Fed: Mercado pode estar excessivamente otimista com economia dos EUA – Valor

SÃO PAULO  –  As previsões para o impulso à economia americana vindo do estímulo fiscal aprovado pelo governo Trump podem estar “excessivamente otimistas”. A afirmação é de estudo do Federal Reserve (Fed, BC americano) de São Francisco, assinado por Tim Mahedy e Daniel J. Wilson.

Os economistas citam textos recentes segundo os quais os efeitos dos estímulos fiscais à atividade econômica são “muito menores” durante períodos de expansão do que de contração.

De acordo com Mahedy e Wilson, as pesquisas revelam que o chamado multiplicador fiscal, que mede o crescimento na economia gerado a partir de cada dólar injetado no sistema via cortes de impostos, é “menor” em expansões do que em recessões.

Além disso, o multiplicador aumenta quando indivíduos com restrições de gastos (em períodos de fraqueza econômica ou recessão) têm acesso a liquidez.

“Uma vez que a proporção da população que tem problemas de liquidez geralmente cai durante expansões econômicas, os resultados [das pesquisas] sugerem que a propensão média a consumo, e por tabela o multiplicador fiscal, também deveria cair em períodos de expansão”, dizem Mahedy e Wilson no texto que consta no site do Fed de San Francisco.

Ambos citam que, em estudo dos pesquisadores Tal Gross, Matthew J. Notowidigdo e Jialan Wang, a propensão marginal a gastos de indivíduos com limitações financeiras é 20% a 30% maior em recessões do que em períodos de expansão.

Impulso reduzido

Os autores do texto do Fed de São Francisco lembram que o Escritório Orçamentário do Congresso americano (CBO, na sigla em inglês) previu em abril que os estímulos fiscais elevarão o crescimento do PIB de 2018 em cerca de 1,3 ponto percentual, de 2,0% para 3,3%. Mas, segundo Mahedy e Wilson, as pesquisas indicam que o real impulso à atividade pode ser de menos de 1 ponto percentual. E que a literatura sobre multiplicadores de gastos fiscais sugere um aumento ainda menor, de até zero, de acordo com algumas pesquisas.

No fim do ano passado, o Congresso americano aprovou a maior reforma fiscal desde 1986, que, ao longo de dez anos, liberará à economia um total de US$ 1,5 trilhão. Cerca de metade dessa folga fiscal às empresas ocorrerá nos primeiros três anos.

Mahedy e Wilson, que assinam o texto do Fed de São Francisco, dizem que a política procíclica, ou seja, que reforça o ciclo já em curso, pode levantar preocupações sobre a capacidade do governo de responder a futuras recessões e de gerir a crescente dívida pública federal.

Fonte Oficial: Valor.

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