BC atua e opera na casa de R$ 3,70; Ibovespa registra valorização – Valor

SÃO PAULO  –  (Atualizada às 15h11) O Banco Central (BC) ameaçou ir com mais suavidade ao mercado de câmbio, mas o mercado pediu mais swaps, levando a autoridade monetária a anunciar uma segunda oferta líquida de US$ 1,5 bilhão nesta terça-feira. Com um total de US$ 3 bilhões colocados apenas hoje, o dólar não resistiu e passou a mostrar queda, indo às mínimas em mais de duas semanas. O real, de longe, é a divisa com melhor desempenho neste pregão, considerando uma lista de 33 pares do dólar.

Às 15h03, o dólar comercial caía 0,52%, a R$ 3,7048. No piso do dia, marcou R$ 3,6707 (-1,44%), ponto mais baixo durante os negócios desde o último dia 28 de maio (R$ 3,6616).

O dólar apenas firmou baixa, porém, após o anúncio do segundo leilão de swap. A primeira oferta de 30 mil contratos (US$ 1,5 bilhão) veio menor que a esperada e indicava que, nesta terça-feira, o BC poderia fazer colocação menor de contratos do que nos últimos dias.

“O BC não pode baixar a guarda. Hoje tentou, mas viu que não funcionou”, diz Jaime Ferreira, diretor de câmbio da Intercam.

O lote menor ofertado no primeiro leilão do dia (US$ 1,5 bilhão) chamou atenção especialmente porque, ontem, o dólar já havia subido a despeito de o BC ter vendido US$ 2,5 bilhões em swaps. Também ontem, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, havia reiterado que a autoridade monetária ofertaria ao mercado, até o fim desta semana, um total de US$ 24,5 bilhões na forma de swaps.

A leitura é que o BC pode estar “guardando munição” para amanhã, quando o Federal Reserve (Fed, BC americano) provavelmente subirá, de novo, a taxa de juros, com chances de traçar um quadro positivo para a economia americana – o que seria entendido como sinal de mais altas de juros nos próximos meses.

Caso faça, até sexta-feira, a venda de todo o volume de swaps prometido, o BC terminará o período de 24 dias úteis colocando quase US$ 39 bilhões no mercado, um recorde.

Com o lote de US$ 1,5 bilhão vendido na segunda operação de hoje, o BC elevou a US$ 23,367 bilhões o total já colocado no mercado desde 14 de maio, quando retomou as ofertas líquidas desse derivativo.

Essa colocação já aumentou o estoque de swaps para US$ 47,164 bilhões, máxima desde 12 de agosto de 2016 (US$ 47,850 bilhões). O montante é praticamente o dobro do visto até um mês atrás (11 de maio), antes de o BC retomar as vendas líquidas de swap. Naquela sessão, o volume desses contratos no mercado não passava de US$ 23,798 bilhões.

Bolsa

Num dia positivo para a maior parte das blue chips e de forte alta das varejistas, o Ibovespa consegue respirar após cinco pregões consecutivos no campo negativo, buscando retomar o nível de 73 mil pontos.

Por volta das 15 horas, o índice subia 0,30%, aos 72.506 pontos, mas, na máxima, chegou a operar aos 73.332 pontos. O giro financeiro, contudo, segue menos intenso que o das sessões da semana passada: o volume projetado para o Ibovespa no fim dia soma pouco menos de R$ 8,5 bilhões — até o momento, R$ 5,3 bilhões já foram negociados.

Para Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor, o alívio de hoje possui um viés técnico após a recente onda de correções, sem representar uma mudança conjuntural. “Todo mundo está mais focado no mercado de câmbio, o Ibovespa está em segundo plano”, diz. “Isso deixa a bolsa mais suave”.

O setor bancário aparece entre os destaques do dia, após o Credit Suisse revisar preços-alvos, recomendações e preferências para as empresas do segmento. Entre as principais mudanças estão a redução média de 25% no preço-alvo dos papéis e o corte da recomendação das units do Santander Brasil, para “neutro”. Além disso, a instituição diz que Banco do Brasil e Bradesco são as “top picks” do setor, apresentando os maiores potenciais de valorização.

Banco do Brasil ON ganhava 1,91%, enquanto Bradesco PN perdia 0,33% e Itaú Unibanco PN recuava 0,13%. Já as units do Santander Brasil tinham queda de 1,55%, em meio ao corte de recomendação — as demais empresas do setor foram mantidas em “outperform” (acima de neutro). Santos ainda ressalta que os bancos foram bastante penalizados nas últimas semanas, o que abre espaço para a recuperação.

Vale ON registrava elevação de 1,51%. A mineradora anunciou ontem um acordo de venda de sua produção futura de cobalto no Canadá, recebendo US$ 690 milhões adiantados pelo negócio. Petrobras PN declinava 0,13% e Petrobras ON tinha baixa de 1,03%.

Na ponta positiva do índice, atenção também para o segmento de varejo, que segue em recuperação após a diminuição da percepção de um choque de juros para conter o avanço do dólar, o que impactaria diretamente as perspectivas de consumo interno no país. As units da Via Varejo subiam 7,84% enquanto Magazine Luiza ON tinham elevação de 2,52%.

Juros

Investidores do mercado de juros dão sinais de que não estão dispostos a assumir grandes riscos. A despeito da nova queda do dólar e da recuperação da Bolsa, as taxas futuras de médio prazo não encontram espaço para alívio.

O que se ouve no mercado é que, sim, os níveis das taxas estão bastante elevados. No entanto, há motivos que inibem a vinda de uma correção. Incerteza eleitoral, ambiente externo mais adverso e o risco de um aperto monetário ainda neste ano são frequentemente citados por operadores.

O DI janeiro/2019 cai a 7,125% (7,190% no ajuste anterior); DI janeiro/2020 operava a 8,660% (8,650% no ajuste anterior); DI janeiro/2021 avançava a 9,760% (9,660% no ajuste anterior); DI janeiro/2023 tinha alta a 11,180% (11,140% no ajuste anterior); DI janeiro/2025 operava a 11,800% (11,780% no ajuste anterior); DI janeiro/2027 caía a 12,130% (12,160% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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