Dólar se afasta de R$ 3,90 com alívio no exterior; Ibovespa sobe – Valor

SÃO PAULO  –  O mercado brasileiro de câmbio capta, nesta terça-feira, o dia de alívio no exterior. O dólar tem firme queda nas principais praças internacionais e se afasta por aqui, pelo menos por ora, da marca de R$ 3,90. A trégua lá fora dá mais conforto para o Banco Central, que acumula agora a sétima sessão consecutiva sem novas ofertas líquidas de swap cambial.

Desde que o BC interrompeu as intervenções, o real vem se desvalorizando gradualmente e a perda para o dólar já chega a 2,5%. O recuo nesse intervalo só não é pior que o do peso argentino, que cedeu 3%.

Para o economista-chefe do Rabobank Brasil, Maurício Oreng, a postura mais “neutra” da autoridade monetária abre caminho para que o real brasileiro convirja gradualmente para um patamar mais próximo de sua estimativa de valor justo, em torno de R$ 4,10 por dólar.

Desta vez, entretanto, a leitura de alguns especialistas é de que o Banco Central só deve intervir daqui para frente de forma mais pontual. O operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor, aponta que a atual postura do BC indica a intenção da autoridade em “apenas corrigir excessos, e não garantir nível [para a taxa de câmbio]”.

Vale apontar, inclusive, que o movimento atual ainda está bem distante da espiral negativa que tomou o mercado local no segundo semestre.

O real chegou a perder 15,8% no período de instabilidade mais acentuada, do começo de abril até 7 de junho quando o Banco Central anunciou o programa de liquidez de US$ 24,5 bilhões em swap cambial. Nesse intervalo, o desempenho da moeda brasileira era ainda pior que o da lira turca, que se desvalorizou 11,8%, apesar dos fundamentos econômicos muito mais robustos por aqui. A intensidade da deterioração da moeda brasileira só não era pior que a baixa de 19,5% do peso da Argentina, outro país que sofre com a falta de reservas cambiais, além de se encontrar num frágil equilíbrio de contas públicas.

Desde o anúncio até agora, por outro lado, o real tem o segundo desempenho global entre as principais divisas globais, com ganho de 1,2%. O avanço só é superado pela valorização de 4,6% do peso mexicano, enquanto grande parte das principais moedas do mundo perderam terreno para o dólar nesse período.

Hoje, o dólar opera em firme baixa por aqui e recua, por volta das 13h35, a R$ 3,8866 (-0,66%). O contrato futuro para agosto, por sua vez, cai 0,70%, a R$ 3,8975.

Juros

Os contratos de juros futuros seguem hoje o exterior mais tranquilo e registram queda, em dia de liquidez baixa por conta da véspera do feriado de Dia da Independência nos Estados Unidos. O movimento é mais acentuado nos papéis mais longos, com queda de 20 pontos-base a partir de 2024.

A tendência é positiva para os países emergentes no geral. O movimento de aversão ao risco perdeu força nesta terça-feira, segundo análise do Rabobank, com os comentários do presidente do banco central chinês (PBoC) Yi Gang, indicando a busca de “uma moeda estável e em nível de equilíbrio”. De acordo com a casa, a indicação parece longe de uma garantia que o processo de depreciação do renminbi (em curso ao longo das últimas semanas) esteja finalizado. Contudo, os investidores parecem ver neste discurso uma sinalização de que a China poderá não recorrer a uma massiva depreciação cambial em resposta às políticas protecionistas de Donald Trump.

Ibovespa

O bom desempenho das ações da Petrobras e do setor bancário impulsionam o Ibovespa e recoloca o índice na faixa dos 74 mil pontos. A tranquilidade vista nos mercados globais permite que diversos papéis se recuperem das fortes quedas recentes, mas o fraco giro financeiro dá indícios de que esse movimento pode não ser duradouro.

Por volta de 13h35, o Ibovespa avançava 1,97%, aos 74.277 pontos, perto da máxima do dia, aos 74.356 pontos (+2,08%). 

“O mercado vive um processo de repique, ou seja, correção dentro de uma tendência de baixa”, diz Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial Research, destacando o comportamento dos papéis da Petrobras nesse processo — as ações preferenciais sobem 1,89%, enquanto as ordinárias avançam 1,63%. “A Petrobras vem numa fase de recuperação, e isso ajuda os investidores a encontrarem racionalidade”.

Para Figueredo, a forte queda vista nos papéis da empresa ao longo das últimas semanas, quando Petrobras PN chegou ao patamar de R$ 14 — no pregão de hoje, os ativos já se aproximam do nível de R$ 18 — abriu espaço recuperação nos últimos dias e faz com que os investidores optem por refazer posições, apesar do noticiário potencialmente negativo.

Mais cedo, a Petrobras informou a interrupção da formação de parcerias na área de refino e a paralisação dos desinvestimentos na Araucária Nitrogenados e na Transportadora Associada de Gás (TAG), dada a decisão proferida pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski proibindo o governo de vender ações de estatais sem o aval do Congresso.

O analista, no entanto, relativiza o viés negativo da notícia. “Tivemos um exagero forte para baixo [nas ações da Petrobras]”, diz. “Sem essa notícia, talvez os papéis estivessem subindo mais, mas o mercado já tinha alguma ideia”.

A correção após as fortes quedas também é apontada por Figueredo como motivo de impulsão das ações do setor bancário, com destaque para Bradesco PN (+4,8%), Itaú Unibanco PN (+3,2%) e Banco do Brasil ON (+2%). Já Vale ON (+0,23%) tem desempenho mais discreto — a mineradora, lembra, não sofreu uma queda tão expressiva nas últimas semanas e tende a sofrer instabilidades ligadas à economia chinesa.

Quanto à baixa liquidez, vale ressaltar que os negócios em Nova York fecham às 14h, o que deve fazer com que o volume de negócios seja reduzido na parte final do pregão — amanhã, todos os mercados americanos estarão fechados, em função do Dia da Independência dos EUA.

Na ponta positiva, destaque também para Embraer ON (+3%), que acelerou o ritmo de ganhos após o presidente Michel Temer convocar reunião com ministros e Aeronáutica para tratar da associação da empresa com a Boeing. Kroton ON (+6,9%) lidera os ganhos do dia.

Nesse contexto de otimismo externo e recuperação de ativos locais, apenas duas ações do Ibovespa operam em queda neste momento: Braskem PNA (-0,78%) e Fibria ON (-0,11%).

Fonte Oficial: Valor.

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