Dólar estaciona em R$ 3,70 à espera de Fed; Ibovespa cai – Valor

SÃO PAULO  –  A estratégia do Banco Central (BC) para conter o nervosismo dos investidores deve ser testada nesta quarta-feira. Nesta tarde, a decisão de juros nos Estados Unidos tende a mexer com os ativos financeiros e a expectativa é de que o BC não perca essa oportunidade para injetar novos contratos de swap cambial no sistema. À espera da atuação da autarquia brasileira e do anúncio americano, o dólar estaciona em torno de R$ 3,70.

O Banco Central ainda teria de colocar US$ 13,25 bilhões em swaps para cumprir a promessa feita na última quinta-feira. Na ocasião, o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, disse que um total de US$ 24,5 bilhões seria injetado no sistema foram desses derivativos, em operações que se assemelham à venda de dólar no sistema

Desde então, o dólar se acalmou na casa de R$ 3,70, tocando as mínimas dos dias assim que os leilões de swap são anunciados. Esse também foi o caso desta quarta-feira. Mais cedo, o BC vendeu 40 mil contratos (US$ 2 bilhões). Já o dólar caiu até R$ 3,6897 no momento de maior fraqueza do dia.

Há pouco, a moeda era negociada a R$ 3,6943, em baixa de 0,60%. Já o contrato futuro para julho, por sua vez, cedia 0,26%, a R$ 3,7146.

A expectativa para hoje é de um endurecimento do tom dos dirigentes americanos. A taxa de juros americana deve voltar a subir. E sinais de inflação um pouco mais forte nos EUA e de tração da atividade podem levar a uma revisão das estimativas dos dirigentes do Fed sobre o aperto monetário por lá, o que poderia resultar numa alta global do dólar.

Bolsa

Os investidores do mercado acionário seguem adotando uma postura defensiva, aguardando a decisão de política monetária do Fed. Apesar de o Ibovespa ter reduzido o ritmo de queda e se estabilizado no nível de 72 mil pontos, as blue chips seguem no campo negativo e impedem qualquer recuperação mais intensa.

Por volta de 13h25, o Ibovespa operava em queda de 0,58%, aos 72.332 pontos, após ter atingido os 71.959 pontos na mínima do dia (-1,09%) — na abertura do pregão, o índice chegou a subir e, na máxima, atingiu os 72.977 pontos (+0,31%).

O giro financeiro do Ibovespa é reduzido até o momento, o que evidencia o clima de cautela do mercado. Em pouco menos de três horas de sessão, o volume de negociações soma R$ 2,77 bilhões, o que implica em menos de R$ 7 bilhões movimentados ao fim do dia, mantido o ritmo visto até agora.

“Há a possibilidade do Fed surpreender negativamente e, com isso, os investidores reduzem a posição em Brasil”, diz Sergio Goldman, estrategista da Magliano Corretora. Para ele, o cenário básico do mercado é de quatro altas de juros nos EUA em 2018, e eventuais sinalizações de que o aperto monetário no país será ainda mais forte podem gerar correções adicionais.

A maior aversão ao risco influencia diretamente o comportamento das blue chips, papéis de maior atuação dos investidores estrangeiros. Petrobras PN (-2,01%), Petrobras ON (-1,64%) e Banco do Brasil ON (-1,74%) recuam mais forte, enquanto Bradesco PN (-0,33%) e Itaú Unibanco PN (-0,08%) e Vale ON (-0,02%) ficam mais próximas da estabilidade — a exceção é Vale ON, que tem leve alta de 0,1%.

O Fed divulga logo mais, às 15h, sua decisão de política monetária — há ampla expectativa no mercado de aumento de 25 pontos-base na taxa de juros dos EUA, para a faixa de 1,75% a 2% ao ano. Sendo assim, os investidores estarão concentrados na coletiva de imprensa do presidente da instituição, Jerome Powell, atrás de indícios a respeito dos próximos passos do BC americano.

No lado positivo do Ibovespa, as ações da Eletrobras aparecem entre as maiores altas do dia: as ações preferenciais tipo B sobem 2,53%, enquanto as ordinárias avançam 1,81%. Os investidores reagem à notícia de que o edital de privatização das seis distribuidoras da empresa deve ser publicado até o dia 20, de acordo com apuração do Valor.

Na ponta oposta, BRF ON (-5,12%) tem a maior perda do Ibovespa, ainda repercutindo as declarações de ontem do presidente de eficiência corporativa da empresa, Jorge de Lima, em audiência no Senado — entre outros pontos, o executivo disse que a BRF é alvo de guerra comercial.

Juros

A semana segue com a postura defensiva dos investidores do mercado futuro de juros e a aversão ao risco dominou a primeira metade desta quarta-feira. Agora, todos os olhos estão voltados para a decisão do Fed.

“O mercado está sem liquidez alguma aguardando a decisão. A percepção geral é a de que o Fed será mais hawkish e a curva segue sendo negociada com abertura das taxas”, afirma Luis Laudisio, operador da Renascença. A expectativa é que o banco central americano eleve a taxa de juros em 25 pontos base, para a faixa de 1,75% a 2% ao ano. Além disso, o Fed pode traçar um quadro positivo para a economia dos Estados Unidos, corroborando assim a projeção de mais altas de juros nos próximos meses.

Para João Fernandes, economista da Quantitas, a divulgação dos últimos dados da inflação americana atualizaram o cenário para as decisões do Federal Reserve (Fed) e parte do mercado já espera uma quarta alta de juros em 2018, o que puxa os juros futuros no Brasil. Os dados dos preços ao consumidor (CPI) divulgados ontem deram novos sinais em maio de elevação nos EUA, com a alta de 0,2%, na margem. Hoje, o índice de preços ao produtor (PPI) foi de 0,5% em maio, ante abril, acima da expectativa de alta de 0,3%.

Fonte Oficial: Valor.

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