da corretora e consultoria de gestão de riscos para transportes Pamcary. A grande maioria de quem contrata os serviços de transporte “são pequenos e médios embarcadores e esses não compram”.

Segundo Santos, ainda que a empresa tenha contratado o adicional para greves e tumultos, a perda ou dano decorrente de atrasos na entrega não faz parte da cobertura. “Na situação prática, se a mercadoria perecível se perdeu porque não chegou a destino por conta do atraso causado da greve isso não estaria coberto”, considera.

Conforme o professor da ENS, a cobertura adicional cobre apenas o ato praticado pelo grevista, que cause danos diretos à carga. “Se o caminhão foi arrombado por manifestantes, por exemplo, esse tipo de evento estaria coberto”. Mas, no caso de o veículo de transporte ter ficado impedido de seguir viagem, o prejuízo vai ser arcado pelo dono da carga.

De acordo com Santos, existem dois tipos de seguros para cobrir mercadorias transportadas. A apólice contratada pela transportadora é um seguro obrigatório de responsabilidade civil que costuma proteger contra acidentes, roubos ou eventos com impacto direto sobre o veículo e o motorista. O outro tipo é o seguro de transporte, contratado pelo dono da carga.

Santos acredita que a greve dos caminhoneiros deve impulsionar a procura por apólices com proteção adicional contra greves e tumultos. “Mas as seguradoras teriam de incluir uma cláusula especial para prever a cobertura para danos decorrentes de atrasos”, afirma.

No caso dos prêmios, o especialista acredita que não haverá aumento. “As cargas perecíveis são minoria entre as cargas transportadas e, mesmo assim, nem todas as mercadorias mais sensíveis tiveram esse tipo de problema.”

Fonte Oficial: Valor.

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