Análise: A despeito da guerra comercial, Canadá eleva juros – Valor

SÃO PAULO  –  Em um dia de mais um capítulo da guerra comercial do governo Trump, o Banco Central do Canadá (BoC, na sigla em inglês) elevou na quarta-feira (11) sua taxa de juros de referência em 25 pontos base para 1,5% ao ano. E pode apertar mais a política monetária. Analistas veem a taxa de referência chegando a pelo menos 2,5% até o fim do ano que vem. 

A ação era muito esperada pelo mercado, mas o que chamou atenção foi a confiança – ou a baixa preocupação – de que o imbróglio com os Estados Unidos tenha impacto relevante sobre a economia do país.

Não deixa de ser simbólico que um dos países mais diretamente afetados nessa “guerra” tenha essa percepção dos efeitos das medidas. Ao Canadá foram impostas tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio e de 10% sobre bens de consumo em 31 de maio, respondidas no fim de junho com medidas retaliatórias que somam o mesmo montante (cerca de US$ 13 bilhões) sobre 250 bens americanos.

Na decisão, o BoC avalia a economia como próxima do potencial, com crescimento projetado de 2,8% no segundo trimestre, uma moderação para 1,5% no terceiro e uma média 2% nos próximos três anos – já computados os efeitos os impactos das medidas comerciais até agora tomadas, de parte a parte, sobre o investimento e as exportações. A inflação permanece perto da meta de 2%, “consistente com uma economia próxima da capacidade instalada”.

A postura da autoridade monetária canadense de certa forma explica o comportamento dos mercados no Ocidente, que obviamente se ressentem em dias em que novidades nesta seara acontecem (como ontem), mas que passam logo por uma recuperação. O BoC avalia que “a economia dos EUA está se mostrando mais forte do que o esperado, reforçando as expectativas de mercado de taxas de juros mais altas e dólar valorizando”. 

A corrente comercial entre os dois países é expressiva (cerca de US$ 640 bilhões em 2017), sendo que os EUA têm superávit de US$ 2 bilhões com o Canadá. Em outras palavras, o que aparentemente está prevalecendo é a ideia de que um crescimento americano ainda forte é capaz de manter a demanda suficientemente aquecida de modo a ancorar a atividade global. 

Do lado doméstico, o BC canadense deixou claro que um dólar canadense mais fraco (perde 4,5% no ano contra o dólar americano), o investimento mais forte e os preços de petróleo em níveis elevados compensam a incerteza vinda do governo Trump acerca da política comercial.

Claro que “a possibilidade de mais protecionismo comercial é a ameaça mais importante para as perspectivas globais”, diz a autoridade. Mas, em resumo, a confiança no crescimento segue no pano de fundo do cenário. Um alento para quem vê neste imbróglio um sinal de uma guinada certa para tempos difíceis.

Fonte Oficial: Valor.

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