Dólar supera R$ 3,90 e retoma patamar pré-atuação do BC – Valor

SÃO PAULO  –  O dólar subiu mais um degrau nesta segunda-feira e fechou no maior nível em quase um mês, pressionado pelo exterior mais arisco. Foi a primeira vez desde 7 de junho que a taxa termina a sessão acima dos R$ 3,90, voltando assim a patamares anteriores ao início do agressivo programa de liquidez do Banco Central.

Pouco mais de três semanas atrás, a autarquia anunciou que ofereceria US$ 24,5 bilhões em contratos de swap cambial entre os dias 8 e 15 de junho. Só o anúncio foi suficiente para derrubar o dólar de R$ 3,90 para R$ 3,70, patamar que foi mantido até o BC terminar o programa e reduzir o ritmo de intervenções.

Agora, o mercado busca novos patamares de equilíbrio, enquanto acumula, até o momento, a sua sexta sessão consecutiva sem a oferta líquida de swaps. Desta vez, o sinal do dólar por aqui já segue, mais de perto, o comportamento dos principais emergentes, o que diminui a necessidade de atuação do BC. A questão, entretanto, é que a direção global da moeda americana tem sido para cima.

Nesta segunda-feira, o dólar fechou em alta de 0,93%, a R$ 3,9125, tendo tocado máxima em R$ 3,9196. Entre as principais divisas globais, o real teve o quarto pior desempenho, numa colocação bem próxima de pares como rublo russo, rand sul-africano e dólar australiano.

O pano de fundo mais adverso é desenhado pelas preocupações com uma guerra comercial. Protagonizado pela retórica mais dura do governo americano, o tema deverá estar presente ao longo da semana, diante do início previsto da vigência, na próxima sexta-feira, da imposição de tarifas adicionais dos EUA para produtos chineses e vice-versa.

Profissionais de mercado não descartam que o dólar pode tocar o nível de R$ 4 nas próximas semanas. “O BC pode fazer intervenções para suavizar o movimento, mas não temos motivos locais para resistir à pressão externa”, diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio na Treviso Corretora. “O que o BC faz com o swap cambial é amenizar, ao máximo, a alta do dólar, isto é, em vez subir a um determinado patamar em um mês, demora três”, exemplifica.

Além do fator externo, a leitura no mercado é de que a disputa presidencial deve ganhar peso no cenário, principalmente após a Copa do Mundo de futebol. Por ora, as incertezas políticas ainda desestimulam apostas mais favoráveis aos ativos locais. No Boletim Focus, por exemplo, há quem espere que o dólar termine 2018 em R$ 4,00 e o ano que vem em R$ 4,10. Essas são máximas que foram coletadas na última divulgação da pesquisa.

A mediana das expectativas de mercado, por sua vez, está R$ 3,70 para este ano e R$ 3,60 em 2019. Isso porque o cenário principal, na avaliação de alguns especialistas, ainda trabalha com a eleição de um candidato mais alinhado à agenda de reformas, além de alguma acomodação da instabilidade lá fora.

“Nos próximos meses, esperamos que a incerteza associada às eleições se sobressaia à medida que as pesquisas de opinião se tornam mais frequentes e as decisões sobre alianças políticas são tomadas”, escrevem os economistas do Bofa, David Becker e Ana Madeira, em nota.

A deterioração do ambiente externo justifica um nível mais elevado para o dólar no fim deste e do próximo ano, apesar das intervenções do Banco Central no câmbio, dizem os especialistas. O Bank of America Merrill Lynch revisou suas projeções para cima e agora estima que a cotação estará em R$ 3,65 e R$ 3,72, ante leituras de R$ 3,52 e R$ 3,62, respectivamente, no encerramento de 2018 e 2019.

Um cenário mais negativo para os ativos – que teria uma agenda política não amigável ao mercado e elevadas dúvidas sobre governabilidade – pode levar a uma contração do PIB em 2019, enquanto a inflação superaria o teto da meta, de 7%, e Selic bateria dois dígitos com o dólar em R$ 5,50.

Fonte Oficial: Valor.

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