Dólar segue alta global e ronda R$ 3,92; Ibovespa opera em queda – Valor

SÃO PAULO  –  O mercado brasileiro de câmbio é movido pela alta global do dólar na primeira sessão do segundo semestre. Na máxima do dia por aqui, a divisa americana avançou para R$ 3,9192, maior nível desde 7 de junho quando subiu até R$ 3,9674.

As preocupações sobre uma guerra comercial, protagonizada pelos Estados Unidos, servem de pano de fundo para ambiente externo mais adverso, já que colocam em risco as perspectivas para o crescimento econômico global. As divisas emergentes têm os piores desempenhos da sessão numa lista das principais divisas globais, com perdas de superiores a 1%.

O real brasileiro tem a décima maior perda do dia ante o dólar, embora siga melhor que outros pares (peso mexicano, rublo russo e rand sul-africano). O tema da guerra comercial deverá estar presente ao longo da semana, diante do início previsto da vigência, na próxima sexta-feira, da imposição de tarifas adicionais dos EUA para produtos chineses e vice-versa.

Apesar do salto do dólar, alguns profissionais de mercado apontam, até o momento, que não enxergam sinais de “disfuncionalidade” no mercado. Até por isso, há alguma flexibilidade para o Banco Central se manter fora do mercado, sem novas ofertas líquidas de swap cambial. “O mercado não está testando o BC e o dólar sobe por aqui mais em função do externo”, diz o Paulo Nepomuceno, estrategista-chefe da Coinvalores. “Se o BC vender swap, fará um lote pequeno só para tirar um pouco da volatilidade”, acrescenta.

Para os especialistas do Danske Bank, a piora do ambiente para emergentes e as preocupações com a guerra comercial têm direcionado a moeda brasileira ao longo do último mês. E questões políticas internas acabam gerando pressão adicional sobre o real. “Perspectivas de longo prazo para o real parecem mais promissoras em termos de recuperação econômica e ‘carrego’ ainda atrativo, enquanto acreditamos que os problemas pré-eleitorais deverão pesar ainda mais a moeda em 2018”, apontam, em relatório.

Para o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, a tendência do dólar é de alta no médio e longo prazo. “As quedas devem ser aproveitadas para compras”, diz, principalmente quando a cotação ronda os R$ 3,80. Ele não descarta que uma eventual redução do risco global, sejam pelas negociações do comércio exterior, acordo na Alemanha e dados não muito fortes dos EUA, pode provocar uma queda da moeda para perto de R$ 3,80. Para o especialista, a região atual, perto de R$ 3,90, é razoável para fazer vendas de curto prazo.

Por volta das 13h40, o dólar comercial subia 0,88 a R$ 3,9101.

O contrato futuro para julho, por sua vez, tinha alta de 0,84%, a R$ 3,9220.

Juros

Os contratos de juros futuros oscilam no pregão de hoje, marcado pela baixa liquidez em dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo. Os contratos começaram os primeiros negócios com alta das taxas, mas inverteram a tendência e registram queda.

O movimento ocorre a despeito da alta do dólar. Há pouco, a moeda americana subia 0,93%, a R$ 3,9127. “O dólar segue o exterior, com moedas na Ásia em queda e emergentes. É um movimento global e o real ainda está entre as melhores performances, por isso não espero atuação do Banco Central com novas vendas de swap cambial”, afirma David Cohen, da Paineiras Investimentos.

Nesta tarde, DI janeiro/2020 é negociado a 8,29% (8,32% no ajuste anterior); DI janeiro/2021 tem taxa de 9,27% (9,31% no ajuste anterior); DI janeiro/2025 tem taxa de 11,41% (11,52% no ajuste anterior).

Bolsa

O Ibovespa mantém a tendência vista na abertura e permanece no campo negativo, mas sustenta o nível dos 72 mil pontos. O dia é marcado pelo giro financeiro bastante reduzido e pelo mau desempenho das principais bolsas do mundo — nesse contexto, a maior parte das blue chips segue em queda.

Por volta de 13h40, o Ibovespa recuava 0,33%, aos 72.519 pontos, após atingir os 71.935 pontos na mínima do dia (-1,14%). Vale ressaltar, contudo, que o índice soma apenas R$ 2,3 bilhões em volume negociado até o momento — o jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo afastou os investidores nesta manhã.

Caso esse ritmo seja mantido, o Ibovespa terminará o dia com R$ 4,4 bilhões negociados, o que representa o segundo menor giro financeiro diário em 2018 — em 15 de janeiro, o índice terminou a sessão com volume de apenas R$ 4,1 bilhão.

“O dia está lento, o mercado está acompanhando a Europa e os Estados Unidos, e tudo está pesado”, diz Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor. “Quando o Trump fala sobre guerra comercial, as coisas ficam feias”.

No fim de semana, novas declarações do presidente americano reacenderam os temores de guerra comercial no mundo. As disputas com a União Europeia a respeito da adoção de tarifas no setor automotivo e as tensões com o Canadá voltaram a ganhar força e fazem com que os investidores globais adotem uma postura defensiva.

Na Ásia e na Europa, as bolsas mais relevantes acionários fecharam o dia no campo negativo e, nos Estados Unidos, os principais índices operam em queda. Nesse contexto, a maior parte das blue chips do Ibovespa recua e puxa o mercado brasileiro para baixo.

O destaque negativo fica com Vale ON (-1,65%), pressionada também pelos dados abaixo do esperado dos PMIs industriais chineses e pelo minério de ferro em queda. Os bancos também recuam, com Bradesco PN (-1,34%) e Itaú Unibanco PN (-0,8%) — Banco do Brasil ON (+0,17%) é a exceção e consegue apresentar leve alta.

Já os papéis da Petrobras oscilam perto da estabilidade, com Petrobras ON (-0,1%) e Petrobras PN (+0,2%) variando entre os campos negativo e positivo, em linha com o comportamento do petróleo WTI.

Na ponta negativa, Fleury ON (3,1%), CVC ON (-2,8%), Localiza ON (-2,7%) e Multiplan ON (-2,7%) apresentam as maiores quedas do dia. No lado oposto, BRF ON (+14,6%) dispara e tem o melhor desempenho do Ibovespa. Os investidores reagem aos projetos do novo presidente da companhia, Pedro Parente — ele planeja obter R$ 5 bilhões ainda neste ano com a antecipação de recebíveis e vender negócios no exterior.

Fonte Oficial: Valor.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!