Com alívio no exterior, Ibovespa avança e dólar recua – Valor

SÃO PAULO  –  O Ibovespa ganhou força ao longo da manhã desta quinta-feira (12) e rompeu o patamar dos 75 mil pontos, em um dia marcado pela recuperação das principais bolsas do mundo, que ontem (11) tiveram quedas expressivas em meio às tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Nesse contexto, as blue chips do índice têm um dia positivo, com destaque para as ações da Petrobras e dos bancos.

Por volta de 13h30, o Ibovespa operava em alta de 1,49%, aos 75.509 pontos. 

“O Ibovespa acompanha o quadro mais positivo para os ativos de risco no exterior”, diz Rafael Passos, analista da Guide Investimentos. “Não tivemos nenhuma novidade negativa em relação aos conflitos comerciais entre os EUA e a China, e isso dá fôlego às bolsas lá fora”. Passos destaca que os dados de inflação dos Estados Unidos em junho ficaram dentro do esperado, o que também contribui para a tranquilidade nos mercados internacionais. 

Dado o viés positivo dos mercados e a menor aversão ao risco, os investidores aproveitam para comprar os papéis das blue chips, que apresentam maior liquidez e costumam atrair volume maior de recursos estrangeiros. Petrobras PN (+1,09%) e Petrobras ON (+1,1%) sobem e recuperam parte das perdas de ontem — juntas, as ações respondem por quase 15% do giro do Ibovespa nesta sessão.

A menor percepção de risco em relação à China também beneficia Vale ON (+2,17%), dada a dependência da empresa à economia chinesa e à alta do minério de ferro. As siderúrgicas sobem forte, na esteira desse movimento, puxadas por Usiminas PNA (+7,30%) e CSN ON (+5,42%).

Os bancos também avançam e vão consolidando uma semana de ganhos para o setor, com destaque para Banco do Brasil ON (+1,91%), Bradesco PN (+1,70%) e Itaú Unibanco PN (+1,304%).

Os dados de vendas do varejo restrito em maio vieram menos negativos que o esperado pelo mercado — o período foi influenciado pela greve dos caminhoneiros. Com isso, as ações de varejistas sobem:  –, puxando Magazine Luiza ON (+5,54%) e units da Via Varejo (+4,17%).

Poucos papéis do Ibovespa apresentam desempenho negativo, com destaque para units da Hypera ON (-2,29%), Sanepar Units (-2,10%) e Smiles ON (-1,78%).

Câmbio

O movimento global do dólar continua determinando o comportamento do mercado de câmbio local. E hoje é dia de alívio da cotação, numa clara correção após o forte tombo de ontem.

Às 13h40, o dólar caía 0,39%, aos R$ 3,8647. Na máxima, tocou os R$ 3,8702. O contrato futuro para agosto recuava 0,48%, para R$ 3,8675.

Segundo descreve o Bradesco, em relatório, parte dessa melhora reflete a confirmação, pelo presidente americano Donald Trump, de seu compromisso em manter os Estados Unidos na Otan, após especulações de que ele poderia retirar o país da aliança militar. Por outro lado, as incertezas em torno do comércio global seguem no foco dos investidores.

O desempenho mais fraco da moeda brasileira, no entanto, reflete a cautela permanente com a cena local. Chamou a atenção a informação de que o Congresso aprovou nas últimas semanas projetos que aumentam gastos ou abrem mão de receitas cujo impacto pode ultrapassar os R$ 100 bilhões nas contas públicas.

Juros

Os contratos de juros futuros descolam do movimento do dólar hoje e oscilam perto da estabilidade. Enquanto a moeda americana cai na esteira da melhora do cenário externo, os DIs variam entre leve alta ou baixa.

De acordo com Paulo Nepomuceno, estrategista da Corretora Coinvalores, os juros descolam do câmbio porque na última semana perderam boa parte do prêmio embutido na curva e por conta das últimas aprovações do Congresso, que pesam no problema fiscal. “A ponta curta cai porque o mercado comprou o recado do Banco Central de que a inflação está ancorada e que a política de juros estimulativos deve continuar por algum tempo. A ponta média e longa fica comprometida com o déficit fiscal sem solução”, afirma.

No pacote de aprovações do Congresso antes do recesso, foi aprovado ontem o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2019 sem os principais mecanismos de contenção de gastos que haviam sido incluídos pelo relator, o que não facilita a situação fiscal do governo.

No exterior, o sentimento dos investidores globais melhora, segundo análise do Rabobank, com a sinalização de autoridades chinesas de intenção de voltar à mesa de negociações com os americanos. Ontem, os mercados registraram queda após o anúncio de possíveis novas medidas (tributárias) de restrição comercial dos EUA contra a China.

“A possibilidade de que se possa evitar uma contínua escalada no conflito, para uma efetiva guerra comercial – que potencialmente elevaria bastante as chances de se produzir uma nova recessão mundial – abre espaço para um pequeno rali de alívio no curto prazo. Mas os riscos de acidentes nesta barganha sino-americana permanecem”, diz o Rabobank.

De acordo com a análise do banco, a movimentação recente do mercado de câmbio reforça o sinal de que, após um reapreçamento dos riscos domésticos de natureza eleitoral e fiscal, a moeda nacional vem mais recentemente acompanhando o movimento dos mercados globais. “De certa forma, este último fato ajuda na interpretação de que o mercado cambial no Brasil se mostra funcional durante esta fase de precificação. Isso certamente ajuda a manter Banco Central de fora do mercado”, diz.

Às 13h45, o DI janeiro/2020 tinha taxa de 8,21% (8,2% no ajuste anterior). DI janeiro/2021 era negociado a 9,20% (9,18% no ajuste anterior). DI janeiro/2025 tinha taxa de 11,25% (11,19% no ajuste anterior).

Fonte Oficial: Valor.

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