Venezuela ordena bancos a adotarem criptomoeda como unidade de conta – Exame

Medida faz parte de um plano lançado por Maduro para enfrentar a grave crise, refletida em 5 anos de recessão e uma inflação de 1.000.000%

Por AFP

access_time 27 ago 2018, 21h59

O governo da Venezuela ordenou nesta segunda-feira (27) que os bancos adotem o petro como “unidade de conta”. O petro é a criptomoeda lançada pelo presidente Nicolás Maduro em busca de financiamento.

Os bancos públicos e privados deverão agora refletir toda informação financeira em bolívares e petros, segundo a resolução da Superintendência das Instituições do Setor Bancário (Sudeban).

Para isso, as entidades terão que adequar suas plataformas tecnológicas.

A medida faz parte de um plano lançado por Maduro para enfrentar a grave crise, refletida em cinco anos de recessão e uma inflação projetada pelo FMI em 1.000.000% para 2018.

Além de cortar cinco zeros do bolívar, o programa contempla a “ancoragem” da moeda ao petro, criptoativo que o governo dá um valor equivalente ao do barril de petróleo (cerca de 60 dólares).

Economistas como Jean Paul Leidenz asseguram que com essa medida o governo socialista tenta imitar o ‘Plano Real’, implementado no Brasil na década de 1990, quando o real substituiu o cruzeiro, corroído pela hiperinflação.

Desse modo, o petro poderá deixar de ser formalmente uma criptomoeda para converter-se em uma “referência nominal” diante da desconfiança em torno do bolívar, disse Leidenz à AFP.

Com o ‘Plano Real’, os preços eram marcados em cruzeiros e reais (esses últimos se ajustavam segundo a inflação), mas “somente se transacionava em reais”, lembra o especialista.

O cruzeiro foi substituído pelo real. No entanto, o governo venezuelano não planeja substituir o bolívar.

Embora Maduro garanta ter recebido ofertas de 5 bilhões de dólares quando iniciou a pré-venda do petro há cinco meses, a criptomoeda não é vendida em casas de câmbio virtuais. Tampouco registra transações, que no caso das criptomoedas são públicas.

Leidenz adverte que a ancoragem enfrenta dois desafios: o financiamento monetário do déficit (20% do PIB) e as restrições de financiamento diante do default parcial da Venezuela e as sanções dos Estados Unidos.

Fonte Oficial: Exame.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!