BC corre para injetar volume bilionário e dólar tem leve alta – Valor

SÃO PAULO  –  O Banco Central corre contra o tempo para cumprir sua promessa e injetar um volume bilionário de swap cambial no mercado até amanhã. Só nesta quinta-feira, foi vendido o equivalente a US$ 4 bilhões ou 80 mil contratos, em operações que tem efeito de venda de dólar no mercado futuro.

Para cumprir o acordo, a autoridade monetária ainda precisaria ofertar US$ 6,75 bilhões até o fechamento de sexta-feira. Isso porque, há uma semana, o Banco Central informou que colocaria no sistema US$ 20 bilhões em contratos novos de swap, para além da oferta diária de US$ 750 milhões. Com isso, até o dia 15, o montante total dos leilões chegaria a US$ 24,5 bilhões. De lá para cá, foram vendidos US$ 17,75 bilhões em contratos de swap.

A estratégia do BC ajudou a derrubar a cotação, num dia só, de R$ 3,92 para R$ 3,70. Desde então, a moeda americana está estacionada nesse nível. E hoje não é diferente: o dólar opera em leve alta de 0,26%, a R$ 3,7224 no mercado à vista, enquanto o contrato futuro para julho cai 0,06%, a R$ 3,7240.

O nível da moeda americana, de acordo com operadores, já precifica a oferta total de US$ 24,5 bilhões em contratos de swap pelo BC. Até por isso, alguns especialistas acreditam que uma fraquejada na estratégia ou abriria espaço para ruído ou teria de ser muito bem justificada pelo presidente da instituição, Ilan Goldfajn. “O BC já teve sua comunicação criticada na última decisão do Copom, quando manteve a taxa inalterada e surpreendeu boa parte do mercado”, destaca um profissional. “Sempre vem à lembrança mais a questão negativa que a decisão acertada”, acrescenta.

Para o operador Cleber Alessie Machado, na H. Commcor DTVM, o BC deve cumprir a promessa sobre os swaps até amanhã, mesmo que grande parte da oferta de “hedge” já possa ter sido saciada. Para os próximos dias, a expectativa é de que o BC não se comprometa mais com um volume específico de oferta, mas mantenha o “fator surpresa” no ar. “O BC vai contar com a imprevisibilidade para conter a alta do dólar”, diz. “Mas deve deixar o mercado andar um pouco mais sozinho daqui para frente”, acrescenta.

Diante das dúvidas sobre os próximos passos do BC, também há alguma expectativa no mercado sobre a possibilidade de oferta de leilões de linha pelo Banco Central. Essa possibilidade é trazida pelo avanço do cupom cambial, que serve com uma medida de juros em dólar. O contrato de FRA de cupom cambial para janeiro de 2019, por exemplo, sobe hoje a 4,44% – maior nível neste ano. Ontem, esse contrato era negociado a 4,33%.

Operadores dizem que esse movimento no cupom pode justificar uma atuação do BC por meio da oferta de linha – operação na qual o BC vende dólar com compromisso de recompra, atendendo a uma necessidade de liquidez de curto prazo. Isso viria a despeito dos sinais de que ainda há fluxo de capital no mercado à vista. Recentemente, o presidente do BC afirmou que não há preconceito quanto ao uso de qualquer instrumento. “Podemos empregar swaps cambiais, reservas ou leilões de linha, dependendo da necessidade.”

Bolsa

Num dia de volatilidade reduzida, o Ibovespa apresenta viés levemente negativo e já opera novamente na faixa dos 71 mil pontos. As blue chips seguem no campo negativo, mas o bom desempenho da BRF e do setor de varejo neutraliza parcialmente a tendência de queda.

Por volta de 13h55, o Ibovespa operava em queda de 0,34%, aos 71.877 pontos. No início do dia, chegou a avançar até os 72.708 pontos (+0,81%) mas, após a abertura dos mercados americanos, perdeu força e zerou os ganhos. Na mínima, o índice tocou os 71.837 pontos (-0,4%). O giro financeiro soma R$ 3,2 bilhões em três horas de pregão, o que implica num volume projetado de R$ 7,34 bilhões ao término da sessão.

As blue chips operam em queda, embora sem grandes variações negativas: Petrobras PN (-0,13%), Petrobras ON (-0,44%), Bradesco PN (-0,3%), Itaú Unibanco PN (-0,6%), Banco do Brasil ON (-1,36%) e Vale ON (-1,15%) pressionam o índice para baixo.

Na visão dos operadores, a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) tirou parte da pressão sobre os mercados emergentes. No entanto, os problemas internos locais impedem que o ambiente menos estressado se traduza num movimento de recuperação.

“Os DIs não param de abrir, há a expectativa de que o BC possa vir a subir juros e a incerteza política sobre o próximo presidente é alta. É difícil”, diz um profissional, ressaltando que o fluxo de recursos estrangeiros em bolsa segue bastante negativo, o que dificulta um eventual movimento mais amplo de alta do índice.

Apesar do viés levemente negativo das blue chips, o forte desempenho de alguns papéis ajuda a deixar o Ibovespa perto da estabilidade. É o caso de BRF ON (+6,7%), maior alta do índice — os papéis reagem à informação, divulgada ontem pelo Valor, de que Pedro Parente deve ser indicado nesta quinta-feira ao cargo de CEO da empresa.

O setor de varejo também opera em alta, puxado por B2W ON (+6,2%), Magazine Luiza ON (+4,3%), Lojas Americanas PN (+3,5%) e units da Via Varejo (+2,45%) — no mês, no entanto, as duas últimas ainda acumulam queda de mais de 8%.

Na ponta oposta, as exportadoras operam em queda hoje, em meio ao fim da escalada do dólar — a moeda americana, que quase chegou ao nível de R$ 4 na semana passada, mantém-se perto dos R$ 3,70 nas últimas sessões. Nesse contexto Suzano ON (-1,46%), units da Klabin (-1,26%) e Weg ON (-1,22%), além da própria Vale, operam em queda.

Nesse grupo, contudo, o destaque é Embraer ON (-2,1%), que, além de ser impactada pelo dólar, ainda devolve parte dos ganhos das últimas sessões, quando avançou em meio aos rumores de que um acordo com a Boeing estaria perto de ser finalizado — segundo apuração do Valor, as tratativas podem ser concluídas em três a quatro semanas.

Juros

Faltando menos de uma semana para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado continua em clima tenso e os contratos futuros de juros seguem em alta, com destaque para os vencimentos mais curtos. Hoje, os olhos estão voltados para a performance do dólar, na esteira dos anúncios do Banco Central Europeu (BCE), na manhã de hoje, e do Federal Reserve, na tarde de ontem.

“O BCE alertou hoje que irá reduzir o programa de compra de ativos (“QE”) depois de um Fed (Federal Reserve) mais duro. Isso é ruim para países emergentes por reduzir a liquidez global e temos a pressão adicional das eleições. O externo é o que está pesando mais hoje”, disse Paulo Petrassi, sócio gestor da Leme Investimentos.

Segundo ele, esse cenário pesa no dólar e bate rapidamente nos juros. O DI janeiro/2019 subia a 7,45% (7,23% no ajuste anterior); DI janeiro/2021 avançava a 10,11% (9,94% no ajuste anterior); DI janeiro/2023 tinha alta a 11,4300% (11,35% no ajuste anterior); DI janeiro/2025 operava a 12,040% (11,96% no ajuste anterior); DI janeiro/2027 estava a 12,380% (12,29% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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