As forças e fraquezas do Brasil em inovação, segundo o GII 2018 – Exame

Brasil ficou constante nos aportes mas melhorou nos resultados e dados sugerem que o setor privado é mais eficiente do que setor público

access_time 10 jul 2018, 18h25 – Publicado em 10 jul 2018, 17h41

São Paulo – O Brasil escalou 5 posições e passou do 69º para a 64º lugar entre 126 países no Índice Global de Inovação (IGI) divulgado nesta terça-feira (10).

O ranking é publicado anualmente desde 2007 pela Universidade Cornell, pelo INSEAD e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).

O ranking considera 80 indicadores. O Brasil está relativamente estacionado há cerca de três anos nos aportes (inputs) em inovação, mas teve melhora de 10 posições nos resultados (outputs).

Soumitra Dutta, professor de Cornell e um dos responsáveis pelo estudo, deu uma hipótese para a melhora:

“Havia muitos órgãos responsáveis pelo assunto, falta de coordenação e um clima de complacência. A crise brasileira criou um senso de urgência e necessidade de ação”, diz em conversa por telefone com EXAME.

Prova disso, segundo ele, é que apesar da profunda recessão e do investimento ser de forma geral muito baixo no Brasil em comparação com outros países, os dados mostram que as empresas brasileiras não pararam de apostar em pesquisa e desenvolvimento.

“Acredito que a melhoria é resultado de esforços combinados do setor empresarial e do governo com foco no estímulo à inovação, e a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) tem papel fundamental de fortalecer este ecossistema”, diz Gianna Sagazio, superintendente de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que é parceira do GII junto com o Sebrae.

É alta a proporção de empresas brasileiras que oferecem treinamento formal, por exemplo, assim como é alta a proporção das exportações que são de alta tecnologia.

“O Brasil avança, sobretudo, no número de trabalhadores altamente especializados, e também está obtendo resultados muito melhores na área da pesquisa universitária e industrial”, disse Francis Gurry, diretor-geral da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), na conferência de lançamento.

Educação

Mas apesar das melhoras, a eficiência do Brasil em traduzir seus aportes em inovação em resultados concretos ainda é baixa, diz o relatório. Um forte exemplo é a educação.

Somos 23º lugar internacional em gasto em educação como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), mas estamos no 64º lugar em notas do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) em leitura, matemática e ciência.

A qualidade das nossas universidades e publicações científicas também foram destacadas por Gurry, mas somos 98º lugar mundial em educação superior de forma geral, sugerindo que a forma de gastar precisa ser modificada na ponta – com mudanças de currículo, por exemplo.

Também estamos entre os últimos lugares mundiais em ambiente de negócios, facilidade de criar uma empresa, nível de crédito, taxação efetiva e estabilidade política. Isso sugere que há muito espaço para o governo facilitar a vida das empresas.

“O setor privado é mais eficiente do que o público, o que acontece em várias economias”, diz Soumirtra.

Dos 7 pilares analisados, o Brasil tem sua melhor posição em sofisticação dos negócios. Veja a colocação de cada um deles entre os 126 países:

 

Fonte Oficial: Exame.

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