Dólar fecha perto de R$ 3,90, mas BC segue fora – Valor

SÃO PAULO  –  O dólar se afastou das mínimas da sessão ao longo desta terça-feira, fechando bem próximo do patamar de R$ 3,90. O nível mais elevado da divisa americana, entretanto, não parece ser suficiente para estimular o Banco Central a retomar as intervenções no mercado. Já são sete sessões consecutivas sem ofertas líquidas de swap cambial.

Nesta terça-feira, o dólar encerrou o pregão em queda de 0,44%, aos R$ 3,8953, depois de tocar R$ 3,8729. Pelo comportamento do mercado, é possível verificar que, mesmo em dias favoráveis a ativos de risco, o real não se destaca. O que garante alguma tranquilidade, entretanto, é que a moeda brasileira tampouco destoa dos pares nos momentos mais adversos.

A visão do mercado é que a pressão para que o BC volte a atuar diminui porque a desvalorização do real não está muito mais acentuada do que os pares, e não há qualquer sinal de ataque especulativo.

Esses fatores diferenciam o movimento atual do mercado da escalada do dólar observada no segundo trimestre. Naquele momento, a moeda americana acumulou alta de 19%, saindo de R$ 3,30 para R$ 3,92, no período de instabilidade mais acentuada, do começo de abril até 7 de junho. Foi naquele dia que o Banco Central anunciou o programa de liquidez de US$ 24,5 bilhões em swap cambial, ajudando a conduzir a moeda americana para a faixa de R$ 3,70.

“O BC tirou o componente de volatilidade forte, de especulação”, diz o profissional. Com isso, o ímpeto comprador no mercado também foi amenizado, o que prevalece até agora. “A piora do mercado agora é bem gradual, alinhado ao exterior, e o BC pode deixar o mercado andar”, acrescenta.

Ainda assim, a presença da autoridade monetária se faz na forma de uma “intervenção verbal”. O BC tem reafirmado que não vê restrições para que o estoque de swaps cambiais exceda consideravelmente os volumes máximos atingidos no passado. Além disso, a autarquia já afirmou que realizará, sempre que necessário, leilões de swap cambial e de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), de acordo com as condições de mercado, para prover liquidez e contribuir para o bom funcionamento do mercado de câmbio.

“O BC espera para atuar, de fato, quando ficar evidente que está acontecendo um ataque contra moeda brasileira e uma distorção com o mercado internacional”, acrescenta o especialista.

Ele não descarta que essa espiral negativa possa voltar, principalmente, com a proximidade das eleições. “O pessimismo com a corrida presidencial pode gerar uma onda especulativa, deixando a nossa moeda mais pressionada. Isso ‘chama’ o BC a atuar”, diz. “Se o investidor ficar mais pessimista com o quadro eleitoral e olhar o dólar mais forte lá fora, o comprador de dólar vai para cima do mercado”, acrescenta.

Não se descarta que o nível de R$ 4 possa ser alcançado em algum momnto não muito distante. Ainda assim, os especialistas ainda trabalham com uma cotação mais próxima de R$ 3,65 no fim deste ano. Isso porque, a despeito das dúvidas, o cenário básico de muitos ainda se apoia na eleição de um candidato com uma agenda reformista.

Fonte Oficial: Valor.

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