BC: 2018 foi ano de recuperação do crédito, para pessoa física e jurídica – Exame

Crescimento de 5,5% no mercado de crédito bancário ocorreu após dois anos de contração

Por Estadão Conteúdo

access_time 29 jan 2019, 16h11

Brasília – O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, destacou nesta terça-feira, 29, que o crescimento de 5,5% no mercado de crédito bancário em 2018 ocorreu após dois anos seguidos de contração do estoque total de empréstimos, em 2016 e 2017. “O movimento é mais destacado no crédito para pessoas físicas, que cresceu 8,6% no ano. Para pessoas jurídicas, houve crescimento de 1,9%. Então podemos dizer que 2018 foi um ano de recuperação de crédito”, avaliou.

Segundo Rocha, o desempenho no ano passado foi puxado pelas operações no crédito livre, que cresceu 11,2% – maior alta desde 2012.

Nesse recorte, os crescimentos para pessoas físicas e jurídicas foram equivalentes, com aceleração no crédito para as empresas. “Para pessoas jurídicas, é relevante ressaltar o desempenho do capital de giro e nas operações de comércio exterior. Para pessoas físicas, o destaque foi o crédito pessoal e para a aquisição de veículos”, acrescentou.

Já o crédito direcionado apresentou recuo pelo terceiro ano seguido, com queda de 0,6% em 2018. “Mas uma retração menor que a dos anos anteriores sinaliza que o crédito direcionado caminha para uma estabilização, para deixar de cair”, ponderou Rocha. “Desde agosto do ano passado já é possível observar uma trajetória de crescimento”, apontou.

Segundo ele, o recuo do crédito direcionado, sobretudo por parte do BNDES, já tem sido compensado por outras modalidades de crédito ou mesmo pelo mercado de capitais. “O crescimento das operações livres de aquisição de veículos por pessoas jurídicas é um exemplo disso”, completou.

Proporção do PIB

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central admitiu que a alta do estoque de crédito em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) de 47,2% em 2017 para 47,4% em 2018 é um crescimento pequeno. “O importante é que a redução da relação crédito/PIB se interrompeu em 2018”, argumentou. “Para pessoas físicas, já é possível notar uma trajetória de crescimento”, completou.

O saldo de operações para pessoas físicas encerrou 2016 em 24,9% do PIB, chegou a 25,2% do PIB no fim de 2017 e finalizou o ano passado em 26,1% do PIB. “A questão me parece mais circunscrita ao crédito direcionado, especificamente para empresas”, afirmou.

O crédito para pessoas jurídicas encerrou 2016 em 24,7% do PIB, caiu a 22% do PIB no fim de 2017 e finalizou o ano passado em 21,4% do PIB. “Pode haver uma tendência cíclica no aumento da emissão de debêntures no mercado de capitais, mas a redução da participação do BNDES me parece um movimento mais longo”, avaliou.

Capital de giro

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central destacou o crescimento de 2,2% no saldo de crédito para capital de giro com recursos livres em dezembro. “Essa linha vinha com saldos negativos mês após mês, e em dezembro virou para positivo”, apontou.

Segundo Rocha, as linhas de desconto de duplicatas e antecipação de faturas têm um componente sazonal bastante marcado no fim do ano. “Todo dezembro cresce contra novembro, e em janeiro volta a haver redução”, explicou. “Mas na comparação entre dezembro de 2018 e dezembro de 2017, sem efeitos sazonais, houve crescimento relevantes nessas linhas”, detalhou.

Ele também destacou o crescimento de 62,4% na linha de aquisição de veículos por pessoas jurídicas com recursos livres em 2018. Em valores, o salto foi superior a R$ 10 bilhões no ano. “Isso mostra a transferência de operações antes atendidas pelo BNDES no crédito direcionado para o crédito livre”, repetiu.

Fonte Oficial: Exame.

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