Discurso do Presidente Ilan Goldfajn na Abertura da Semana ENEF 2018 – Investing.com

Senhoras e senhores,

É com grande satisfação que também lhes dou as boas-vindas para esta cerimônia de abertura da 5ª Semana Nacional de Educação Financeira.

Gostaria de cumprimentar meus colegas de mesa:
• Fábio Coelho, Diretor Superintendente da Superintendência Nacional de Previdência Complementar – Previc, e Presidente do Comitê Nacional de Educação Financeira – Conef, no ano de 2018;
• Marcelo Barbosa, Presidente da Comissão de Valores Mobiliários – CVM;
• Paulo dos Santos, Diretor de Administração da Superintendência de Seguros Privados – Susep; e
• Maurício Moura, Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central – BC.

O Banco Central tem a satisfação de integrar o Conef e de participar, em conjunto com os demais membros, deste evento anual, cujas ações de educação financeira alcançam – a cada edição – um maior número de brasileiros.

A atuação do Banco Central na Estratégia Nacional de Educação Financeira encontra grande harmonia com nossa Agenda BC+, que tem como objetivo revisar questões estruturais do Banco Central e do Sistema Financeiro Nacional, gerando benefícios sustentáveis para a sociedade brasileira.

A Agenda BC+, que pode ser acompanhada em nosso site, está apoiada em quatro pilares: Mais Cidadania Financeira, Legislação Mais Moderna, SFN Mais Eficiente e Crédito Mais Barato.

Embora tenham objetivos específicos, todos os pilares – cada um a sua maneira – contribuem para a promoção da cidadania financeira de nossa população.

No pilar Mais Cidadania Financeira – que abarca a educação financeira, a inclusão financeira e a proteção ao consumidor financeiro – nossas ações e iniciativas visam:
• aumentar o nível de educação financeira da sociedade brasileira;
• ampliar a inclusão financeira da população;
• proporcionar maior proteção ao cidadão consumidor de produtos e de serviços financeiros;
• melhorar a comunicação e a transparência entre as instituições financeiras e seus clientes; e
• mensurar o impacto das ações do BC, sob a perspectiva da cidadania financeira.

O Pilar Legislação Mais Moderna tem por propósito:
• fortalecer o ambiente institucional para manutenção da estabilidade financeira, no interesse da sociedade;
• modernizar leis e normas que regem a atuação do BC; e
• alinhar o arcabouço normativo às melhores práticas internacionais, inclusive para fortalecer a inclusão financeira.

No âmbito do Pilar SFN Mais Eficiente, nosso intuito é:
• analisar novos meios de pagamento;
• monitorar os impactos das inovações tecnológicas; e
• aprimorar o relacionamento das instituições financeiras com clientes e usuários.

Finalmente, o Pilar Crédito Mais Barato objetiva:
• diminuir o custo do crédito para o cidadão;
• reduzir o nível de inadimplência; e
• aumentar a competitividade entre instituições e a flexibilidade na concessão de crédito.

Cabe destacar, porém, que mesmo antes de sistematizar a Agenda BC+, o Banco Central já vinha trabalhando, faz alguns anos, para a melhoria e integração dos três elementos que compõem a cidadania financeira: inclusão, educação e proteção do consumidor de serviços financeiros.

No campo da educação financeira, além da atuação do Banco Central, apresentada pelo Diretor Maurício, que representa o Banco Central no Conef, gostaria de ressaltar o esforço empreendido pelas diversas entidades aqui presentes para que o tema da educação financeira fizesse parte da Base Nacional Comum Curricular, a BNCC.

Em dezembro de 2017, o Ministério da Educação homologou o texto da BNCC para o Ensino Fundamental.

Acreditando na importância de ensinar às crianças desde muito cedo a relevância de manter uma relação saudável com o dinheiro, participamos das audiências públicas onde o texto foi discutido antes de chegar à sua versão final.

Os esforços renderam frutos: no documento homologado, há inúmeras referências à educação financeira, especialmente quanto à gestão de finanças pessoais e à educação para o consumo e, também, à educação econômica.

A BNCC apresenta a educação financeira como tema a ser incorporado, preferencialmente de forma transversal e integradora, aos componentes curriculares na escola. São diversas as possibilidades de integração da educação financeira e da educação econômica às Áreas do Conhecimento constantes da Base Curricular.

A inserção de problemas de compra e venda, os conceitos de juros e inflação e o aprendizado de cálculos financeiros extrapolam o campo da Matemática. A educação financeira pode ser ensinada, por exemplo, em Linguagem, onde a Base menciona como habilidade a ser adquirida pelo estudante, a capacidade de “Ler e compreender, com autonomia, boletos, faturas e carnês” e “compreender as formas de persuasão do discurso publicitário, o apelo ao consumo”.

Na área das Ciências Humanas, destacamos em História, um outro exemplo com o qual o Banco Central guarda estreita relação, o “estudo do dinheiro e sua função na sociedade, da relação entre dinheiro e tempo, dos impostos em sociedades diversas, do consumo em diferentes momentos históricos, incluindo estratégias atuais de marketing”. Nisso o nosso Museu de Valores, que por sinal está aberto à visitação de todos, atua, também, como um instrumento de educação financeira.

A Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio está sendo construída e em breve será também submetida a audiências públicas. Defenderemos, mais uma vez, a inserção da educação financeira em seu texto, e esperamos contar com vocês nesse processo.

A inclusão financeira é outro componente da Cidadania Financeira que merece ser destacado por seus inúmeros efeitos positivos para a população.

Nesse âmbito o Brasil atingido hoje um estágio em que todos os municípios brasileiros contam com pelo menos um ponto de atendimento, consideradas agências bancárias, cooperativas de crédito, postos de atendimento e correspondentes.

Nosso desafio atual, entretanto, extrapola o acesso presencial. Os brasileiros têm usado cada vez mais os canais eletrônicos para realizar suas transações, como o internet banking e, especialmente, a telefonia móvel. Cartões de crédito e de débito continuam substituindo os pagamentos em espécie e, em larga escala, os cheques. Mais recentemente, a inovação tecnológica tem propiciado o surgimento de novas instituições, as chamadas fintechs, com um novo perfil de atendimento e provendo, de forma inovadora, serviços financeiros por meios eletrônicos.

Nessa linha, destaco a nova regulamentação das fintechs de crédito, em consonância com os esforços do Banco Central de aumentar a competição no mercado de crédito em todas as suas dimensões. A Resolução nº 4.656 confere maior segurança jurídica a essas operações e cria condições para a redução do custo do crédito.

As fintechs de crédito podem atuar, através de plataformas eletrônicas, em uma de duas opções: Sociedade de Crédito Direto (SCD) ou Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP). A sociedade de crédito direto (SCD) caracteriza-se pela realização de operações exclusivamente com recursos próprios. Já a sociedade de empréstimo entre pessoas (SPE) intermedia o crédito entre pares, no mercado de peer-to-peer lending.

Aliada a mecanismos de proteção resultantes da regulação e da supervisão do Sistema Financeiro, a educação financeira é – sem dúvida – fator fundamental na preparação de um ambiente seguro e sustentável para o consumidor destes novos serviços.

A melhoria dos níveis de educação financeira, além de todos os benefício já citados, têm, também, efeitos macroeconômicos de grande importância para o Banco Central. Uma melhor educação financeira implica em uma demanda e uso mais responsável e adequado do crédito, um menor risco de endividamento excessivo e, portanto, uma menor inadimplência. Esses efeitos contribuem para a redução do custo do crédito, um dos pilares da nossa Agenda BC+.

Por outro lado, ao aumentar a propensão do cidadão a poupar, a educação financeira gera externalidades positivas para o desenvolvimento econômico do país e para o bem-estar da população, extrapolando o impacto direto sobre o indivíduo.

Tudo isso evidencia que o bom cumprimento da nossa missão institucional passa pelo avanço da cidadania financeira no Brasil.

Agradeço a todos pela atenção e desejo sucesso para esta 5ª Semana Nacional de Educação Financeira.

Parabéns ao Conef pela iniciativa, e parabéns à todos que trabalham intensamente com esta pauta!

Fonte Oficial: Investing.com.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!