Odebrecht nomeia Ruy Sampaio para presidir conselho de administração – Valor

SÃO PAULO  –  A Odebrecht S.A. informou em comunicado, no início da noite desta sexta-feira, a nomeação de Ruy Sampaio como presidente do conselho de administração do grupo, em substituição à Emílio Odebrecht (foto). O anúncio faz parte de uma mudança quase completa no colegiado da holding da companhia.

A possibilidade de nomeação de Sampaio foi antecipada pelo Valor em abril, como uma alternativa de Emílio à indicação de Newton de Souza, que sofria resistências internas de parte do comando. O executivo era alvo também de Marcelo Odebrecht, que vinha fazendo fortes críticas a ele, bem como a outros funcionários da holding, como seu cunhado, Maurício Ferro, diretor jurídico.

Marcelo, que está em prisão domiciliar desde 19 de dezembro e tem ainda compromissos de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF),  alertava em e-mails a executivos da companhia, inclusive ao presidente executivo, Luciano Guidolin, que Souza e Ferro tinham conhecimentos de atos ilícitos da companhia. Os dois ficaram de fora do grupo de 78 executivos que fizeram delação.

A saída de Emílio Odebrecht do conselho já era prevista pelo acordo de delação premiada. Em dezembro ele informou em carta que no fim de abril deixaria o conselho, nomeando novo presidente e novos conselheiros. Souza, que ocupava a vice-presidência do colegiado, era seu candidato preferido. O plano era fazer uma renovação grande, deixando apenas dois dos oito integrantes. 

Com as seguidas denúncias de Marcelo, mesmo depois de assinar um comunicado conjunto de trégua com seu pai, com quem as relações estão estremecidas desde sua prisão em 2015,  a imagem de Souza foi se desgastando e o patriarca do grupo começou a encontrar dificuldades para compor o conselho. A intenção era que tivesse nove membros, a maioria de independentes. Agora ficou com seis – um terço a menos.

Ao mesmo tempo, a direção do grupo buscava, em negociações com seus principais credores, amenizar sua situação financeira. A conclusão das negociações só saiu na semana passada, com os bancos Bradesco e Itaú concedendo empréstimo de R$ 2,6 bilhões. Ações excedentes da Braskem foram dadas em garantia.

Com 68 anos de idade e funcionário do grupo desde 1985, Sampaio já foi tesoureiro, diretor de finanças internacionais e diretor de investimentos da Odebrecht S.A.. Atualmente, presidia a Kieppe Participações, holding da família Odebrecht, que tem pouco mais de 60% da Odebrecht Investimentos (Odbinv), controladora da companhia. Esse percentual não considera os 20% da família Gradin que estão em discussão judicial.

Além de Sampaio, também foram nomeados para o colegiado Ieda Gomes Yell, Jorge Marques Toledo Camargo, Cledorvino Belini (ex-presidente da Fiat no Brasil) e Roberto Faldini. Da antiga formação, apenas Sergio Foguel, do grupo de executivos que trabalhou com Emílio, permanece como conselheiro.

“Uma das principais missões do novo conselho de administração da Odebrecht S. A. será estimular as empresas líderes de negócio do grupo a ter sócios, preferencialmente via abertura de capital em bolsa de valores. Adicionalmente, focará na continuidade da revisão das políticas da companhia, na manutenção da unidade cultural, no processo de sucessão, na indicação de maior presença de conselheiros independentes para todas as suas empresas controladas, e na disciplina da governança e do sistema de conformidade”, afirma a companhia, em nota.

O comunicado faz elogios aos conselheiros que estão de saída, com destaque para Souza, que “exerceu papel decisivo” desde que os efeitos da Operação Lava-Jato o levaram a assumir, em 2015, a liderança da gestão da companhia, no lugar de Marcelo Odebrecht. Ficou até maio de 2017, quando Guidolin foi nomeado ao cargo. Desde antão, assumiu a vice-presidência do conselho.

“Newton de Souza completou um ciclo de 30 anos de contribuição ao Grupo Odebrecht, sendo que liderou a Odebrecht S.A. de junho de 2015 a maio de 2017 como CEO durante sua pior crise”, afirma o documento.  A companhia não detalha o futuro de Souza, mas informações dão conta de que ele deixará a companhia, assim como Adriano Maia, atualmente advogado da Odebrecht Engenharia e Construção.

Fonte Oficial: Valor.

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