Não, Haddad! Aumentar Imposto de Banco Não Ajuda na Redução de Spread – Investing.com

O ex-prefeito de São Paulo e candidato a (vice) presidente do Brasil participou de uma sabatina no site Catraca Livre e aproveitou para deixar algumas propostas em seu Twitter ontem. Uma das mais curiosas é esta e vai em linha com a recém aberta temporada de populismo eleitoral (começando por Ciro ao sugerir intervenção do Estado no problema dos devedores e nomes sujos no SPC).

Twitter Fernando Haddad

Em partes, o ex-prefeito tem razão. O custo do crédito para todos os agentes da economia aqui no Brasil é muito alto, sendo os empreendedores um caso particular destes. Ainda assim, a proposta do tweet contém toques de populismo.

Quem lê, pensa que o banqueiro malvadão se mune de spreads altos para enriquecer ainda mais e que todo o diferencial de juro captado no mercado e emprestados no banco vira lucro da empresa. Por conta disso, surge então o político bonzinho, que irá amedrontar os bancos que ousarem aumentar ainda mais seus lucros por meio do crédito emprestado para a população.

Pois bem, isso não é verdade. A maior parte do spread bancário não vira lucro. O Banco Central vem fazendo a decomposição do spread bancário em seu Relatório da Economia Bancária e na versão de 2017 podemos olhar a evolução desta decomposição.

Decomposição do spread do ICC

Decomposição do spread do ICC

Fonte: Relatório da Economia Bancária – 2017

Na tabela 3.5 do relatório é possível ver que a margem do banco roda em torno de 15% do total do spread, o que já sinaliza que o banco não morde a maior parte. Ele apena está cobrando a parcela da sua prestação de serviço (poderia ser menor? Talvez, mas a questão aqui é mostrar que o dinheiro não vai todo para o lucro do banco).

Percebam que a maior parte do spread responde ao nível de inadimplência. Então terá o aventureiro bradando: “mas a inadimplência é alta por que o spread é alto, e então vira um círculo vicioso”. Bem, o que o prefeito está sugerindo então é aumentar o imposto do banco, com a expectativa de que ele internalize o custo e não repasse para o consumidor final?

Se ele não puder repassar o aumento de custo, certamente vai restringir crédito, com uma avaliação mais rigorosa do tomador, e então dificultando ainda mais a tomada de crédito por parte dos citados empreendedores.

Sabemos que isso vai terminar em taxas mais altas e, por consequência, impacto na inadimplência.

O Banco Central ainda faz uma simulação. E se a margem fosse zero?? Bem, ainda assim o spread bancário seria maior do que 9p.p., continuando como um problema.

Simulação do Spread

Simulação do Spread

Fonte: Relatório da Economia Bancária – 2017

A ameaça emite um som bonito, encorajador, mas quando se olha os números, nota-se o claro tiro no pé. Claro, nessa altura do campeonato, o ganho do voto é no grito, não nas propostas efetivas.

Fonte Oficial: Investing.com.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!