Ana Amélia defende mais pragmatismo no comércio internacional do Brasil – Exame

Vice de Alckmin disse que país deveria ter aproveitado fato de não questionado Rússia sobre caso de envenenamento para cobrar retirada do embargo à carne

Por Ricardo Brito, da Reuters

access_time 8 ago 2018, 20h56

Brasília – A senadora Ana Amélia (PP), candidata a vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin ao Palácio do Planalto, defendeu nesta quarta-feira em entrevista à Reuters uma atuação mais pragmática do ponto de vista comercial da chancelaria brasileira, principalmente na relação com a Rússia.

Ana Amélia disse que o país deveria ter aproveitado o fato de não ter feito questionamentos à Rússia no episódio do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal, que foi envenenado na Inglaterra, para cobrar o gesto daquele país na retirada do embargo à carne suína brasileira. Esse veto ao produto do Brasil vigora desde dezembro passado.

“A Rússia, por exemplo, eu acho que a diplomacia tinha que, não enérgica, mas ser mais pragmática. Quando houve aquele episódio na Inglaterra do envenenamento do russo, vários países, a começar pela Inglaterra, impuseram sanções à Rússia, sanções de natureza econômica. O Brasil não fez nada, não teve nenhum gesto e a Rússia mantém o embargo à carne suína brasileira”, argumentou.

“O Brasil deveria aproveitar esse episódio e dizer: ‘olha, a negociação comercial, a relação comercial com a relação político-diplomática estão caminhando juntas’. Nós não fizemos nenhuma ação de represália ou de sanção… então deem um gesto de boa vontade, para abrir a porta para a carne suína brasileira que continua sob embargo. Eu tenho essa visão, eu acho que esse é o pragmatismo comercial, uma visão na área da relação comercial bastante clara”, defendeu.

Questionada se teria havido submissão do governo brasileiro, a senadora não quis falar que houve isso, mas “talvez” se perdeu a oportunidade de colocar a questão de forma diferente.

“Perdeu a oportunidade de tirar proveito em benefício do produtor brasileiro, de defender isso, usando a diplomacia. Acho que a gente tem elementos para fazer essa articulação que possam trazer benefícios aos nosso produtores e ao país, né? Quanto mais exporta, maior fica suas reservas cambiais”, disse.

Parcerias

A senadora defendeu também que o poder público e a iniciativa privada se unam em prol de ações para o setor do agronegócio, no momento em que o Estado não tem condições de arcar sozinho com recursos para a realização de obras de infraestrutura e logística, como melhores estradas para escoar a produção e armazenar grãos.

“O setor privado tem a sua expertise, sabe como produzir, sabe como fazer. Tem que encontrar mecanismos para resolver essas questões porque a infraestrutura não pode ser feita dessa forma. Um Estado que não tem poupança para fazer investimento nesses setores precisa compartilhar essa responsabilidade com quem tenha capital e queira participar como se faz hoje nas rodovias”, disse.

(Reportagem adicional de Anthony Boadle e Jake Spring)

Fonte Oficial: Exame.

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