Banco de mulheres quer concorrer com gigantes da África do Sul – Valor

JOHANESBURGO  –  Após mais de uma década durante a qual os maiores bancos da África do Sul não tiveram que enfrentar a chegada de nova concorrência, agora os novos rivais estão não só chegando como também se multiplicando. O mais recente, a Young Women in Business Network Cooperative Financial Institution, pretende se tornar o primeiro banco do país a pertencer a mulheres, e deixar de ser uma instituição cooperativa que só pode oferecer serviços a seus membros, disse a diretora-gerente Nthabeleng Likotsi, 33. O alvo serão operadores informais e donos de empresas negros, que as entidades tradicionais têm evitado, disse ela.  

A YWBN se junta a pelo menos outras três empresas que planejam desafiar os cinco principais credores do país, entre os quais estão o FirstRand e o Standard Bank Group. Juntos, esses bancos controlam mais de 90 por cento dos ativos que dominam o cenário local, com muitos caixas eletrônicos e agências em todo o país e oferecendo todo tipo de serviço, desde cadernetas de poupança e cartões de crédito até empréstimos empresariais e serviços de gestão de riqueza privada.

“A concorrência é saudável e acreditamos firmemente que este país precisa ter mais bancos”, disse Likotsi. “Os bancos não entendem os empreendedores negros. O poder está no setor informal, que não foi totalmente ativado, e os bancos não estão prestando toda a atenção nisso.”

Poder do informal

A YWBN espera se diferenciar visando indivíduos que estão fora da economia formal, como vendedores ambulantes e motoristas de micro-ônibus, bem como fundos de poupança comunitários conhecidos como stokvels, disse Likotsi.

“Se eu quiser levantar um milhão rapidamente, eu posso falar com um milhão de sul-africanos e pedir uma contribuição a cada um”, disse ela. “Esse é o poder. O poder está nos stokvels, o poder está nos ambulantes, o poder está nos taxistas. E nós acreditamos nesse setor informal.”

A empresa apresentará seu pedido de concessão de licença na sexta-feira (15) indo dos escritórios da presidência da África do Sul, nos Union Buildings da capital, Pretória, até os escritórios do banco central na tentativa de criar consciência sobre a necessidade de acelerar o empoderamento econômico dos negros, disse ela. O objetivo é se tornar um banco de poupança mútua, que pode receber dinheiro dos depositantes, que se tornam membros com direito a voto na empresa.

Supremacia branca 

Mais de 24 anos após o fim da segregação racial, os conselhos da África do Sul ainda são dominados por homens brancos, que também ganham mais, segundo estudo feito pela Statistics South Africa. Pelo menos 60% dos membros da YWBN são mulheres negras e a cooperativa tem 550 acionistas com 40 milhões de rands (US$ 3 milhões) em capital social, disse Likotsi.

A YWBN levantará fundos de dois investidores para aumentar seus níveis de capital, disse a executiva, preferindo não identificá-los enquanto o pedido não for concluído. Inicialmente o banco será administrado de sua base em Johannesburgo, mediante canais digitais, e depois abrirá agências em outros lugares no terceiro ano de operações, disse ela.

Fonte Oficial: Valor.

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