Dólar estaciona em R$ 3,70 mesmo com forte atuação do BC – Valor

SÃO PAULO  –  O mercado brasileiro de câmbio voltou a mostrar que o nível de R$ 3,70 é uma firme referência para o dólar. Tanto é que a cotação não fugiu muito desse nível mesmo num dia de decisão de juros nos Estados Unidos e de injeção de US$ 4,5 bilhões no sistema via contratos de swap cambial. 

O Banco Central entrou três vezes no mercado ao longo desta quarta-feira (13) para conter a escalada da moeda americana. A primeira oferta veio com 40 mil papéis (US$ 2 bilhões) logo no começo do dia, seguida por outro lote de 30 mil (US$ 1,5 bilhão). A operação final ocorreu assim que o banco central americano anunciou juros mais altos e sinalizou que acelerará o aperto monetário neste ano.

Mesmo com tamanha agitação no mercado, o dólar terminou a sessão em R$ 3,7128, estável ante o fechamento passado.

Segundo operadores, o mercado já se ajustou ao patamar de R$ 3,70, que se tornou uma referência à promessa feita pelo Banco Central na última quinta-feira (7). Após o dólar se aproximar de R$ 4 há quase uma semana, o presidente da instituição, Ilan Goldfajn, veio a público e anunciou que US$ 24,5 bilhões em contratos de swap cambial seriam ofertados para o mercado. Para cumprir o “acordo”, o BC ainda precisa ofertar mais US$ 10,75 bilhões nas próximas duas sessões — quinta (14) e sexta (15).

“O nível de R$ 3,70 é aquele que já trabalha com o cenário de US$ 24,5 bilhões em swap (…) mas qualquer mudança de planos no meio do caminho pode gerar ruído”, alerta um operador. “O risco de não oferecer tudo nos próximos dias é levantar um debate desnecessário sobre a comunicação do Banco Central”, acrescenta o profissional. Ele destaca o nervosismo que tomou o mercado de juros após o BC decidir não cortar a Selic em maio, a despeito da expectativa majoritária no mercado de nova baixa.

Para o profissional de tesouraria de um banco nacional, o mercado tem ampla demanda por “hedge”. Se não fosse pela oferta de swap cambial feita pelo BC, essas operações seriam realizadas no próprio mercado de câmbio, levando a cotação para cima.

“O mercado de câmbio tem uma liquidez bem ampla e é alvo de ‘hedge’ para quem opera bolsa e renda fixas (…) mas agora essa proteção vem junto com o swap cambial”, afirma o profissional. “O patamar reflete a necessidade de ‘hedge’, não cai mais que isso porque aí entra comprador e não sobe mais porque dá para tomar proteção com o BC”, acrescenta.

Fonte Oficial: Valor.

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