Quatro pontos merecem atenção na ata do Fed – Valor

SÃO PAULO  –  O Federal Reserve (Fed) divulgará a ata de sua reunião de 12 e 13 de junho às 15 horas, fornecendo mais detalhes sobre as perspectivas da política monetária no segundo semestre do ano, ao menos.

Em junho, o BC americano fez sua sétima alta de juros neste ciclo que começou em dezembro de 2015. A Fed Fund Rate foi elevada em 25 pontos base para o intervalo entre 1,75% e 2% ao ano. Também foi divulgada a atualização de seu “Sumário de Projeções Econômicas”, mostrando um cenário melhor para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano (2,7% para 2,8%) e manutenção das projeções até 2020, a despeito de riscos crescentes como uma guerra comercial.

Para a inflação, o Fed projetou o PCE (seu índice preferido) em 2,1% nos próximos três anos, ou seja, em torno da meta de 2%, o que dá conforto para a continuidade da normalização de sua política. 

Veja o que pode concentrar as atenções dos investidores:

1 – O ritmo do aperto de juros

Depois de um primeiro trimestre mais fraco, a economia americana deu sinais de recuperação nos últimos três meses, numa intensidade maior do que em outros países centrais. Por isso, o mercado vinha se mostrando cada vez mais convicto de que o ciclo de aperto de juros poderia ser feito de forma um pouco mais rápida, não em intensidade dos apertos de juros, mas na velocidade. Na reunião de junho, o Fed acabou por se alinhar ao que o mercado de títulos do Tesouro americano vinha precificando e ratificou a expectativa de quatro elevações neste ano e quase três em 2019. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, há hoje cerca de 50% de chance de haver mais duas altas neste ano (setembro e dezembro), o mesmo visto no dia da decisão.

Mas a movimentação dos pontos (“dot plot” – gráfico que mostra opiniões individuais do Comitê) foi modesta. Em março, seis esperavam por três altas de juros em 2018 e outros seis por quatro aumentos. Em junho, o placar foi de sete a cinco. Para 2019, há também placar apertado entre duas ou três elevações da Fed Fund Rate. Será interessante observar o detalhamento dos argumentos do Fed que justificaram a mudança das opiniões.

2 – A taxa “neutra” de juros

O Fed reiterou que espera elevar os juros de forma gradual até o nível neutro – aquele que não estimula nem contrai a economia. Mas nem a autoridade monetária nem economistas batem o martelo sobre qual seria este nível. Em junho, o intervalo de projeções dos 14 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) foi de 2,25% a 3,5%, com mediana de 2,9%. Com um intervalo tão grande, qual será de fato a taxa neutra? Será importante notar o debate que foi feito sobre este tema, que, em tese, define até onde o BC americano irá elevando as taxas (claro, na visão atual, já que a política é sempre dependente dos dados). O Fed também retirou do comunicado sua previsão de que as taxas permaneceriam abaixo de seus níveis de longo prazo “por algum tempo”. Mas quanto tempo?

3 – A curva de rendimento plana

Analistas vêm citando rotineiramente o fato de a curva de juros futura dos EUA estar plana, ou flat, no jargão do mercado. Um possível próximo evento seria a inversão da curva, ou seja, os juros curtos ficando mais altos do que os longos, o que normalmente indica uma recessão à espreita. Ao longo de junho, alguns participantes do BC tocaram neste tema e expressaram algum desconforto com o “desenho da curva” – incluindo Powell – mas citaram a possibilidade de haver fatores exógenos atuando para isso. Seriam apenas os efeitos dos programas de “QE” sobre os preços dos bônus soberanos? Talvez a ata avance nesta discussão.

4 – Administração da política monetária ao fim da normalização dos juros

O BC americano elevou em junho a taxa de juros que paga sobre as reservas excedentes dos bancos (IOER), mas em apenas em 20 pontos. Essa possibilidade já constava na ata da reunião de maio e o presidente Powell deixou claro na entrevista coletiva que se tratava de um pequeno ajuste técnico, não um sinal sobre a direção da política. A movimentação no mercado monetário americano em maio (após a ata), fez a taxa efetiva dos Fed Funds subir em direção ao topo da meta. Por isso, ao deixar a IOER abaixo do teto, o Fed a manterá a mais próxima do ponto médio dos juros.

Segundo o “Wall Street Journal”, as autoridades do Fed acreditam que esta pressão ascendente sobre a taxa está vindo de desenvolvimentos do mercado monetário não relacionados ao seu programa de redução da carteira de títulos de US $ 4,5 trilhões do banco central. Esse processo de enxugamento está drenando os depósitos bancários do sistema, o que, em algum momento provavelmente pressionará para cima a taxa dos fundos de investimento.

As explicações para o que o Fed pretende fazer no futuro com sua principal taxa de juros, cuja efetividade depende de um volume grande de reservas bancárias, devem constar na ata de hoje.

Fonte Oficial: Valor.

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