Entre radicais, mercado opta por direita – Exame

Embora favoritismo seja claro, o mercado financeiro sempre preferiu candidatos mais de centro

Por Estadão Conteúdo

access_time 20 set 2018, 08h17 – Publicado em 20 set 2018, 08h04

A cada pesquisa eleitoral que é divulgada, aponta-se mais para um embate de extremos no segundo turno. De um lado, a direita de Jair Bolsonaro (PSL). De outro, a esquerda petista de Fernando Haddad. E o mercado dá sinais claros de que, se a disputa é essa, seu lado será o da direita.

Essa preferência é notada nos números do dólar e da Bolsa. Pesquisas mostrando a subida de Bolsonaro nas intenções de voto têm tido o pendão de fazer a Bolsa subir e o dólar cair. Embora isso não queira dizer que o candidato do PSL represente o sonho do mercado financeiro, que sempre preferiu alguém mais de centro – como Geraldo Alckmin (PSDB). Mas o inimaginável, para esse setor, seria a volta da gestão petista.

“No cenário que temos hoje, é impossível cravar qualquer resultado, mas os preços refletem as probabilidades”, diz Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Capital e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central. “E é sempre importante lembrar que não estamos falando de uma situação de tranquilidade na economia para o próximo presidente.”

A grande questão, diz, é que, de um lado, há um candidato, do PT, que não está dizendo claramente que é preciso resolver a questão fiscal, de um partido que não assume que o País tem um grave problema. “De outro, os economistas de todos os outros candidatos admitem que há um problema. O mercado considera que um governo petista seria pior.”

Figueiredo avalia que os economistas ligados ao PT têm dificuldade em reconhecer que o País tem um problema. “Não é uma questão de apoiar uma proposta liberal. Depois, a gente pode e deve discutir as outras propostas dos candidatos, mas o principal agora é manter o País respirando.”

Para a economista-chefe da Rosenberg, Thais Zara, dadas as grandes diferenças entre os dois programas de governo – o de Bolsonaro com um tom mais liberal, falando em reformas e ajuste fiscal, e o do PT, que não toca em questões estruturais, como a reforma da Previdência -, o mercado acaba se sentindo mais próximo de Bolsonaro. “As sinalizações antidemocráticas de Bolsonaro pesam menos que a agenda econômica.”

Gestão

“O mercado vê com bons olhos o encaminhamento de reformas que um eventual governo Bolsonaro sugere e, principalmente, quer se afastar da forma de gestão dos governos do PT”, diz André Perfeito, economista-chefe da Spinelli. Mas ele afirma, no entanto, que a agenda proposta por Paulo Guedes – que prevê, por exemplo, privatizações em massa – seria difícil de ser executada.

“A proposta de privatizações massivas é de difícil execução. Em alguns setores, como o elétrico, é até viável. Mas nada no nível proposto por Guedes.” O economista de Bolsonaro calcula em cerca de R$ 1 trilhão os ativos a serem privatizados.

Um dos temores é que o passado de posições intervencionistas do deputado Bolsonaro se choque com a agenda de Guedes. “Ainda assim, mesmo parecendo que ele teria um mandato conturbado, o mercado deixa para discutir o dia seguinte à eleição depois”, diz Perfeito.

Apesar de o ex-prefeito de São Paulo ser tido como um candidato mais palatável do que Lula, como a candidatura Haddad tem feito um vínculo direto com o ex-presidente, a vitória petista em um primeiro momento é considerada mais preocupante que a da direita.

“Em um primeiro momento, o mercado comemoraria a vitória de Bolsonaro, pela agenda liberal. Ao longo do governo, porém, poderia haver uma ressaca dessa empolgação. As dificuldades para implementar essa agenda apareceriam e o mercado ficaria novamente estressado”, avalia a economista da Tendências Alessandra Ribeiro. Ela diz acreditar que o investidor não embarca tomado de otimismo na candidatura Bolsonaro, mas tenta medir qual opção é a “menos pior”.

Com Haddad no Planalto, diz Alessandra, o movimento seria inverso: o mercado reagiria mal no primeiro momento, mas poderia afastar parte dos temores, caso o PT implementasse uma política mais pragmática, com algum tipo de reforma da Previdência e um ajuste fiscal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte Oficial: Exame.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!