Nosso objetivo no câmbio não é determinar um patamar, diz Ilan – Valor

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, reiterou em entrevista à GloboNews na noite desta quinta-feira (5) que o objetivo da autoridade monetária é garantir o bom funcionamento do mercado de câmbio, sem procurar definir a cotação do dólar.

“Nosso objetivo no mercado de câmbio é dar tranquilidade, não é determinar um patamar”, disse, em entrevista à jornalista Miriam Leitão.

Questionado quando o BC poderia voltar a vender swaps novos, Ilan disse que “vai ser no momento em que não houver o que a gente considera liquidez, funcionalidade, quando houver sensação de pânico”.

“Não é a questão do preço, se está caindo ou se está subindo”, disse o presidente do Banco Central. “Mas a percepção de que houve alguma mudança de visão muito rápida e não houve a capacidade de o mercado se adaptar a isso.”

“Vamos oferecer tranquilidade para que os preços dos ativos reflitam a realidade brasileira”, disse Ilan. Segundo ele, o objetivo do BC é “evitar excessos, evitar disfuncionalidades, evitar momentos de iliquidez”.

“A gente tem que levar em consideração que o que determina os valores dos ativos do Brasil é a nossa capacidade de continuar as reformas, os ajustes, continuar na responsabilidade fiscal”, afirmou. “Continuar mantendo a inflação baixa, a recuperação da economia. É isso que vai fazer a diferença para frente.”

Segundo ele, uma eventual alta de juros só seria justificada se o choque do dólar e as pressões atuais na inflação contaminarem as expectativas de inflação de prazos mais longos.

Subir juros

Questionado se o Banco Central consideraria subir os juros se o choque externo, que levou à alta do dólar, bater na inflação, ele respondeu positivamente: “Sim, no momento em que esse choque bater na inflação, nas expectativas, na inflação no horizonte relevante olhando para frente”, respondeu Ilan. Ele esclareceu que se referia às expectativas de inflação “para 2019, para 2020, olhando mais adiante”.

“Vamos nos dedicar a olhar o aumento temporário de inflação e ver se há algum elemento perene”, disse, repetindo o que o BC já havia comunicado nos seus documentos oficiais na semana passada. “Vamos nos debruçar nessa inflação para ver se tem algum impacto mais perene desse choque, que é temporário, certamente. Mas temos que olhar para frente.”

Ilan disse que o índice mensal de inflação de junho deverá ser mais alto devido a choques temporários que afetaram a economia no curto prazo, como a greve dos caminhoneiros.

“Houve uma greve que vai fazer a inflação de junho ser elevada, vamos ter esse dado em breve”, disse. “Também temos o impacto do que está acontecendo no choque externo, o cenário internacional mudou. Há questões relacionadas a reformas e ajustes no futuro. Como vão ocorrer.”

Ilan também justificou a definição de uma meta de inflação em 3,75% ao ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2021, dizendo que nesse horizonte o objetivo está fora das flutuações cíclicas de curto prazo e pode refletir os fundamentos da economia.

Cartel

O presidente do Banco Central também afirmou que não há um cartel de câmbio no Brasil, em alusão ao fato de empresas exportadoras estarem movendo processos judiciais cobrando supostos prejuízos decorrentes do alegado cartel de câmbio.

“Não, não há. Essa foi uma questão específica levada ao Cade”, completou, referindo-se ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “O Cade está tocando isso. Acho que não houve maiores influencias na taxa de câmbio. Mas acho que o Cade vai se pronunciar a esse respeito. Esse é o caminho.”

Spreads bancários

O presidente do Banco Central negou também a instituição tenha adotado a agenda dos bancos no debate sobre os altos juros e spread bancário no pais. Segundo ele, o BC tem tomado medidas para ampliar a concorrência na área.

“Especificamos que temos de nos concentrar na concorrência”, disse.

A entrevistadora afirmou ver semelhanças entre o diagnóstico do Banco Central sobre os altos juros  bancários, apresentado no Relatório de Economia Bancária, com os pontos defendidos pelas associações que representam os bancos. Segundo ela, a ênfase era menos sobre a concentração bancária e mais sobre itens da agenda de bancos, como medidas para reduzir a inadimplência.

Ilan respondeu que o BC tem tomado medidas para ampliar a concorrência, como a portabilidade das contas bancárias e um ambiente regulatório que incentiva os bancos pequenos e médios e a criação de fintechs.

“Inclusive, de fato os spreads têm caído”, sustentou. “Está caindo, gostaríamos que caísse mais rápido.”

Ele disse que pontos levantados pelo sistema bancário também são verdadeiros, como os ligados ao alto “custo Brasil”. “Temos que trabalhar com a concorrência, mas há também vários componentes do ‘custo Brasil’ que afetam não só o setor bancário, mas a economia como um todo”, afirmou.

Dívida pública

Ilan disse ainda que “não é o caminho” para resolver o problema fiscal do pais a imposição de eventuais limites para o pagamento de juros da dívida pública. Sua resposta foi dada quando questionado sobre propostas de candidatos a presidente da República de impor limites aos gastos com juros da dívida. 

“Considero que a nossa visão futura sobre a responsabilidade fiscal, sobre a capacidade de colocar as contas públicas em ordem no futuro, é fundamental”, disse Ilan. “É isso que vai dar tranquilidade, vai dar capacidade de ter um juro menor.”

Ilan disse que “todos nós somos detentores da dívida pública”. “Todos investimos em fundos, em Tesouro Direto. Na verdade, todos nós nos beneficiaríamos de um juro menor ao longo do tempo.”

Fonte Oficial: Valor.

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