Ibovespa tem leve alta, sustentado por Vale; Dólar recua – Valor

SÃO PAULO  –  O Ibovespa segue oscilando entre perdas e ganhos nesta sexta-feira, e apesar de aparecer no campo positivo neste início de tarde, não consegue se afastar muito da estabilidade. No exterior, a tensão comercial entre EUA e China gera cautela, mas os dados do mercado de trabalho americano estimulam alguma exposição ao risco. Por aqui, notícias corporativas impactam papéis de menor peso para o índice — entre as blue chips, apenas a Vale, em alta de 1%, tem desempenho mais expressivo.

Por volta de 13h34, o Ibovespa avançava 0,08%, aos 74.812 pontos, após oscilar entre os 74.048 pontos (-0,68%) e os 75.065 pontos (+0,69%). O giro financeiro não é dos menores e soma pouco mais de R$ 3 bilhões até o momento, mas a tendência é de queda na movimentação no período da tarde.

“As primeiras notícias no exterior, como a guerra comercial, geraram um sentimento negativo num primeiro momento”, diz Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor. “Mas os dados da economia americana dissiparam um pouco dessa percepção”.

Em junho, a taxa de desemprego nos EUA subiu a 4%, ligeiramente acima do esperado pelo mercado. Por outro lado, foram criadas 213 mil vagas de trabalho no mês, acima do consenso dos investidores. Os principais índices acionários americanos operam no campo positivo hoje.

“Os dados continuam mostrando pleno emprego e economia firme”, diz Santos, ponderando que esse cenário implica na continuidade da alta de juros no país, mas que, em linhas gerais, os números não foram surpreendentes, afastando eventuais temores de aperto monetário mais forte nos EUA.

Neste cenário, Vale ON (+0,99%) apresenta o melhor desempenho entre as blue chips, impulsionado pelo aumento de 1,1% nas cotações do minério de ferro. Já Petrobras PN (-0,11%) e Petrobras ON (+0,1%) ficam praticamente estáveis — os bancos têm desempenho misto, com Bradesco PN (-0,57%) e Banco do Brasil ON (-0,9%) em queda, mas Itaú Unibanco PN (+0,5%) em alta.

Com os desempenhos de hoje, as blue chips caminham para fechar a semana no campo positivo, com destaque para Bradesco PN, que acumula alta de 4,3% desde segunda-feira, e Itaú Unibanco PN, que tem ganho de 3,9%.

Oscilações mais expressivas são vistas em papéis de menor peso. Kroton ON avança 4,3% e lidera os ganhos do Ibovespa, em meio à publicação das regras do Fies para o segundo semestre, publicadas hoje no Diário Oficial da União (DOU). Gol PN (+3,3%) avança após a companhia divulgar projeções financeiras para o 2º trimestre — o UBS afirmou que as estimativas ficaram acima do esperado.

Por outro lado, CVC ON (-4,5%) tem o pior desempenho do índice, reagindo aos resultados operacionais considerados decepcionantes pelo BTG Pactual — a empresa registrou alta de 25% nas reservas confirmadas no período, para R$ 3,094 bilhões.

Destaque também para Embraer ON (-1,56%), que continua em trajetória de queda em meio à operação com a Boeing — os papéis, contudo, chegaram a recuar 6,6% na mínima do dia. O mercado segue com dúvidas em relação à negociação, e pontos como o valuation da nova empresa de aviação comercial após o fim da operação seguem fazendo com que os investidores realizem parte dos ganhos acumulados nos últimos meses.

Dólar

A trajetória do dólar rumo ao nível de R$ 4,00 foi interrompida no fim da manhã desta sexta-feira. A moeda americana chegou a subir até R$ 3,95 na máxima do dia, quando o real figurava entre os piores desempenhos globais. Operadores apontam, entretanto, que a queda do dólar hoje abriu espaço para uma realização de lucros por aqui.

Às 13h32, o dólar comercial caía 0,69%, cotado a R$ 3,9047, revertendo a dinâmica do começo do dia. Com isso, o mercado brasileiro tinha o segundo melhor desempenho da sessão numa lista das 33 principais divisas globais, atrás apenas do peso mexicano.

O contrato futuro para agosto, por sua vez, recuava 0,81%, a R$ 3,9110.

“Quem estava esperando o dólar bater R$ 4,00 ou mais encontrou nos dados americanos um bom motivo para embolsar lucros”, disse o operador de uma corretora paulista. “Se não fossem os números dos Estados Unidos, o caminho do dólar continuaria sua trajetória para cima”, acrescenta.

A trégua veio, principalmente, com os números de ganhos salariais por hora trabalhada. O avanço no mês de junho foi de 0,2%, ficando ligeiramente aquém das expectativas. Sem um salto firme no resultado, a leitura de parte do mercado é que a inflação por lá ainda sobe de forma gradual, reduzindo as preocupações com um aperto monetário mais duro nos Estados Unidos.

Por outro lado, a perspectiva daqui para frente não é de muito alívio para o mercado brasileiro. O Itaú Unibanco revisou sua projeção para o câmbio no fim de 2018 e 2019 para R$ 3,90, ante estimativa anterior, de R$ 3,70. A mudança reflete a reprecificação de risco ocorrida na economia brasileira no último mês, principalmente porque a reforma da Previdência não foi aprovada, segundo relatório distribuído nesta manhã.

“A moeda brasileira flutuou em patamar mais depreciado ao longo de todo o último mês (entre 3,70 e 3,90 reais por dólar). O aumento da aversão ao risco com a escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China pressionou diversas moedas em junho. Internamente, parece ter havido um reprecificação de risco Brasil (com o CDS de 5 anos avançando para perto de 270 pontos-base) especialmente diante da perspectiva de não aprovação das reformas, em particular daquelas que geram uma dinâmica fiscal mais sustentável nos próximos anos”, diz o relatório do Itaú.

Juros

Os contratos de juros futuros registram queda nesta sexta-feira, dia de liquidez mais baixa por conta do jogo do Brasil na Copa do Mundo. Mas o movimento é controlado. A cautela persiste mesmo após a divulgação de dois indicadores importantes – IPCA e ‘payroll’ americano – em linha com as expectativas.

DI janeiro/2020 tem taxa de 8,36% (8,44% no ajuste anterior); DI janeiro/2021 é negociado a 9,37% (9,41% no ajuste anterior); DI janeiro/2025 tem taxa de 11,34% (11,39% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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