O lado bom para a economia da desvalorização maciça do Real – Exame

A piora na previsão de crescimento, ampliação do déficit fiscal e a incerteza eleitoral levaram a uma depreciação do Real de 12% em termos reais

Por Michelle Jamrisko, da Bloomberg

access_time 10 set 2018, 14h38 – Publicado em 10 set 2018, 14h37

O real e a lira se desvalorizaram o suficiente para corrigir os déficits em conta corrente do Brasil e da Turquia, mas as moedas da África do Sul e Argentina talvez precisem recuar ainda mais para isso acontecer, de acordo com novo estudo da Bloomberg Economics.

Em um ambiente de alta do dólar e da taxa básica de juros nos EUA, investidores estão se livrando de moedas de países emergentes onde percebem falhas na economia, como grandes déficits comerciais.

A notícia relativamente boa para o governo em Ancara é que o tombo da lira ao longo de 2018 foi “mais do que o necessário para fechar o amplo déficit em conta corrente do país”, de acordo com relatório publicado nesta segunda-feira pela equipe da Bloomberg Economics liderada por Jamie Murray.

A conclusão se baseia em uma análise da relação entre oscilações cambiais e fluxos comerciais. Murray e seus colegas entendem que a taxa de câmbio real efetiva (corrigida pela inflação) da Turquia caiu 32 por cento neste ano, mas só precisava recuar 29 por cento.

“Erros nas políticas” governamentais são a explicação provável da queda mais acentuada da lira, segundo o relatório.

As opiniões heterodoxas do presidente Recep Tayyip Erdogan sobre política monetária e o “déficit de credibilidade” das autoridades — incluindo a reação lenta do banco central — provavelmente motivaram a desvalorização adicional desnecessária da lira, de acordo com a análise.

No caso do Brasil, o déficit em conta corrente não foi o que levou investidores se livrarem do real, mas um fator “irritante” que contribuiu para o movimento. A piora na perspectiva de crescimento, a ampliação do déficit fiscal e a incerteza eleitoral levaram a uma depreciação da moeda brasileira em termos reais de 12 por cento, mas bastariam 6 por cento para reequilibrar o déficit em conta corrente.

Já as moedas da Argentina e África do Sul talvez precisem recuar mais para fechar os déficits. O peso precisaria cair 51 por cento para eliminar o déficit na Argentina, mas a depreciação corrigida pela inflação foi de 33 por cento desde o começo do ano. A intervenção agressiva das autoridades ajudou a amenizar as perdas.

Na África do Sul, o otimismo do setor privado com o novo presidente e as cotações dos metais preciosos podem dificultar depreciação adicional do rand para fechar o déficit em conta corrente.

Em outro relatório publicado nesta segunda, a Nomura Holdings concluiu que Sri Lanka, África do Sul, Argentina, Paquistão, Egito, Turquia e Ucrânia correm risco de enfrentar crises cambiais.

Fonte Oficial: Exame.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!