Investidor segue na defensiva após semana tensa nos mercados – Valor

SÃO PAULO  –  Os mercados fecharam a semana com uma maior sensação de alívio, mas o investidor não saiu da posição defensiva. Depois que o Banco Central (BC) anunciou a colocação de US$ 20 bilhões em contratos de swap cambial no mercado, diminuiu a pressão sobre o dólar, os juros e, com mais atraso, a Bolsa. Mesmo assim, o estrago gerado pelos receios no campo político e econômico foi grande: as companhias do Ibovespa fecharam na sexta-feira valendo R$ 131,5 bilhões a menos do que no começo da semana, e o índice acumulou queda de 5,56%. Na sexta, a Bolsa caiu 1,23%, para 72.942 pontos.

No câmbio, a ação do BC deu mais resultado: um dia depois de saltar mais de 3% e de se aproximar de R$ 4, o dólar teve a maior desvalorização em uma década. Na sexta, caiu 5,50%, cotado a R$ 3,7074, mais de R$ 0,20 abaixo da taxa da véspera, quando foi a R$ 3,9233 — maior nível desde 1  de março de 2016. A atuação do BC levou o real a reverter todas as perdas da semana e do mês, valorizando 1,56% e 0,76% contra o dólar, respectivamente.

Em semelhante dinâmica, o mercado de juros também funcionou em tom de alívio. As taxas futuras de longo prazo negociadas na B3 caíram bastante logo que o Tesouro Nacional anunciou que estenderá sua intervenção na renda fixa, pelo menos, até o fim de junho. Estão cancelados os leilões tradicionais de venda de títulos públicos nesta semana, enquanto a instituição segue até sexta-feira com operações diárias de compra e venda de papéis. Daí em diante, a atuação deve ser calibrada e pode ir além de junho caso haja necessidade. Num sinal da trégua, o DI para janeiro de 2027 caiu até 12,090%, cerca de 50 pontos-base abaixo do fechamento anterior.

Ficou claro que o movimento atribulado da semana, no entanto, não terminou. Nos juros, a trégua não reverteu a piora acumulada na semana, já que a taxa do DI para janeiro de 2027 ainda acumula alta de 52 pontos nesse período. O novo patamar das taxas só deixa evidente que a perspectiva está longe de ser positiva.

A dúvida sobre o compromisso dos principais presidenciáveis com a agenda de reformas, somada à delicada situação fiscal e um ambiente externo menos benéfico desenha um pano de fundo sombrio para os ativos, mesmo com o Tesouro e o BC atuando firme contra a volatilidade. 

Além do efeito sobre a bolsa —  o Ibovespa acumula queda de 4,97% no mês e de 4,53% no ano –, as marcas da turbulência ficam ainda mais evidentes nos juros de curto e médio prazo, que precificam os próximos passos na política monetária. O mercado projeta uma alta de 0,27 ponto percentual já na decisão do Copom em 20 de junho. Isso significa que as chances estão divididas hoje entre alta de 0,25 ponto percentual, com 90% de probabilidade, e de 0,50 ponto (10%), de acordo com dados da Quantitas.

E os desafios para o mercado continuam agora. Se não bastassem os problemas locais, o Federal Reserve (Fed, banco central americano americano) deve anunciar uma elevação de juros na quarta-feira, dia 13. A iniciativa é amplamente esperada pelo mercado, mas deve aumentar a pressão sobre os emergentes e ativos de risco, em geral.

“O governo saiu bastante fragilizado da greve dos caminhoneiros, uma fragilidade que continua agora, em ano eleitoral”, afirma Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos. “No caso de bolsa, os fundamentos das empresas estavam em ritmo razoavelmente positivo, com CDS [Credit Default Swap, uma espécie de seguro contra calote] mais comportado. Essas teses já começam a ser ameaçadas. E não se sabe quanto vai durar a trégua dos juros e do câmbio.”

Fonte Oficial: Valor.

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