PIB deve andar de lado até o fim do ano – Exame

Rio – Uma greve que parou o País, um governo frágil, um cenário eleitoral completamente indefinido, um desempenho econômico decepcionante aliado a um cenário externo desfavorável. Esses ingredientes desestabilizaram o mercado na semana passada, deixaram os investidores no escuro e levaram os economistas a rever todas as projeções para 2018 e 2019. A deterioração da economia e da política brasileira ainda deverá frear os investimentos feitos pelos estrangeiros no País pelo menos até dezembro e não há sinais de que o nervosismo financeiro vá passar.

A turbulência mudou totalmente o cenário otimista que o mercado projetava no início do ano. A sensação dos investidores e dos economistas dos grandes bancos era que a alta estimada de 3% no Produto Interno Bruto (PIB) chegaria ao dia a dia da população, que, consequentemente, apoiaria um candidato de centro-direita para a corrida eleitoral.

Mas o cenário se distanciou bastante disso. Na sexta-feira, mais bancos reviram para baixo suas projeções econômicas para 2018 – o Bradesco cortou de 2,5% para 1,5%, o Itaú de 2% para 1,7% e o Bank of America Merrill Lynch de 2,1% para 1,5%. Há, inclusive, economistas que já projetam uma repetição do resultado de 2017, quando o PIB avançou 1%, após acumular queda de quase 7% nos dois anos anteriores.

“Meu cenário base já é de uma economia que cresça menos que em 2017. O primeiro trimestre não tem fôlego para impulsionar o resto do ano como em 2017, com a safra recorde”, diz a economista Monica De Bolle, do Peterson Institute for International Economics. “Agora é esperar, porque estamos sem controle da própria situação.”

Para Paulo Leme, presidente do conselho da Vinland Capital, um PIB de 1% “não seria tão ruim dadas as dificuldades”.

O professor José Luís Oreiro, da Universidade de Brasília, destaca que, para o PIB chegar a 1,5%, a economia terá de avançar pelo menos 0,5% no terceiro trimestre e mais 0,5% no quarto – ele prevê um número negativo no segundo trimestre.

“Se o governo ainda existisse, teria de fazer um ajuste fiscal de emergência, poderia aumentar impostos para tentar reduzir o déficit em 2019”, diz Oreiro. A medida, afirma, daria espaço para um recuo na taxa básica de juros, o que poderia impulsionar o PIB. “Como o governo não existe mais, o que nos resta é esperar 2019.”

Ferramenta

A redução da Selic em 7,75 pontos porcentuais até maio é justamente a ferramenta que resta ao País, dizem os analistas. Para o economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani, o crédito está se recuperando na esteira da queda do juros e deve ser responsável por parte da elevação do PIB neste ano. Ele prevê um resultado “otimista”, de 1,8%. A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, vai na mesma linha. “Ainda tem efeito de política monetária para se materializar. Não vejo a economia com fundamentos tão ruins para entrar numa espiral recessiva”.

O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV também está “otimista”. Amanhã, o órgão divulga sua nova projeção de PIB para o ano, que passou de 2,3% para 1,9%. As estimativas de inflação mudaram de 3,4% para 4%. A economista Silvia Matos afirma, no entanto, que a deterioração dos indicadores pode se acentuar até o fim do ano. “O mercado pune e pode entrar em modo anti-Brasil. A gente só viu um pequeno movimento. A preocupação é que o fundo do poço pode ser mais embaixo.”

No mercado de capitais, o humor também mudou em relação ao início do ano, quando as companhias recorreram à Bolsa, reafirmando o apetite de investidores estrangeiros e nacionais por negócios locais. A expectativa era que mais empresas recorressem ao mercado até julho. O sinal, no entanto, se inverteu. Em maio, as operações caíram drasticamente – nenhuma empresa abriu capital. De janeiro a maio, as transações no mercado de capitais haviam somado R$ 73,4 bilhões, alta de 40% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a Anbima (associação das entidades do mercado de capitais).

“O segundo semestre vai ser mais complicado. A expectativa mais otimista é que possamos repetir o desempenho de 2017. A depender de quem for eleito e se tiver o apoio do Congresso, 2019 será melhor”, diz Marcelo Noronha, vice-presidente do Bradesco.

Apetite

O ano começou bem para fusões e aquisições – a união entre Suzano e Fibria foi emblemática e prometia puxar outros negócios. O fundo americano Advent anunciou, na semana passada, a compra de 80% do Walmart no Brasil – uma negociação que levou meses. Mas outros grandes negócios dependem do apetite a risco do investidor, que está mais cauteloso.

Até maio, o número de fusões e aquisições recuou 15,5% ante os cinco meses de 2017. Dessas operações, 157 tiveram valores divulgados, somando R$ 92,8 bilhões, alta de 32,2%, segundo a consultoria TTR. “O investidor estrangeiro está mais reticente e só faz apostas em grandes oportunidades”, diz Fábio Nazari, sócio do BTG Pactual. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte Oficial: Exame.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!